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O Senhor Jesus Cristo

A história de Jesus de Nazaré

 

Nos dias do imperador César Augusto, uma jovem virgem de Nazaré (uma cidade da Galileia) que estava noiva de José, filho de Jacó, que era da casa de David , recebeu a visita de um santo anjo de Deus, o qual lhe anunciou que ela conceberia e daria à luz um filho que seria grande e seria chamado Filho do Altíssimo; o seu nome seria Jesus. A ele Deus daria o reino de David seu Pai e Ele dominaria sobre Israel eternamente. Maria, era este o nome da jovem virgem, ouvindo dizer-lhe aquelas palavras, perguntou como poderia acontecer isso tudo uma vez que ela não conhecia homem; e o anjo lhe respondeu que o Espírito Santo desceria sobre ela, e o poder de Deus a cobriria com a sua sombra, por isso o santo que havia de nascer seria chamado Filho de Deus. Ao que Maria respondeu ao anjo que lhe fosse feito conforme a sua palavra porque ela se declarava serva do Senhor.

E assim aconteceu, Maria ficou grávida por virtude do Espírito Santo, sem que José a tivesse conhecido. Mas quando José, tempo depois, se apercebeu que a sua noiva estava grávida se propôs deixá-la em segredo, mas projectando ele estas coisas um anjo de Deus lhe apareceu em sonho e lhe disse que não se preocupasse em receber Maria como esposa porque o que nela estava gerado era do Espírito Santo; e que ele devia de pôr ao filho que havia de nascer o nome de Jesus que significa ‘YHWH salva’ (YHWH é o nome hebraico de Deus que se pronuncia Yahweh). Tranquilizado com aquelas palavras, José logo aceitou de tomar como esposa Maria, sabendo por certo que o mensageiro de Deus, que lhe tinha aparecido, não lhe tinha mentido.

E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto para que se fizesse um recensiamento de todo o império. Então José tomou a sua esposa, que estava grávida e se dirigiram a Belém para fazerem o registo porque, como dissemos antes, ele era da casa de David. E aconteceu que estando eles em Belém da Judeia, Maria deu à luz um menino ao qual passados oito dias, quando foi circuncidado, foi posto o nome de Jesus.

No dia em que Jesus nasceu, apareceu a postores daquela comarca de Belém, um anjo do Senhor, o qual lhes anunciou a boa notícia que naquele dia na cidade de David nasceu o Salvador, que era Cristo (do grego Christòs que significa ‘Ungido’), o Senhor. Assim pois, ouvindo isso, dirigiram-se a Belém e lá viram o menino e divulgaram o que lhes tinha sido dito acerca daquela criança. Ao ouvirem aquelas coisas aqueles que estavam presentes maravilhavam-se.

Quando se cumpriram os dias durante os quais -segundo a lei- a mulher que tinha dado à luz um filho macho devia permanecer a purificar-se do seu sangue, os seus pais o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, e também para oferecer holocausto e o sacrifício pelo pecado como ordenava a lei de Moisés.

Em seguida, quando Jesus tinha ainda poucas semanas chegaram a Belém, perto da casa onde ele estava, uns magos vindos do Oriente os quais o adoraram, e abrindo os seus tesouros ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. Como tinham feito aqueles homens para chegar a Belém? Desta maneira: Quando estavam no Oriente apareceu-lhes uma estrela que os tinha conduzido a Israel. Chegando a Jerusalém perguntaram onde estava o rei dos Judeus que tinha nascido porque eles tinham vindo para adorá-lo. E o Rei da Judeia, Herodes, chamou os escribas e os principais dos sacerdotes, e se informou deles onde era que o Cristo devia nascer, e eles lhe disseram que o Cristo devia nascer em Belém da Judeia. O rei então enviou os magos a Belém (depois de se ter informado acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera), dizendo-lhes para voltarem a ele quando tivessem visto o menino porque também ele queria ir adorá-lo. Mas os magos depois de terem visto o menino Jesus, não voltaram a Herodes porque foram divinamente avisados em sonho para que não voltassem a passar por Herodes; e assim por outro caminho regressaram aos seus países.

Isto naturalmente fez enfurecer Herodes que se viu enganado pelos magos; e então ele mandou exterminar todos os machos que havia em Belém e em todo o seu território da idade de dois anos para baixo (conforme o tempo que ele se tinha informado dos magos). Mas o menino Jesus não foi deixado à morte porque Deus mediante um anjo avisou em tempo José dizendo-lhe que tomasse o menino e a sua mãe e fosse para o Egipto e permanecesse lá até nova ordem. Quando pois Herodes morreu, então Deus, ainda mediante o seu anjo, avisou José e lhe disse para voltar a Israel.

Chegando a Israel, José foi para a Galileia mais precisamente na cidade de Nazaré. Aqui em Nazaré, Jesus foi criado por seus pais e crescia em sabedoria e estatura, se fortalecia e a graça de Deus estava sobre ele.

Quando Jesus rondava os trinta anos deixou a Galileia e dirigiu-se ao rio Jordão para ser batizado por João Batista, que tinha aparecido à algum tempo no deserto da Judeia pregando um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados. Quem era ele? Ele não era nem Elias, nem tampouco o Cristo, como ele mesmo respondeu àqueles Fariseus que o tinham interrogado um dia junto do Jordão onde ele estava batizando; mas ele era aquele de quem tinha falado Deus pelo profeta Malaquias quando disse: “Eis que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho diante de mim” (Mal. 3:1). Um homem portanto que Deus tinha enviado antes do seu Ungido para lhe preparar o caminho. Mas de que maneira o mensageiro de Deus prepararia a estrada diante do Ungido de Deus? Testemunhando dele para que todos cressem por meio dele; e isto de facto foi aquilo que fez João.

Quando naquele dia o Batista o batizou e Jesus saiu da água abriram-se lhe os céus e ele viu descer sobre ele o Espírito Santo em forma corpórea como uma pomba e ouviu uma voz que disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mat. 3:17).

De agora em diante o Batista começou a testemunhar à multidão: “Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Aquele sobre o qual vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus” (João 1:32-34). Na ocasião então do seu batismo na água Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo.

Depois que Jesus foi ungido, o Espírito Santo o conduziu ao deserto para que fosse tentado por Satanás. Depois de ter jejuado por quarenta dias e quarenta noites, por três vezes o tentador procurou fazê-lo cair em pecado; mas Jesus se opôs a ele de maneira eficaz citando-lhe a lei do Senhor que ele tinha posto no seu coração conforme o que está escrito: “A lei do seu Deus está em seu coração; os seus passos não resvalarão” (Sal. 37:31). O diabo então o deixou até outra ocasião, e os anjos de Deus chegaram e o serviram.

Depois disto, Jesus voltou para a Galileia onde começou a pregar e a ensinar, glorificado por todos. Foi também a Nazaré onde tinha sido criado, mas aqui os seus concidadãos se levantaram cheios de ira contra ele, porque depois de ele ter lido na sinagoga a passagem de Isaías onde está dito: “O Espírito do Senhor, do Eterno está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos: enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar a liberdade aos cativos, e a abertura da prisão aos presos, a apregoar o ano aceitável do Senhor” (Is. 61:1), ele afirmou que naquele dia aquela Escritura se tinha cumprido, e que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. Por causa disso o expulsaram para fora da cidade e procuraram precipitá-lo do cume do monte em que estava edificada Nazaré, mas ele passando pelo meio deles se retirou para Cafarnaum, cidade sobre o mar nos confins de Zabulom e Naftali, onde fixou a sua residência, de facto esta cidade é chamada a sua cidade (cfr. Mat 9:1).

Jesus andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia pregando e anunciando as boas novas do reino de Deus. Ele dizia à multidão: “Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mar. 1:15); portanto exortava todos a arrependerem-se dos seus pecados e a crer na boa notícia da qual ele era o embaixador por vontade de Deus. O profeta Isaías em verdade, tinha dito de Cristo que ele traria uma boa nova aos pobres. Mas no que é que consistia esta boa notícia à qual Jesus ordenava os homens que cressem? No facto de que Deus na plenitude dos tempos tinha enviado ao mundo o seu Filho para que todo aquele que nele cresse não perecesse mas tivesse a vida eterna. Noutras palavras na maravilhosa notícia de que Deus no seu grande amor tinha enviado ao mundo o seu Filho para que por meio dele o mundo fosse salvo, e que para ser salvo era necessário, indispensável, crer nele.

Além de anunciar aos Judeus o arrependimento e a fé nele, Jesus ensinou muita coisa por parábolas às multidões e assim se cumpriu a palavra do profeta: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” (Sal. 78:2).

Mas Jesus operou também muitas curas no meio dos Judeus. Ele ressuscitou também os mortos e expulsou muitos demónios do corpo daqueles que os possuiam, e isto porque Deus estava com ele.

Mas embora Jesus andasse a circular pelo país dos Judeus fazendo o bem, e recuperando todos aqueles que estavam debaixo do domínio do diabo porque Deus estava com ele, foram muitos os que não creram nele, e diziam que ele era um comilão e um bêbado, alguém que enganava as pessoas, um louco, alguém que tinha o príncipe dos demónios e por isso expulsava os demónios, um pecador porque violava o sábado, um blasfemo porque chamava Deus de seu Pai e se fazia igual a ele. Calúnias, apenas calunias; porque Jesus foi um homem moderado em todas as coisas; um homem que nunca procurou o seu próprio interesse como ao invés fazem os enganadores que ensinam coisas que não deveriam por torpe ganância; um homem cheio de sabedoria, mas não daquela dos príncipes deste mundo mas daquela de Deus misteriosa e oculta; um homem cheio do Espírito Santo que expulsava os demónios pelo auxílio do Espírito; um homem que nunca violou o Sábado porque no dia de Sábado é lícito fazer o bem; é lícito salvar uma pessoa e ele naquele dia fazia isso mesmo curando aqueles que tinham necessidade de ser curados; um homem veraz que não se fez igual a Deus por presunção mas porque ele era igual a Deus por natureza sendo o seu Unigénito Filho vindo de junto d´Ele. Mas ainda que fosse igual a Deus, Ele não considerou uma coisa a que se devia aferrar mas humilhou-se a si mesmo tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos filhos dos homens. Eis porque muitos não reconheceram nele o Filho de Deus, porque se apresentou sob a forma de um humilde servo que aparentemente não tinha nada de diferente dos outros homens.

Estas calúnias naturalmente fizeram sofrer Jesus porque ele se viu rejeitado mesmo por aqueles de sua casa; ele sofreu como os profetas que estiveram antes dele os quais foram enviados por Deus ao povo para o seu bem e ao invés foram rejeitados e calúniados de toda a maneira, quase que esses se aproximaram do seu mal. Cumpriu-se assim a palavra do profeta Isaías onde ele tinha definido o Cristo: “Homem de dores, e experimentado nos trabalhos” (Is. 53:3), e assim foi de facto Jesus Cristo.

Entre aqueles que rejeitaram Jesus estavam os principais sacerdotes e os Fariseus os quais tendo desconhecido ele e as declarações dos profetas que se liam todos os sábados, deliberaram prendê-lo e de o matarem.

Alguns dias antes da Páscoa, Jesus subiu a Jerusalém entrando na cidade montado em um jumento. Naqueles dias que precediam a Páscoa, Satanás entrou num dos discípulos de Jesus, chamado Judas Iscariotes, o qual foi aos príncipais sacerdotes para oferecê-lo na mão. E eles se alegraram disso, e prometeram dar-lhe em troca dinheiro, trinta moedas de prata. Desde aquele momento por isso Judas Iscariotes procurava o momento oportuno para trai-lo.

Aconteceu assim que durante a festa da Páscoa, depois de Jesus ter comido a Páscoa com os seus discípulos, Judas saiu de onde eles estavam reunidos. Pouco depois chegou ao horto do Getsemani, onde Jesus entretanto tinha ido com seus discípulos para orar, com uma grande multidão que tinha espadas e paus. Depois de terem recebido o sinal combinado da parte de Judas, aproximaram-se lançaram mão de Jesus e o prenderam; exactamente como teriam feito com um malfeitor. Todos os seus discípulos então o deixaram e fugiram.

O levaram primeiro diante do Sinédrio que o condenou como réu de morte porque se tinha declarado o Filho de Deus, e portanto por blasfémia. Quando os membros do Sinédrio disseram: “É réu de morte” (Mat. 26:66), lhe cuspiram no rosto e lhe davam punhadas; e outros o esbofetearam, dizendo: “Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?” (Mat. 26:68). Depois, maniatando-o, o levaram ao governador Pôncio Pilatos para que lhes fosse permitido crucificá-lo. Este ao princípio tinha deliberado libertá-lo porque não encontrava nele nada que fosse digno de morte (o tinham também mandado a Herodes que naqueles dias se encontrava em Jerusalém o qual o tinha escarnecido com os seus soldados, e também ele não tinha encontrado em Jesus alguma da culpa de que o acusavam os principais sacerdotes e os escribas), mas como a multidão pedia com grandes gritos para crucificá-lo consentiu aquilo que lhe pediam e por isso mandou que primeiro o açoitassem e depois que o crucificassem. Os soldados do governador o levaram para dentro do pretório e o vestiram de púrpura, lhe puseram na cabeça uma coroa de espinhos, uma cana na mão direita, e prostrando-se diante dele o zombavam dizendo: Salve, rei dos Judeus! E lhe feriram a cabeça com a cana e lhe cuspiram.

Depois de tê-lo despido da capa púrpura, e revestido das suas vestes o levaram para fora a um lugar chamado Gólgota, onde o pregaram sobre a cruz para se cumprir a palavra: “Trespassaram-me as mãos e os pés” (Sal. 22:16), no meio de dois malfeitores e isto para que se cumprisse a palavra de Isaias: “E foi contado com os transgressores” (Is. 53:12).

Enquanto estava pendurado sobre cruz os soldados tomaram os seus vestidos, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte, enquanto a túnica lançaram sortes para saber a quem calhava ficar com ela; isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura: “Repartem entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha túnica” (Sal. 22:18).

Uma outra coisa que aconteceu enquanto Jesus estava pendurado na cruz agonizando foi ele ter-se visto escarnecido por aqueles que passavam por lá e pelos principais sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos os quais lhe diziam: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mat. 27:42-43); e isto aconteceu para que se cumprisse a palavra de David: “Todos os que me vêem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo: Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer.” (Sal. 22:7-8), e ainda: “Abriram contra mim as suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge” (Sal. 22:13).

Antes de Jesus expirar gritou: “Elì, Elì, lamà sabactanì? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Mat. 27:46), e naquele momento um dos que ali estavam correu a buscar uma esponja embebida em vinagre e pondo-a em cima de uma cana lhe dava de beber. Isto aconteceu para se cumprir aquilo que estava dito por David: “Na minha sede me deram a beber vinagre” (Sal. 69:21).

Depois que Jesus expirou, os soldados vieram para quebrar as pernas àqueles que estavam sobre a cruz, quebraram as pernas aos dois que foram crucificados com ele, mas a Jesus não lhe quebraram, porque o viram já morto, para que se cumprisse a Escritura que diz: “Nenhum dos seus ossos será quebrado” (João19:36; Sal. 34:20). Seria também o cumprimento da Escritura: “E olharão para mim, a quem traspassaram” (Zac. 12:10).

Mas porque morreu Jesus Cristo? “Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades” (Is. 53:5), diz Isaias. Assim a sua morte sobre a cruz, querida e decretada pelos Judeus e executada materialmente pelos Gentios, não foi mais que o cumprimento da palavra de Isaías. E por isso dizemos que foi Deus que fez com que os Judeus e os Gentios se coligassem contra o seu Ungido para matá-lo e isto para que com a sua morte ele nos libertasse do pecado.

Vamos agora explicar este assunto muito importante. O pecado entrou no mundo através de um único homem de nome Adão e este pecado passou para todos os homens, por isso todos pecaram. Mas o que faz forte o pecado no homem? A lei, porque, como disse Paulo, ela é “a força do pecado” (1 Cor. 15:56). Ainda Paulo explica isto quando diz que: “O pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou” (Rom. 7:11), em outras palavras o pecado utiliza a lei para levar a morte ao homem. A lei é boa e santa, mas o pecado se usa dela exactamente para causar a morte no homem. Para fazer uma comparação, é como se um homicida se usasse de um pedaço de madeira feita por Deus para matar um outro homem.

Quem fere não é o pau de madeira feito por Deus e bom em si mesmo, mas o homicida que se usa dele para cumprir o seu criminoso desígnio. Da mesma maneira o pecado homicida se usa da lei, dada por Deus a Israel e por isso boa, para matar espiritualmente as pessoas. Portanto era necessário anular o pecado, isto é tirar-lhe o poder que tinha sobre o homem. E Jesus fez isto mesmo com o seu sacrificio, anulou o pecado; ele pode fazer isto porque ele estava a carregar as nossas iniquidades morrendo sobre a cruz por todos nós. Eis porque quem crê nele fica livre do pecado, porque Jesus sobre a cruz crucificou o seu (de quem crê) velho homem. Portanto o crente em Cristo morreu com Cristo para o pecado; e por consequência a lei cessou de dominá-lo porque a lei tem domínio sobre o homem enquanto ele vive e não também depois que morreu. E o crente mediante o corpo de Cristo morreu para a lei, aquela que o tinha sugeito à escravidão, para pertencer a um outro, àquele que ressurgiu dos mortos.

Depois que Jesus expirou sobre a cruz, veio um certo José de Arimatéia que era um homem rico e que se tinha tornado também ele discípulo de Jesus, o qual pediu o corpo a Pilatos, tomou o corpo de Jesus, o envolveu num fino e limpo lençol de linho e o depositou no seu sepulcro que havia escavado na rocha, e no qual antes ninguém tinha sido posto. Foi assim que se cumpriu aquela outra Escritura que diz: “E deram-lhe a sepultura com os ímpios, mas na sua morte, ele foi com o rico” (Is. 53:9).

Mas ao terceiro dia Deus o ressuscitou dos mortos porque era impossível que Cristo fosse retido pela morte; e também a sua ressurreição estava anunciada por Deus na sua palavra na verdade David tinha dito: “Tu não deixarás a minha alma no Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção” (Actos 2:27). É claro que David não falou dele porque o seu corpo permanece no sepulcro e viu a corrupção, mas falou da ressurreição de Cristo, de um dos seus descendentes, porque ele sabia que Deus lhe tinha prometido com juramento que o faria sentar sobre o seu trono eternamente conforme está escrito: “O Senhor jurou com verdade a David, e não se desviará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono” (Sal. 132:11).

Depois que Jesus ressuscitou fez-se ver por aqueles que ele tinha escolhido, comeu e bebeu com eles, e falou com eles das coisas relativas ao reino de Deus e deu-lhes os seus mandamentos; depois disto subiu ao céu à direita da Magestade e isto para que se cumprissem as palavras de David: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sal. 110:1). E do céu, a seu tempo, ele voltará com glória e poder.

 

A Divindade de Cristo

 

Nós discípulos de Jesus Cristo cremos firmemente que o nosso Mestre era, é e será sempre Deus. Quando dizemos que ele é Deus entendemos que ele é divino como o é o Pai, ou dito em outros termos Um, quanto à substância, com o Pai e por isso sem um princípio e sem um fim. Citamos a seguir algumas passagens da sagrada Escritura tiradas do Novo Testamento que afirmam com toda a franqueza que Jesus é Deus.

Ÿ João diz: “No pricípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. Ela estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ela, e sem ela nada do que foi feito se fez…. E a Palavra se fez carne, e habitou entre nós, cheia de graça e de verdade” (João 1:1-3;14). Então como está dito claramente que a Palavra era Deus e que a Palavra se fez carne, nós declaramos que Deus se manifestou em carne na pessoa de Jesus Cristo. As seguintes palavras escritas nos Salmos: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus” (Sal. 33:6), confirmam o que João disse, isto é, que “a Palavra era Deus” (João 1:1) porque nós sabemos que os céus foram feitos por Deus conforme está escrito: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gen. 1:1); por isso se a Palavra de Deus não fosse Deus ela não teria podido criar os céus.

 

Ÿ Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Não é porventura claro o significado destas palavras ditas por Jesus? Ele e o Pai apesar de serem duas pessoas distintas são Deus. Para explicar esta união entre o Filho e o Pai (formando um só Deus permanecendo distintos) com alguns exemplos bíblicos, dizemos que é como aquela entre o homem e a mulher casados conforme está escrito: “..E serão ambos uma carne” (Gen. 2:24) e também: “Não são mais dois, mas uma só carne” (Mat. 19:6). É claro que marido e mulher permanecem duas pessoas distintas, mas diante de Deus tornaram-se uma só carne. Também quando a Escritura diz que “o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (1 Cor. 6:17) fala de uma união que porém não exclui a separação e a diversidade daqueles de que fala, de facto ela não tem intensão de dizer que o homem que se une a Cristo se torna o Espírito de Deus ou se funde com Ele ou se torna Cristo e por isso Deus porque neste caso Ela estaria a divinizar o homem. O homem continua a ser homem, e o seu espírito continua a permanecer distinto do Espírito de Deus de facto Paulo aos Romanos diz que “o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rom. 8:16). Portanto, há união entre o homem e a mulher, há união entre o crente e o Senhor; mas uma união na diversidade;. Alguns dizem ao invés que as palavras de Jesus sobre a sua união com o Pai significam só que o Filho e o Pai são um no acordo e no propósito. Mas nós dizemos: ‘Se fosse só este o significado das palavras de Jesus porque é que os Judeus logo depois que ele as pronunciou pegaram em pedras para apedrejá-lo?’ Não é porventura outro, e precisamente porque ele se fazia igual a Deus, a razão porque eles pegaram em pedras para apedrejá-lo? Sim, na verdade está escrito que os Judeus lhe disseram: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas por blasfémia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (João 10:33). O facto de declarar-se só de acordo com Deus não teria provocado a ira daqueles Judeus incrédulos.

 

Ÿ Jesus respondeu àquele homem que o tinha chamado “Bom Mestre” (Mar. 10:17): “Porque me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus” (Mar. 10:18). Ora, alguém dirá: ‘porquê pegar nesta passagem para testificar que Jesus é Deus? Por este motivo, porque Jesus não recusou de ser chamado bom, mas perguntou apenas àquele homem porque o chamava bom dado que só Deus é bom. E portanto, dado que só Deus é bom o Mestre é Deus, porque Ele é bom. Se Jesus não fosse bom certamente diria àquele homem para chamar bom só a Deus, e por isso implicitamente se declararia só um homem. Mas porque Ele era uma mesma coisa com Deus Pai, Ele era bom. Portanto, nós fazemos bem em chamá-lo de bom Mestre, porque Ele é Deus.

 

Ÿ Paulo disse de Jesus Cristo aos Colossenses “foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse” (Col. 1:19). E é exactamente em virtude do facto de em Cristo ter habitado toda a plenitude da Divindade que nós pudemos receber dele graça por graça conforme João diz: “E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça” (João 1:16). Em outras palavras nós não teriamos podido receber de Cristo nem a salvação, nem a vida, nem a paz, e nenhuma outra benção se nele não habitasse a plenitude da divindade, verdadeiramente se Ele não fosse Deus.

 

Ÿ O apóstolo Paulo disse aos Romanos: “Dos quais [dos Israelitas] é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém” (Rom. 9:5). Portanto Cristo Jesus, apesar de exteriormente ter sido achado como um homem, é o Deus que é bendito pela eternidade.

 

Ÿ Paulo diz a Tito: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus…” (Tito 2:13). Ora, o profeta Daniel chamou Deus “o grande Deus”, de facto depois que falou ao rei Nabucodonosor lhe disse: “O Deus grande fez saber ao rei o que há-de ser depois disto” (Dan. 2:45); Jeremias fez o mesmo de facto disse: “Tu o grande, o poderoso Deus” (Jer. 32:18); David reconheceria que só Deus é grande quando disse: “Eu conheço que o Senhor é grande” (Sal. 135:5); portanto se Paulo chamou Jesus “o grande Deus” significa que ele acreditava firmemente que Cristo é Deus. Se Jesus não fosse Deus, e por isso se ele não fosse igual a Deus, Paulo não o teria jamais chamado “o grande Deus”, porque de tal modo definiria uma criatura como sendo Deus, se fazendo culpado de idolatria. Recordai-vos que Paulo era um Judeu de nascença que sabia muito bem que Deus tinha dito: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex. 20:3), e por isso não se teria pois permitido, se Jesus Cristo fosse só um homem, de chamá-lo “o grande Deus”. Também o facto de Paulo ter chamado Jesus Cristo de “o nosso Salvador” mostra que ele acreditava que Jesus era Deus. Ele sabia que Deus tinha dito através de Isaías: “Deus justo e Salvador não o há, fora de mim” (Is. 45:21), e também ele não chamou “nosso salvador” só a Deus Pai (em Tito diz: “A pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador” [Tito 1:3], e a Timóteo diz: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador” [1 Tim. 1:1], e: “Esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” [1 Tim. 4:10]) mas também o seu Filho Jesus Cristo conforme está escrito em Tito: “Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tito 1:4).

 

Ÿ O apóstolo Pedro chamou também ele Jesus Cristo “o nosso Deus e Salvador”, de facto ao início da sua segunda epístola está escrito: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1:1). Também ele como Paulo sabia que existe só um Deus e um só Salvador mas chamou o Cristo que ele tinha conhecido também nos dias da sua carne “nosso Deus e Salvador”, porque Ele o é.

 

Ÿ No livro dos Actos dos apóstolos entre as palavras que Paulo dirigiu aos anciãos da igreja de Éfeso estão estas: “Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Actos 20:28). Ora, nestas palavras está dito que Deus resgatou a sua igreja com o seu sangue, o que à primeira vista pareceria inacreditável porque sabemos que não foi Deus que morreu sobre a cruz e verteu o seu sangue por nós, mas o seu unigénito Filho. Mas examinando atentamente esta passagem e confrontando-a com outras passagens da Escritura notaremos que aqui Paulo se refere ao Filho de Deus e não a Deus o Pai o qual nos dias da carne do seu Filho continuava a estar sentado sobre o seu trono no céu. Recordai-vos que quando Tomé disse a Jesús: “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28), admitiu implicitamente que o seu Deus tinha morrido sobre a cruz, que tinha derramado o seu sangue para nos comprar com ele, e depois tinha ressurgido; mas cuidai que não está com aquelas palavras a admitir que Deus Pai tinha morrido sobre a cruz; digo isto para fazer-vos compreender que há sempre que fazer uma clara distinção entre Deus Pai e Deus Filho. São duas pessoas unidas e da mesma substância por toda a eternidade, mas ao mesmo tempo diversas entre si e devem ser nomiadas separadamente com o fim de não se trocar uma pela outra. Em conclusão, Jesus Cristo é Deus que, segundo a palavra de Paulo, comprou a sua igreja com o seu sangue.

 

Ÿ Na epístola aos Hebreus está escrito: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos..” (Heb. 1:8). Também desta palavra tirada do centésimo quadragésimo quinto salmo se compreende claramente que o Filho é Deus.

 

Ÿ Ainda nesta carta está escrito: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogénito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Heb. 1:6). Ora, nós sabemos que os anjos adoram só Deus conforme está escrito: “O exército dos céus te adora” (Neemias. 9:6); portanto, como os anjos sabem que se deve adorar só Deus (o anjo de Jesus que apareceu a João na ilha de patmos, quando viu que João se prostou diante dele para adorá-lo lhe disse: “Olha não faças tal… Adora a Deus!”[Ap. 22:9]) eles sabem e reconhesseram que Jesus Cristo é Deus. E assim, se Deus Pai ordenou aos seus anjos para adorar o seu filho quer dizer que Ele mesmo reconhece em Cristo Jesus a segunda pessoa da Divindade. Se Jesus não fosse Deus, o Pai nunca teria ordenado aos seus anjos para adorá-lo.

 

Ÿ Mateus diz que os magos “entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram…” (Mat. 2:11). Estas palavras testificam que Jesus era Deus também quando era criança, porque os magos vindos do Oriente lhe dirigiram a adoração devida só a Deus.

 

Ÿ O mesmo apóstolo diz no final do Evangelho por ele escrito que as mulheres constatando Jesus ressuscitado “abraçaram os seus pés, e o adoraram” (Mat. 28:9), e depois que os discípulos “partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E quando o viram, o adoraram” (Mat. 28:16-17). Ora, se está escrito na lei: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele servirás” (Mat. 4:10), por consequência Cristo era Deus. Se o Filho não fosse Deus não só Ele não seria digno de ser adorado, mas também teria Ele mesmo repreendido as mulheres e os seus discípulos quando o adoraram. Recordai-vos que Jesus nunca se coibiu de repreender os seus quando estes o mereciam; Ele gritou com Tiago e João quando lhe perguntaram se queria que eles dissessem para fazer descer fogo do céu para devorar aqueles Samaritanos que não o receberam porque estava indo para Jerusalém (cfr. Lucas 9:51-56); e repreendeu Pedro porque este não queria que ele sofresse e morresse (cfr. Mat 16:22-23). Portanto se os seus discípulos, adorando-o, se fizessem culpados de idolatria Jesus lhes teria dito: ‘Adorem Deus!’; o facto é que em vez disso Ele aceitou a sua adoração o que confirma que Jesus era Deus e não só homem.

 

Ÿ Paulo diz aos Filipenses: “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fil. 2:5-7). Desta maneira Paulo confirmou que Cristo Jesus era igual a Deus, e que Ele como Filho de Deus estava junto com o Pai antes da fundação do mundo.

 

Ÿ Na carta aos Hebreus está escrito: “Mas chegastes … a Deus, o Juiz de todos” (Heb,. 12:22,23). Deus neste caso é chamado o Juíz de todos; mas também o Filho é o Juiz de todos porque Pedro disse dele “que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (Actos 10:42). Por isso dado que sabemos que o juizo pertence ao Eterno, ao único e verdadeiro Deus, e a nenhum outro, Jesus Cristo é Deus.

 

Ÿ Marcos diz que Jesus disse àquele homem paralítico trazido por quatro: “Filho, perdoados estão os teus pecados” (Mar. 2:5). Ao que alguns dos escribas que estavam ali presentes arrazoavam em seus corações dizendo: “Por que diz este assim blasfémias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mar. 2:7). Mas Jesus conhecendo os seus pensamentos disse: “Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo (disse ao paralítico) : Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa” (Mar. 2:8-11). Como podeis ver Jesus Cristo tinha o poder de perdoar os pecados. Por isso Jesus não podia não ser Deus além de homem porque nos Salmos David diz de Deus: “Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades” (Sal. 103:3), e também: “Tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Sal. 32:5). Se ele fosse só um homem então sim teria blasfemado, mas o facto é que Ele era, além de verdadeiro homem, também verdadeiro Deus e por isso tinha e continua a ter o poder de perdoar os pecados aos homens. Nós de facto cremos Nele obtendo por ele a remissão dos pecados. Glória ao seu santo e bendito nome agora e eternamente. Amen.

 

A natureza humana de Cristo

 

Jesus Cristo é chamado o Filho do homem porque ele, embora sendo o Filho de Deus, nasceu segundo a carne por uma mulher. Ele, além de ser o verdadeiro Deus, conforme está escrito: “Foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse” (Col. 1:19), era também um verdadeiro homem, com um corpo humano como o nosso. Portanto, tendo ele um corpo como o nosso, tinha que comer, beber, dormir, como nós. Ora, a natureza humana de Jesus Cristo emerge das seguintes Escrituras que nós compareremos com outras que se referem a Deus e isso com o único fim de fazer-vos compreender que Jesus como Filho do homem era pouco menor do que Deus, conforme o que está escrito nos Salmos: “Pouco menor o fizeste do que Deus” (Sal. 8:5).

 

Ÿ João diz: “Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim, junto da fonte” (João 4:6), portanto Jesus se cansou. Mas nós sabemos que em Isaías está escrito de Deus que “o eterno Deus,…nem se cansa nem se fatiga” (Is. 40:28); mas isto não nos leva a dizer que Jesus nos dias da sua carne não era Deus, porque aquele seu cansaço era devido ao facto que Ele tinha um corpo humano sugeito a limites.

 

Ÿ Mateus diz: “E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande, que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo” (Mat. 8:23-24); enquanto nos Salmos é dito que “eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel” (Sal. 121:4). Ora, no barco, naquela ocasião o Filho de Deus dormia porque tinha um corpo que se cansava e tinha necessidade de repouso. Notai que Mateus diz que Jesus dormia, mas não que Deus dormia porque Deus não pode dormir. Mas apesar de Jesus ter dormido nós não dizemos que Jesus não era Deus, porque sabemos que o Filho, sendo no exterior como homem, tinha necessidade também de dormir.

 

Ÿ Jesus disse: “Porém, daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente meu Pai” (Mat. 24:36). Ora, nós sabemos que “o Senhor é o Deus da sabedoria” ” (1 Sam. 2:3), Portanto porque é que Jesus Cristo que era Deus disse não saber nem o dia e nem a hora da sua segunda vinda? A razão é porque ele era também um homem.

 

Não há portanto razão para nos maravilharmos se Jesus antes de morrer disse aos seus discípulos: “Se me amásseis, certamente exultaríeis por ter dito: Vou para o Pai; porque o Pai é maior do que eu” (João 14:28), porque Ele como Filho do homem era inferior a Deus Pai, conforme está escrito nos Salmos: “Pouco menor o fizeste do que Deus” (Sal. 8:5), e nesta ocasião falou como Filho do homem. Certamente, toda a vez que falamos da natureza humana que assumiu o Filho de Deus embora permanecendo Deus todos os dias da sua carne, reconhecemos falar de uma coisa que não compreendemos plenamente; mas isso não nos impede de todo nem de crê-lo e nem também de proclamá-lo. “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade” (1 Tim. 3:16). A Cristo Jesus, nosso Deus e Salvador, seja a glória agora e eternamente. Amen.

 

O sacerdócio de Cristo

 

Deus, depois de ter tirado o povo de Israel do Egipto por meio de Moisés, o conduziu ao monte Sinai, no qual além de promulgar a lei mandou Moisés dizer ao povo de Israel que lhe fizessem um santuário, de facto lhe disse: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles. Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus vasos, assim mesmo o fareis” (Ex. 25:8,9); este tabernáculo foi construido, mas era somente um santuário terreno que figurava aquele perfeito que está no céu. Está escrito: “Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o santuário. Mas, depois do segundo véu estava o tabernáculo, que se chama o santo dos santos, que tinha o incensário de ouro, e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto; e, sobre a arca, os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório” (Heb. 9:2-5); neste santuário terreno haviam os serviços sagrados a fazer e Deus escolheu Arão e os seus filhos para os fazer. Arão foi constituido por Deus Sumo Sacerdote em prol d’Israel para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados do povo enquanto os seus filhos foram feitos sacerdotes. Ora, o Sumo Sacerdote debaixo do antigo pacto era obrigado a oferecer sacríficios também pelos seus pecados, sendo também ele um homem rodeado de fraqueza e era mesmo em razão desta sua fraqueza que ele podia “compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” (Heb. 5:2). O Sumo Sacerdote era o único que entrava no Santo dos santos “uma vez no ano” (Heb. 9:7), com o sangue, que oferecia por si mesmo e pelos erros do povo; os sacerdotes ao invés não podiam entrar no Santo dos santos mas apenas no santuário; era aqui que eles entravam continuamente para fazer os serviços sagrados a quem lhes tinha confiado esse serviço. Deus, na lei tinha mandado que uma vez ao ano mais precisamente no décimo dia do sétimo mês, o Sumo Sacerdote fizesse a expiação dos seus próprios pecados e dos do povo; ele tinha que degolar um novilho, o qual é o sacrifício pelo seu próprio pecado, e levar o sangue para lá do véu, no Santo dos santos e aspergir de sangue, com o dedo, o propiciatório que estava sobre a arca, do lado do oriente e “perante o propiciatório espargirá sete vezes do sangue com o seu dedo” (Lev. 16:14), Depois ele teria que degolar o bode do sacrifício pelo pecado do povo e levar o sangue dele para lá do véu e fazer com este sangue aquilo que tinha feito com o sangue do novilho, isto é, a aspersão sobre o propiciatório e perante o propiciatório; era assim que o Sumo Sacerdote fazia a expiação dos seus pecados e dos do povo. Deus disse a propósito daquele dia: “Naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor… E isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação pelos filhos de Israel, de todos os seus pecados, uma vez no ano” (Lev. 16:30,34).

Ora, Deus tendo concluído com a casa de Israel e com a casa de Judá e com nós Gentios que cremos, um novo pacto (um pacto melhor que o primeiro) constituiu um outro Sumo Sacerdote nas coisas concernentes a Deus e o tomou de entre os homens e o estabeleceu sacerdote pela eternidade, de facto Deus disse ao Filho: “Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque” (Heb. 5:6; Sal. 110:4). A tal respeito é necessário dizer que o Filho de Deus, para ter benévola compaixão por nós e para poder vir em socorro de nós descendentes de Abraão, “convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos” (Heb. 2:17) e de facto é precisamente porque os filhos de Deus participam do sangue e da carne que também ele semelhantemente participou. Portanto, o Filho de Deus, para ser um fiel e misericordioso Sumo Sacerdote nas coisas pertencentes a Deus e para cumprir a expiação dos nossos pecados, teve que tomar a forma de servo e tornar-se semelhante aos homens e além disso teve que sofrer, e é mesmo por causa dos sofrimentos por ele padecidos nos dias da sua carne que Ele pode ajudar-nos, conforme está escrito: “Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Heb. 2:18). Irmãos, era necessário que o Filho de Deus fosse tentado pelo diabo, por isso ele foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado por Satanás; era necessário que o Filho de Deus sofresse, por isso ele sofreu muita coisa dos principais sacerdotes, dos escribas e dos anciãos e foi rejeitado por aquela geração pecadora. A escritura diz: “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Heb. 2:10) e de facto é em razão dos seus sofrimentos que o Filho de Deus foi consagrado para sempre um perfeito, fiel e misericordioso Sumo Sacerdote. Dilectos, foi porque o Filho de Deus participou da nossa natureza humana, que ele pôde destruir a morte e “o que que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Heb. 2:14) e libertar “todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Heb. 2:15); um anjo, sendo um espírito, não poderia fazer o que fez Jesus Cristo, porque só um verdadeiro homem, santo, justo e perfeito poderia nos socorrer e nos salvar dos nossos pecados, e graça rendemos a Deus por ter constituido em nosso favor um tal Sumo Sacerdote, que foi em virtude de todos os seus sofrimentos constituido para sempre; sím, tinhamos mesmo necessidade de um tal Sacerdote e isto Deus o sabia e o suscitou, o seu nome é Jesus.

Como Arão não tomou de si a honra de ser feito Sumo Sacerdote, assim também Cristo “não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Heb. 5:5; Sal. 2:7) e: “Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque” (Heb. 5:6; Sal. 110:4). Jesus Cristo é Sumo Sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque e não segundo a ordem de Arão; “este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem geneologia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” (Heb. 7:1-3). Ora, a grandeza deste Melquisedeque foi manifesta no facto de Abraão, o patriarca, lhe dar o dízimo dentre os melhores despojos, mas também no facto de ele abençoar Abraão, “o que tinha as promessas” e “sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior” (Heb. 7:6,7). Melquisedeque é superior a Arão e aos sacerdotes levíticos, porque na pessoa de Abraão, mesmo Levi (que estava ainda nos lombos de Abraão, quando este encontrou Melquisedeque) que toma os dízimos segundo a lei, foi subordinado ao dízimo para o dar a alguém que não era da sua estirpe, isto é, a Melquisedeque.

Jesus, o Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé descendeu segundo a carne da tribo de Judá e não por a de Levi, à qual Deus confiou o sacerdócio; alguém dirá: ‘Mas que necessidade havia que surgisse um outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque e não segundo a ordem de Arão? Irmãos, necessidade havia, porque a perfeição não foi possível por meio do sacerdócio levítico, por isso Deus fez surgir da tribo de Judá um outro sacerdote, segundo uma ordem mais excelente do que a de Arão, por meio da qual nós, quanto à consciênca, fomos aperfeiçoados. O Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé é superior aos Sumos sacerdotes do antigo pacto porque enquanto aqueles foram feitos tais sem juramento, ele foi feito Sumo Sacerdote com juramento, conforme está escrito: “Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote eternamente” (Heb. 7:21; Sal. 110:4), e é por este motivo que o pacto do qual Jesus foi feito fiador (o novo pacto) é mais excelente do que o primeiro.

Os Sumos sacerdotes sob o antigo pacto eram imperfeitos, enquanto “a palavra do juramento, que veio depois da lei constituiu (Sumo Sacerdote) o Filho, perfeito para sempre” (Heb. 7:28); aqueles foram feitos em grande número, “porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Heb. 7:23-25). Irmãos, Jesus Cristo morreu, mas ao terceiro dia ressuscitou e a morte não tem mais domínio sobre ele; ele está à direita de Deus onde intercede por nós continuamente. Jesus faz de mediador entre Deus e nós e é por isso que nos aproximamos de Deus com plena certeza de fé, seguros que Ele nos escuta e nos auxilia, porque nos chegamos a Ele em nome do seu Filho que é Sacerdote eternamente.

Os Sumos sacerdotes, debaixo da lei, tinham que todos os anos oferecer o sangue dos bodes e dos bezerros para cumprir a expiação dos seus pecados e dos do povo, mas Jesus Cristo ofereceu-se a si mesmo uma vez para sempre pelos nossos pecados. A Escritura diz: “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exacta das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrfícios, porém, cada ano se faz recordação dos pecados, porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Heb. 10:1-4); isto significa que apesar de os Israelitas oferesserem aqueles sacrificios pelos seus pecados, os seus pecados eram anualmente recordados por Deus, eles não desapareciam das suas consciências, porque aqueles sacrifícios eram imperfeitos e prefiguravam a expiação que o Cordeiro de Deus haveria de fazer nos últimos dias; os Israelitas persistiam em ter consciência de pecado porque aqueles sacrifícios eram apenas regras carnais que Deus tinha estabelecido por um determinado tempo, para anulá-las depois na plenitude dos tempos; esta é a razão porque está escrito: “Quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço” (Heb. 9:9); se tratava somente de bestas gordas, de sangue de animais, como poderia estas coisas alguma vez anular o pecado, concelando-o da consciência daqueles que as ofereciam? Era impossível que a consciência fosse aperfeiçoada pelo sangue de touros e de bodes, mas o que era impossível ao sangue de touros e bodes, o fez o sangue de Jesus Cristo, conforme está escrito: “O sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas…” (Heb. 9:14). Irmãos, a nossa consciência que estava contaminada de pecado foi purificada pelo sangue de Cristo; quando nós fomos lavados e aspergidos com o sangue de Jesus Cristo, os nossos pecados foram removidos, a sua recordação desapareceu e não há mais na presença de Deus porque Deus disse: “De seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais” (Heb. 8:12; Jer. 31:34). Deus diz: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem” (Is. 44:22); os nossos velhos pecados como nuvens negras obscureciam e envolviam a nossa consciência por toda a parte. Mas Cristo com o seu sangue os fez desaparecer e eles não se vêem mais nem sequer no horizonte. Paulo diz: “A vós, digo, Ele vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Col. 2:13), todas, não somente algumas, porque “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 João 1:7). O que faz o sangue de Jesus no coração daquele que recebe o Senhor é uma obra perfeita, sem defeito, porque lhe tira todos os velhos pecados; por isto nós estamos em obrigação de dar continuamente graças a Deus pelo sangue do Cordeiro sem defeito e sem mácula, que foi derramado no Gólgota. O Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé, depois de se ter oferecido a si mesmo para aperfeiçoar a nossa consciência entrou também ele em um santuário, e sabeis onde? “No mesmo céu”, diz a Escritura, e não em um santuário feito por mãos “figura do verdadeiro” (Heb. 9:24); está escrito que Jesus “por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efectuado uma eterna redenção” (Heb. 9:11,12) e “Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; de outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo…” (Heb. 9:25,26). Aquilo que Jesus fez, quando ofereceu-se a si mesmo, o fez de uma vez para sempre no tempo fixado por Deus e era necessário que o fizesse para estabelecer o novo pacto, de facto para que o Novo Testamento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo fosse consagrado, e se tornasse válido, era necessário que interviesse a sua morte, porque está escrito: “Onde há testamento é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Heb. 9:16,17). A morte de Jesus ocorreu, o Novo Testamento por isso é válido, ele nos deixou, e nele nos prometeu uma herança eterna, mas recordai-vos que para nos fazer herdeiros desta eterna e gloriosa herança, ele, o Unigénito vindo de junto do Pai, teve que morrer. Está escrito: “Pelo que também o primeiro não foi consagrado sem sangue; porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissope, e aspergiu tanto o mesmo livro como todo o povo, dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado. E semelhantemente aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os vasos do ministério. E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Heb. 9:18-22); ora, como o foi o primeiro pacto dedicado com sangue, assim o foi também o segundo, mas não com sangue de bezerros e de bodes, mas com o sangue precioso de Jesus Cristo, de facto Jesus, depois de ter proclamado os mandamentos de Deus, (segundo o que ele disse: “Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei-de dizer e sobre o que hei-de falar” [João 12:49]) disse aos seus discípulos, quando lhes deu o cálice na noite em que foi traído: “Isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mat. 26:28).

Jesus Cristo, pelo o seu sangue manifestou e abriu o caminho ao Santuário e nos capacitou de aceder livremente à presença de Deus; enquanto subsistia ainda o primeiro tabernáculo, o acesso ao Lugar santíssimo (Santo dos santos) era permitido apenas ao Sumo sacerdote e proibido aos sacerdotes, mas agora, mediante Cristo, o véu que dividia o Lugar santo (Santuário) do Santíssimo foi rasgado, e nós, como sacerdotes de Deus, temos a liberdade de nos chegarmos ao trono de Deus com plena confiança; que previlégio!, que honra!. Irmãos, retenhamos firmemente até ao fim esta nossa confiança no Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé.

 

Fonte

 

 

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