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A imortalidade da alma

A Palavra de Deus ensina que o ser humano é uma alma vivente porque está escrito que quando Deus formou o primeiro homem do pó da terra lhe soprou nas narinas o fôlego da vida e ele se tornou uma alma vivente (cfr. Gen. 2:7), mas ela ensina também que o homem possui uma alma que é imortal, e não mortal como o seu corpo, que na morte vai para o Paraíso se salva, mas para o Hades (melhor conhecido como o inferno) se perdida, e por isso o homem continua a existir espiritualmente depois que morre. Esta alma podemos defini-la o homem interior de todo o ser humano, para distingui-la do homem exterior que ao invés é o corpo no qual se encontra a alma.

Passagens da Escritura que chamam o ser humano ‘alma’

Ora, a sagrada Escritura chama as pessoas também almas e estas passagens o confirmam:
 
Ÿ “Mas se a família for pequena demais para um cordeiro, tomá-lo-á juntamente com o vizinho mais próximo de sua casa, conforme o número de almas..” (Ex. 12:4);
 
Ÿ “E todos os despojos destas cidades, e o gado, os filhos de Israel saquearam para si; tão-somente a todos os homens feriram ao fio da espada, até que os destruíram, sem deixarem alma viva” (Josué. 11:14);
 
Ÿ “E em toda a alma havia temor…” (Actos 2:43);
 
Ÿ “E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas” (Actos 7:14);
 
Ÿ “A longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, (isto é, oito) almas se salvaram pela água” (1 Ped. 3:20).
 
Mas a mesma Escritura ensina claramente que a alma não é o corpo, e o corpo não é a alma; e que quando o corpo de uma pessoa morre a sua alma parte, e, se é um filho de Deus vai habitar com o Senhor no céu, se não desce ao lugar dos mortos onde há um fogo não atiçado por mão de homem e onde há pranto e ranger de dentes.

Passagens da Escritura que testificam a diferença entre a alma e o corpo

Vejamos antes de tudo passagens que testificam que a alma não é o corpo do homem e que na morte do indivíduo ela sai do corpo.
 
Ÿ A propósito do parto que Raquel teve quando nasceu Benjamim está escrito: “Raquel começou a sentir dores de parto, e custou-lhe o dar à luz. Quando ela estava nas dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas, pois ainda terás este filho.Então Raquel, ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou ao filho Benôni” (Gen. 35:16-18). Desta passagem se compreende que a alma de Raquel saíu dela quando morreu.
 
Ÿ No livro das Lamentações está escrito: “Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho?” (Lam. 2:12). Quando Jerusalém foi cercada pelo exército dos Caldeus, muitos meninos morreram de fome e de sede, exalando as suas almas no regaço de suas mães.
 
Ÿ Quando o profeta Elias orou a Deus para que ressuscitasse o menino morto da viúva da qual ele era hóspede, disse: “Ó Senhor meu Deus, rogo-te que torne a alma deste menino a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias, e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu” (1 Re 17:21-22).
 
Como podeis ver Elias cria que no corpo de um ser humano havia uma alma, e que para que um morto tornasse à vida era necessário que Deus fizesse tornar a entrar nele a alma.
 
Ÿ O próprio Elias quando no deserto exprimiu o desejo de morrer, disse a Deus: “Já basta ó Senhor! Toma agora a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais!” (1 Re 19:4); o que  demonstra que ele acreditava ter uma alma no seu corpo e também que quando se morre Deus faz sair a alma do corpo do homem.
 
Ÿ A propósito da ressurreição de Cristo, Davi disse: “Não deixarás a minha alma no Hades…” (Actos 2:27): e nós sabemos que o Hades é o lugar dos mortos onde há fogo que arde porque do rico está escrito que morreu e “foi sepultado. E no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio e, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim. E manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:22-24).
 
Portanto, quando Cristo morreu sobre a cruz aconteceu que a sua alma saiu do seu corpo e desceu ao lugar dos mortos, enquanto que o seu corpo foi posto num sepulcro por José de Arimatéia. Se dissessemos que Cristo Jesus não tinha uma alma imortal no seu corpo, teriamos que dizer que quando ele morreu foi aniquilado, isto é, deixou de viver completamente, não só fisicamente mas também espiritualmente. E que portanto Pedro mentiu quando disse que Cristo no espírito “também foi, e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram rebeldes…” (1 Ped. 3:19-20). Mas tudo isto não se pode dizer precisamente porque Jesus tinha uma alma no seu corpo.
 
Ÿ Quando em Trôade aquele jovem Êutico tomado pelo sono, caiu do terceiro andar está escrito que “foi levantado morto. Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está… E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados” (Actos 20:9-10,12).
 
Neste caso aquele rapaz foi levantado morto, mas a sua alma pelo querer de Deus permaneceu nele por breve tempo sem partir, de facto Paulo disse aos irmãos que a alma do rapaz estava nele. Como podeis ver também Paulo acreditava que a alma não é o corpo, mas uma parte do nosso ser que se encontra dentro do corpo.
 
Ÿ No livro de Jó está escrito: “Qual é a esperança do ímpio, quando Deus o cortar, quando Deus lhe arrebatar a alma?” (Jó 27:8).
 
Também por estas palavras se compreende que a alma não é o corpo porque está dentro do corpo. Para confirmação desta passagem de Jó vos recordo a história do rico e de Lázaro em que é dito que quando o rico morreu foi sepultado e no Hades, estando em tormentos, viu ao longe Abraão e Lázaro; mas para ele não houve mais alguma esperança de salvação (cfr. Lucas 16:19-31).
 
Ÿ Jesus disse a um dos ladrões que estavam na cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43) fazendo-lhe claramente perceber que naquele mesmo dia, quando ele morresse, ele iria para o paraíso.
 
Assim aquele homem naquele mesmo dia logo que expirou foi habitar no paraíso, o que equivale a dizer que ele continuou a viver mas numa outra dimensão e num outro lugar. Portanto se aquele homem não tivesse tido uma alma no seu corpo, como poderia ir para o paraíso naquele mesmo dia? Certamente não foi para lá com o corpo, porque ele ficou na terra, mas foi para lá com a alma imortal que estava nele e que não pôde ser morta.
 
Ÿ Jesus disse aos Saduceus que negavam a ressurreição: “Ora Ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem” (Lucas 20:38), fazendo claramente perceber que aqueles que morrem na fé, morrem quanto à carne, mas continuam a viver para o Senhor e por isso estão vivos. Segundo quanto diz o historiador José Flávio (n. 37 – m. depois 100) nas suas Antiguidades Judaicas, os Saduceus negavam, além da ressurreição corporal, também a imortalidade da alma, na verdade diziam que as almas morriam com os corpos (Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, 1 § 4). Por isso se explica porque Jesus Cristo lhes respondeu daquela maneira, isto é, testificando que um dia os homens ressuscitariam mas também que no mesmo momento em que ele estava falando Abraão, Isaque e Jacó estavam vivos porque Deus era o seu Deus, e Ele não era o Deus dos mortos mas dos vivos. Quando nós pois hoje dizemos que o Deus a que servimos é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, fazemos bem, porque Deus mesmo disse a Moisés: “Este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração em geração” (Ex. 3:15); mas é claro que para ser o seu Deus eles tem que viver em algum lugar. Ora, depois de todos estes séculos que passaram desde a morte deles, podemos dizer que os seus corpos se tornaram em pó, mas certamente não podemos dizer que com a sua morte eles cessaram de existir completamente, porque Deus, depois de todos estes séculos, não se envergonha de ser chamado o seu Deus. O que existe portanto dos patriarcas se o seu corpo se decompôs e tornou ao pó? As suas almas imortais. O Vivente é o Deus dos que vivem. Mas onde vivem eles? Eles vivem com as suas almas no reino dos céus. Enquanto estavam vivos na terra confessaram de ser peregrinos e forasteiros na terra, demonstrando que eles buscavam uma pátria, a celestial, que era de muito longe melhor do que aquela da qual tinham saído.
 
Ÿ Paulo diz aos Romanos: “De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor” (Rom. 14:8).
 
Isto significa que nós pertencemos a Cristo e estamos na sua mão enquanto habitamos neste corpo como também quando partirmos dele. Isto porque nem sequer a morte nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo; não nem sequer a morte. E de facto Jesus disse das suas ovelhas: “Ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:28).
 
Ora, se com a morte uma pessoa se extinguisse completamente, ou seja se no homem não houvesse uma alma imortal, como se poderia afirmar que nós quando morrermos pertenceremos ainda a Cristo e estaremos ainda na sua mão? Não poderiamos porque teriamos que dizer que a morte conseguiu nos tirar da sua mão! Mas nós, pelo contrário, sabemos que “os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus” (Ecl. 9:1).
 
Ÿ No livro da Revelação, João diz de ter visto as almas daqueles que foram mortos pela Palavra de Deus os quais reviveram de facto escreveu: “E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos” (Ap. 20:4).
 
Notai que João diz ter visto primeiro as almas daqueles que foram mortos por causa da palavra de Deus e depois que eles reviveram; naturalmente voltaram a viver com um corpo ressuscitado, mas no entretanto, ou seja, entre a sua morte e a sua ressurreição tinham continuado a viver mas apenas com a sua alma, de facto João viu as suas almas. Também estas palavras de João testificam a existência da alma e a sua imortalidade.
 
Ÿ No Evangelho escrito por Mateus encontramos escrito que um dia Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os conduziu sobre um alto monte no qual ele foi transfigurado e quando a sua face resplandecia como o sol e as suas vestes se tornaram brancas como a luz “lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mat. 17:3).
 
Ora, a Escritura diz a propósito de Moisés que ele morreu e foi sepultado por Deus de facto está escrito na lei: “Assim morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme ao dito do Senhor. E o Senhor o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de Bate-Peor” (Deut. 34:5-6); notai que está escrito que ele morreu e foi sepultado, portanto ninguém pode dizer que o seu corpo não tenha sido sepultado. Para confirmação que Moisés morreu verdadeiramente há as palavras de Judas que diz que o arcanjo Miguel “quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés” (Judas 9). Se pois Moisés estava morto quem era aquele que apareceu juntamente com Elias no monte santo e que os discípulos viram e ouviram? Simples; era Moisés, mas sem o seu corpo, em outras palavras era a alma de Moisés. Esta aparição de Moisés sobre o monte santo é pois mais uma confirmação que a alma não é o corpo e o corpo não é a alma, e que depois da morte a alma do homem que está nele parte do seu corpo e continua a viver.
 
Ÿ Jesus disse: “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no geenna (ou lago de fogo) a alma e o corpo” (Mat. 10:28).
 
A alma portanto não é o corpo do homem porque se assim fosse Jesus não falaria desta maneira. De facto, se matar o corpo de uma pessoa significa implicitamente matar a alma, Jesus não diria que o corpo pode-se matar mas alma não! A alma portanto, à diferença do corpo, não pode ser morta; porém pode ser feita perecer no geenna (o fogo inextinguível) junto com o corpo.

Passagens da Escritura que indicam os lugares para onde vão as almas dos homens após a morte

Vejamos agora algumas Escrituras que testificam que à morte a alma do pecador vai para o Hades, enquanto a do justo para o céu.
 
Ÿ Jesus disse: “Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; e desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no Ades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio e, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim. E manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:19-24.). Como podeis ver este homem rico, depois que morreu, se encontrou no Hades, em tormentos, e isto porque enquanto estava vivo não quis dar ouvidos à lei de Moisés e aos profetas.
 
Ÿ No livro da Revelação está escrito: “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram, e clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap. 6:9-10).
 
João viu as almas de um certo número de crentes que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus, e as viu junto do altar que está no céu diante de Deus. Notai que aquelas almas eram capazes de clamar com grande voz, de recordar que tinham sido mortas e por quem tinham sido mortas. Como podeis ver a expressão “as almas dos que foram mortos” (Ap. 6:9) demonstra que a alma de uma pessoa não é a própria pessoa, isto é, o seu corpo, mas algo de diferente do seu corpo, e depois que a alma à diferença do corpo não pode ser morta como disse Jesus.
 
À luz pois destas Escrituras, o homem tem uma alma no interior do seu corpo que quando morre continua a viver: no Hades  (ou inferno) no meio de atrozes sofrimentos, se morre nos seus pecados; ou no céu (ou paraíso) na presença de Deus e de Jesus no gozo, se morre em Cristo.

Uma palavra de exortação

Tu irmão estás entre o número daqueles que tendo crido no Senhor têm a vida eterna pelo que quando morreres irás logo habitar com o Senhor no céu, na glória onde reina a paz e onde não há mais dor e pranto, e onde repousarás à espera da ressurreição. Alegra-te pois grandemente porque a tua alma está salva e aplica-te a perseverar até ao fim porque como disse Jesus: “Com a vossa perseverança ganhareis as vossas almas” (Lucas 21:19). Cuida bem para não negares a tua fé em Cristo de outro modo também tu irás ao inferno quando morreres de facto está escrito que aqueles que recuam o fazem “para a perdição” (Heb. 10:39). E procura advertir o maior número de almas possíveis sobre os tormentos do inferno que padecerão depois da morte se não se arrependem dos seus pecados e não crêem em Jesus Cristo.
 
Porventura frequentas porém uma comunidade onde do inferno nunca ouves falar como se não existisse, ou talvez ouves falar dele de fugida sem que venha posto o justo ênfase, e por isso estás convencido que os Cristãos não devem falar do fogo do inferno aos pecadores. Te estás enganando grandemente, porque o próprio Jesus, o Filho de Deus descido do céu, falou dele nos seus ensinamentos. Lê atentamente os ensinamentos de Jesus e te aperceberás disso. Não temas advertir os pecadores do inferno, porque é uma coisa que fez o próprio Jesus.
 
Seguramente, ao ouvir-te falar do inferno aos pecadores ou talvez a outros irmãos, certos crentes te definirão um terrorista e não um portador de boas novas, alguém que quer assustar as pessoas com discursos que não se adequam mais à era moderna em que nós vivemos. ‘São discursos que iam bem na Idade Média, mas não agora!’, ‘A quem pensas de meter medo com estes teus discursos?’. Te dirão. Tu porém não deves render-te diante destes obstáculos; é normal receber oposição quando se anuncia a verdade aos homens. E por vezes esta oposição se levanta mesmo do meio da irmandade.
 
Porquê esta oposição ao dar advertimentos sobre o inferno? Porque é opinião já muito difundida nas igrejas que o anúncio do Evangelho não deve conter advertimentos sobre o terrível e espantoso fim que espera depois da morte aqueles que não o aceitarem. Isso é falso porque o Evangelho é o que diz a própria palavra ou seja uma boa nova, porque salva quem o aceita do pecado cujo salário é a morte e que conduz quem é escravo dele ao inferno. Ser pois salvo do pecado e deste presente século mau corresponde automaticamente a ser salvo do inferno para onde todos nós estávamos indo quando éramos filhos da ira. Mas eu digo: Como pode ser levado um pecador a tremer diante do anúncio do arrependimento e da remissão dos pecados em nome do Senhor Jesus, se este anúncio não inclui também o solene advertimento sobre o fim para o qual irá de encontro se rejeitar o que lhe é dito para fazer, ou seja arrepender-se? Como poderá perceber que da sua decisão a favor ou contra o Evangelho dependerá o seu futuro eterno, maravilhoso se a decisão for positiva, horrível e vergonhoso se negativa? A mim parece que não poderá. E não só, mas como poderá ser apreciada plenamente a mensagem do Evangelho pelos que a aceitaram se não sentirem também eles que o Senhor os salvou de um fim horrível e cheio de tormentos que palavras humanas não podem descrever de maneira perfeita? E ainda, mas como poderão os que aceitaram o Evangelho ser induzidos a perseverar na fé em Cristo e a santificar-se no temor de Deus se não ouvem dizer que se recuam e se deixam de novo envolver nas contaminações deste mundo do qual fugiram, irão também eles para o inferno? A mim parece que não poderão.
 
E que é assim é confirmado pelo facto de hoje muitos que ouvem o Evangelho pensarem que aceitar o Evangelho significa simplesmente ter os seus problemas resolvidos no sentido que aceitando-o desaparecerá a solidão, a tristeza e o medo do amanhã. Não que isto não seja verdade, porque na realidade o discípulo de Cristo tem sempre o Senhor com ele, tem o gozo da salvação no seu coração, e a paz de Cristo no seu coração, mesmo se também é verdade que o Cristão vê surgir na sua vida muitos outros problemas com a sua conversão porque começa a ser perseguido e injuriado por causa do Senhor e por isso a sofrer muito, direi por um certo ponto de vista mais do que quanto tinha sofrido enquanto não crente porque em alguns casos será preso como um malfeitor e até mesmo morto por causa do Evangelho. E assim eles  – os pecadores – não sabem que recusar o Evangelho significa ir para o inferno para onde estão indo; mas aliás ninguém lhes o diz por medo de assustá-los!! Mas vejamos agora os crentes; por aquilo que eu tenho visto são bem poucos os crentes que apreciam o Evangelho, e isto porque bem poucos se dão conta que pelo Evangelho além de terem sido salvos do pecado foram arrebatados do fogo do Hades e do lago de fogo. Ao falar da eternidade com alguns crentes parece que para eles afinal de contas a salvação recebida pela graça de Deus não é assim tão grande. Parece ouvi-los dizer: ‘Sim, fomos salvos, mas não faças parecer tão trágico e terrível o fim que corríamos enquanto perdidos!’, como dizer em suma: ‘Oh, mas mesmo se morressemos nos nossos pecados não passariamos assim tão mal!’. A Escritura porém não me diz isto, ela me diz que se morresse nos meus pecados padeceria um tormento eterno num ardente fogo eterno onde de água há só a memória. Por isso dou sempre graças a Deus Pai em Cristo Jesus por me ter salvo; por isso todas as vezes que falo do Evangelho aos pecadores procuro não só lhes dizer que se devem arrepender dos seus maus caminhos e crer em Jesus para a remissão dos seus pecados mas também que se não o fizerem irão para o inferno depois de mortos. E é ainda por isso que falo do inferno também aos crentes para que perseverem na fé no Evangelho até ao fim e escapem assim dele. Uma sua negação na verdade significaria a perdição. E pelo que respeita à santificação que dizer? Diremos que hoje são poucos os crentes que verdadeiramente se santificam porque não há aquele desejo de honrar o Evangelho como se deve. Mas aliás o Evangelho não nos salvou de uma tão grave punição, porque devemos portanto renunciar assim a tantos prazeres?!!’ Eis pois porque o Evangelho é desonrado justamente por aqueles que o deveriam honrar com todas as suas forças! Há a frase de um cântico que diz: ‘Honremos a Palavra do Evangelho’, é uma bela frase, mas ela deve ser cumprida e não apenas cantada. Eu também a cantei quando estava perdido, mas nos factos não honrava a Palavra do Evangelho. E isto vejo justamente a muitos crentes fazer, o que me parte o coração. Aquele Evangelho pelo qual os apóstolos deram a vida, sofreram tantas perseguições, tantas privações, sofreram tantas injúrias, para levá-lo àqueles que não o tinham ouvido e para honrá-lo através das suas palavras e das suas obras para que o nome do Senhor fosse glorificado neles, é tão desprezado na prática no seio de muitas igrejas que parece que ele não tenha algum valor! Sim em palavras tem um grande valor no local de culto, nos congressos, nos acampamentos, mas não na prática, não na vida de todos os dias. A Palavra de Deus é pisada, os compromissos com o mundo são muitos, a palavra da cruz é portanto denegrida. Muitos pastores são homens de negócios, prontos a trair o Evangelho por menos de trinta denários do tempo de Jesus; parecem saídos de um instituto onde se ensina o marketing, e não de um instituto onde é ensinado a honrar a Palavra de Deus. Querem as multidões, os seus nomes escritos neste ou naquele jornal, a mensagem tem pois de ser conforme aos tempos modernos, é necessário satisfazer as exigências dos crentes modernos. Muitas ovelhas na vida de todos os dias fazem a mesma vida dos incrédulos, as variantes são tão mínimas que os do mundo se sentem confortáveis junto deles. Eis o que sucede quando se evita de falar do inferno aos crentes; tomam tudo com ligeireza, como se a sua vida fossem umas agradáveis férias na terra à espera de entrar num paraíso onde as férias serão melhores! A vida, pelo contrário, para o crente é uma guerra contínua contra o pecado, contra o diabo e os seus ministros invisíveis que procuram sufocar a palavra que foi semeada nele, que procuram com que ele se torne morno para que seja vomitado pela boca do Senhor, que procuram com que ele se torne amigo do mundo para fazê-lo inimigo de Deus e precipitá-lo assim no inferno! Seja pois proclamado não só o Paraíso, mas também o Inferno; sejam sim proclamados os prazeres inefáveis e a imensa paz e as belezas do Paraíso, mas também as dores, os prantos, o ranger de dentes, os sofrimentos indizíveis que se padecem no Inferno. E isto pelos seguintes motivos, para que os pecadores sejam tomados pelo tremor e se arrependam dos seus pecados e agarrem a vida eterna que está em Cristo Jesus, e os crentes sejam impelidos a honrar o Evangelho.

Giacinto Butindaro

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