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O que tens que fazer para obter a vida eterna

Ó Católicos romanos, os padres vos ensinaram e vos ensinam quanto segue: ‘Deus dá o Paraíso aos bons (…) Com o ser bom nós, só com as nossas forças naturais, não poderíamos merecer o Paraíso; o merecemos com a graça que Deus nos conferiu no Batismo, pela qual as nossas boas obras adquirem mérito para o Paraíso (….) Cada um espera com muitos sacrifícios e trabalhos conseguir para si um bom estado aqui em baixo, e ganhar bens incertos, que depois se podem perder de um dia para o outro, que jamais podem fazer feliz alguém pois não afagam o coração, e que, de todo o modo, é necessário abandonar em breve pela morte. Pensai ao invés, antes de tudo, em ganhar o Paraíso’ , e também ‘Por isso na graça da esperança nós aguardamos do Senhor a vida eterna e todas as graças necessárias para merecê-la aqui em baixo; mas para merecê-la de que modo? Com as boas obras’ (ibid., pag. 381); e ainda: ‘Esperamos salvar-nos porque Deus nos quer salvos, e nós queremos, por nossa parte, fazer o que é necessário para nos salvarmos, ou seja, como dizemos no acto de esperança, esperamos de Deus ‘a vida eterna e as graças necessárias para merecê-la com as boas obras que eu devo e quero fazer ’. Mas então não bastam para nos salvar os méritos infinitos de Jesus Cristo? ‘Não bastam – dizem ainda os vossos padres – não porque eles não tenham valor suficiente, mas porque o próprio Jesus Cristo quis o concurso e a cooperação das nossas boas obras, porque para nos aplicar o mérito delas, quer que nós sintamos e queiramos em união a Ele, porque quis que nós praticássemos o Evangelho e vivêssemos a vida cristã’

Mas as coisas não são de modo nenhum assim, com efeito, esta doutrina que atribui às obras o poder de fazer merecer a vida eterna aos homens e de salvar os homens do inferno e que vós aceitastes de boa fé pensando que fosse justa porque vos é ensinada por pessoas que têm o apelativo de sacerdotes de Deus, é uma doutrina falsa, diabólica que até agora levou ao inferno centenas de milhões de pessoas. Sim, há centenas de milhões de pessoas a sofrer nas chamas do inferno – entre as quais também vossos parentes e familiares – precisamente porque em vida se apoiaram nesta doutrina sobre a salvação lhes ensinada pelos padres.

Agora a confutaremos e assim vos dareis conta pessoalmente de quanto digo. Segundo o que diz a Escritura, a vida eterna não é a recompensa que Deus dá ao homem que se esforça para ganhá-la, mas ela é o dom que Deus dá ao homem que se arrepende dos seus pecados e crê no nome do Filho de Deus. Paulo diz de facto: “O dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rom. 6:23), portanto a vida eterna, sendo o dom de Deus, o homem não a pode nem merecer e nem ganhar praticando o bem , doutra forma o dom não é mais dom. Mas eu vos pergunto: se Deus desse a vida eterna como recompensa (ou galardão) aos que operam, isso significaria que Ele é devedor para com eles porque Paulo diz que “àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida” (Rom. 4:4); mas como pode ser isso verdade quando o mesmo apóstolo diz também: “Quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado?” (Rom. 11:35) E ainda vos pergunto: mas se as boas obras são merecedoras de vida eterna, então por que motivo alguma vez o Filho de Deus viria sofrer a este mundo? Podia ficar junto de Deus Pai sem vir a este mundo! Não vos parece? Mas sabei que Jesus Cristo veio precisamente por isto, para nos adquirir com o seu sangue a vida eterna e fazer que todos os homens, Judeus e Gentios, pudessem recebê-la por graça mediante a fé n`Ele. Ele sabia que os homens não podem merecer a vida eterna porque todos estão debaixo da condenação e merecem a punição eterna, e por isso veio morrer por nós para que pelos seus méritos, e repito pelos seus méritos, nós pudéssemos obter gratuitamente a vida eterna de Deus . E ainda vos pergunto, mas como se pode afirmar que as boas obras são merecedoras de vida eterna quando postas todas juntas não podem de nenhum modo alcançar o valor que tem a vida eterna? Como se pode fazer tal afirmação quando Jesus disse aos seus discípulos: “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer”? (Lucas 17:10) é preciso ser verdadeiramente arrogante para afirmar que Deus deva dar a vida eterna por justiça aos que fazem obras meritórias! Tu então dirás: Mas então para ter a vida eterna de Deus tenho só que crer? Sim, assim mesmo. Jesus de facto disse: “Aquele que crê tem a vida eterna” (João 6:47), e: ” Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia ” (João 6:40), e ainda: ” E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:14-16). A propósito destas últimas palavras te quero fazer saber a razão pela qual Moisés levantou a serpente de metal no deserto e assim perceberás bem por que razão Jesus tomou justamente este episódio bíblico para explicar que para ter a vida eterna se tem só que crer nele. Quando os Israelitas no deserto murmuraram contra Deus e contra Moisés ” o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que mordiam o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo. E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido mordido, olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, mordendo alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia” (Num. 21:6-9). Ora, Jesus comparou o seu levantamento ao da serpente de metal feito no deserto, e a comparação é verdadeiramente apropriada porque como os Israelitas mordidos pelas serpentes para escapar à morte tinham só que olhar a serpente de metal levantada por Moisés (notai de facto que os que eram mordidos, para não morrer, tinham só que olhar para a serpente de metal e não fazer algum rito ou alguma boa obra escrita na lei), assim os homens mortos nas suas ofensas para serem vivificados e obterem a vida eterna de Deus têm somente que ver o Filho de Deus e crer nele. Nele que primeiro foi pendurado no madeiro da cruz e depois de ter ressuscitado dos mortos foi recebido à direita de Deus. Sim, é assim mesmo que se obtém a vida eterna de Deus, (somente) crendo em Cristo Jesus ; e não fazendo boas obras ou nos esforçando para sermos bons como antes proclamam os vossos padres mortos nas suas ofensas que falam desta maneira porque eles próprios ainda não viram o Filho e não creram nele. Também João o Batista disse que a vida eterna se obtém somente por fé, de facto, proclamou: ” Quem crê no Filho tem a vida eterna” (João 3:36); e assim o apóstolo Paulo que disse: “Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, o principal [pecador ], Cristo Jesus mostrasse toda a sua longanimidade, a fim de que eu servisse de exemplo aos que haviam de crer nele para a vida eterna” (1 Tim. 1:16). Aliás, se não fosse somente pela fé que se recebe a vida eterna ela cessaria de ser um dom, porque seria necessário fazer alguma boa obra para merecê-la. Em outras palavaras a Escritura se contradiria porque um dom que se mereça ou se ganhe não é mais um dom. Faço-te um exemplo para te fazer perceber melhor este conceito. Ponhamos o caso que tu compras um presente para um teu familiar; o que esperas dele? Que o aceite como presente. Portanto que na simplicidade do seu coração, ele quando tu lho entregares te diga: ‘Obrigado’. Mas ponhamos o caso que tu lhe digas: ‘Dou-te o presente porém tens que me o pagar (porventura não todo o preço, mas só uma parte). Se poderia ainda chamar presente esse objecto? De modo nenhum. E assim é com a vida eterna; se Deus afirma na Bíblia que ela é o SEU DOM tu o deves aceitar como tal pela fé em Jesus Cristo, e agradecer-lhe por este grande dom. Não tens que fazer absolutamente nada para merecê-lo porque Deus não te pede nada em troca, nem todo o preço e nem sequer uma parte, porque o preço o pagou por ti Jesus Cristo quando morreu sobre a cruz por cada um de nós. Se Deus te pedisse além da fé também as boas obras para teres a vida eterna ele seria dobre no falar; seria como dizer que Jesus Cristo sobre a cruz com os seus sofrimentos e com o seu sangue não fez o suficiente para nos adquirir a redenção eterna e portanto o sacrifício de Cristo seria reduzido a uma pequena ajuda dada por Deus ao homem, uma ajuda lhe dada para merecer a vida eterna; como dizer em suma que para ter a vida eterna é preciso também os méritos do homem porque os de Cristo não são suficientes. Mas repito, a este ponto a vida eterna não se poderia chamar mais o dom de Deus e o sacrifício de Jesus valeria quase nada. Porventura depois de teres lido tudo isto tu dirás: ‘Mas eu creio, mas eu creio em Jesus’. Bom, então eu te pergunto: ‘Mas se crês em Jesus como dizes, como é que não tens a certeza da vida eterna? Como de facto pudeste ver Jesus disse que quem crê tem a vida eterna. A razão te a digo eu: ‘Porque na realidade tu dizes crer com a boca, mas com o teu coração ainda não creste que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação’. Crê pois com todo o teu coração que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, e que ao terceiro dia ressuscitou para nos justificar com o seu sangue. Então, e só então, perceberás que o teu actual crer é um crer falso. A este ponto tu porventura dirás: ‘Demasiado simples para ser verdade!’. Ao que eu te digo: ‘Mas porquê, as doutrinas para serem verdadeiras devem ser complicadas? Ou seja, quanto mais complicadas são mais probabilidades há que sejam verdadeiras?’ Não te parece que não é esta a maneira pela qual se percebe se uma doutrina é verdadeira ou não? Uma doutrina é verdadeira se é confirmada pela Bíblia não interessa se é difícil de perceber ou fácil de perceber. De resto, uma doutrina pode ser muito simples ou muito complicada mas se a Bíblia não a confirma deve ser rejeitada. O caminho para obter a vida eterna poderá parecer fácil quanto quiseres, uma coisa é certa, ELE É VERDADEIRO. Nós o havemos percorrido e te o podemos dizer por experiência pessoal. Crês porventura que somos presunçosos em dizer que temos a vida eterna? Bom, então ouve o que diz o apóstolo João, que te recordo foi testemunha ocular da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, na sua primeira epístola: ” Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna” (1 João 5:13). Ele não disse: ‘A vós que credes no nome do Filho de Deus, para que espereis obter a vida eterna’, como se nós crentes não possuíssemos já a vida eterna em nós mesmos, mas disse nos ter escrito aquelas coisas para nos fazer saber que nós temos já a vida eterna. O mesmo apóstolo diz também: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho… E o testemunho é este: Que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5:10,11,12). Reconhece pois que as palavras do apóstolo confirmam plenamente que nós que cremos temos a vida eterna. Mas eu te queria perguntar: mas como podes dizer que um crente que recebeu Cristo no seu coração não pode dizer com certeza de fé ter a vida eterna, quando Jesus Cristo é ” a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada” (1 João 1:2) e “quem tem o filho tem a vida” (1 João 5:12)? Quando falas assim é como se dissesses que um cidadão italiano não pode dizer ter a cidadania italiana porque isso é orgulho! É como se dissesses que o teu filho é uma pessoa presunçosa porque diz aos seus amigos que tu lhe ofereceste a bicicleta de presente. Mas cai em ti mesmo: ‘Que presunção pode ter alguém em dizer ter recebido de Deus o DOM da vida eterna? Mas se ela é um dom é presunção dizer tê-lo recebido? Ou porventura dizer tê-lo pedido e tê-lo recebido? É presunção gloriar-se de ter recebido este maravilhoso dom de um Deus maravilhoso pronto a perdoar?’ Sei que vos foi dito: ‘ Presumir se salvar sem mérito é soberba que ofende a justiça de Deus e, quase, se escarnece dela, como se Ele nos deva o Paraíso, ou nos deva premiar pelo bem que não quisemos fazer’. Mas também isto é falso, porque demonstrei amplamente que a vida eterna é o dom de Deus. Na realidade os soberbos não somos nós que dizemos que estamos certos de ter a vida eterna pela graça de Deus porque havemos crido e cremos, mas são todos aqueles que dizem que se será levado salvo para o reino celestial fazendo boas obras.

Nós crentes como pela graça de Deus temos a vida eterna morando em nós, estamos certos de que quando morrermos, na condição naturalmente de conservarmos a fé até esse dia, iremos para o céu habitar com Jesus porque Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá”, e também: “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo” (João 12:26). E “como temos o mesmo espírito de fé que está nessa palavra da Escritura: Cri, por isso falei; também nós cremos, e por isso também falamos” (2 Cor. 4:13 Riveduta), dizendo como os apóstolos: “Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, e habitar com o Senhor” (2 Cor. 5:8). Sim, temos a tal respeito em nós o mesmo sentimento que estava em Paulo o qual tinha o desejo de partir e estar com Cristo, porque estar com Cristo no céu é coisa muito melhor, de longe, do que ficar na terra. Tudo isto porém para os padres é descarada presunção ; porque segundo eles, antes de ir para o paraíso todos aqueles que morrem na graça têm de ir para o purgatório expiar a pena dos seus pecados! E ai de quem não aceita esta sua doutrina porque o concílio de Trento disse: ‘Se alguém disser que, depois de ter recebido a graça da justificação, a todo pecador penitente, é perdoada a culpa e cancelada a dívida da pena eterna de tal modo que não lhe fica alguma dívida de pena temporal a pagar, seja neste mundo ou no futuro, no purgatório, antes que lhe possam ser abertas as portas para o reino dos céus: seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VI, can. 30). Mas não é de modo nenhum assim como dizem eles, porque a Escritura ensina que quando Deus perdoa os pecados a um homem lhe perdoa, por consequência, também a pena eterna . O exemplo do ladrão arrependendo-se sobre a cruz no momento da morte dele é um exemplo, porque Jesus lhe perdoou todos os seus pecados com as relativas dívidas de pena eterna, com efeito, lhe disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43) . Jesus não lhe disse que primeiro tinha que ir estacionar no purgatório algum tempo para se purgar de uma parte da pena eterna dos seus pecados e depois poderia ir para o paraíso, mas disse-lhe que naquele mesmo dia ele iria para o paraíso! Reflecti; mas não é absurdo crer que Deus perdoa todas as dívidas ao homem que se arrepende e depois, quando morre, o manda para um lugar de tormentos como o purgatório expiar parte delas antes de fazê-lo entrar no reino dos céus? No entanto isto é o que vos fazem crer os padres! Com isto não queremos dizer que nós crentes chegámos à perfeição ou que estamos sem pecado; longe de nós isso, porque nós reconhecemos ser pessoas com defeitos que temos necessidade de ser aperfeiçoados e de nos aperfeiçoarmos, e que por vezes fazemos o que odiamos e necessitamos por isso de confessar as nossas ofensas ao Senhor para obter a remissão delas. Mas apenas queremos dizer que em virtude da misericórdia de Deus pela qual Ele nos fez renascer e tornar filhos de Deus e nos deu a vida eterna, estamos seguros de ter sido plenamente perdoados pelo Senhor, de ter recebido a purgação de todos os nossos pecados e por isso se morrermos com Jesus com ele iremos viver no céu logo depois de morrer. A chamem também presunção esta nossa confiança os padres; continuem os concílios a lançar os seus anátemas contra quem, segundo eles, ostentar esta certeza de remissão dos pecados e da vida eterna; nós continuaremos a gloriar-nos no Senhor por ter obtido a purgação dos nossos pecados com o sangue de Jesus, continuaremos a glorificar o seu nome por isso, e continuaremos a pregar aos homens que em Cristo há a certeza de remissão dos pecados, que nele há a certeza de ter a vida eterna; mas na teologia dos padres há ambiguidade, falsidade, incerteza; coisas que geram nas pessoas que a aceitam nada mais que dúvidas, angústias e incertezas. Ó homens e mulheres que jazeis no medo da morte e não sabeis para onde estais indo (ou melhor sabeis que ireis para um purgatório que porém não existe) porque tendes dado ouvidos aos falsos ensinamentos dos padres, vos suplicamos em nome de Cristo a vos arrependerdes e a crerdes em Cristo para obterdes a remissão dos pecados e a vida eterna! Cuidai bem para não recusardes o dom de Deus porque neste caso o que vos esperaria quando morrerdes é o fogo ardente do inferno, onde padecereis tormentos indizíveis e onde será demasiado tarde vos arrependerdes e crerdes no Filho de Deus. Hoje é o dia da salvação, hoje é o tempo aceitável; amanhã poderia ser demasiado tarde. Não adies a tua decisão por Cristo. Sabes porventura o dia da tua morte? Não, por isso agora humilha-te diante de Deus, confessa-lhe os teus pecados, e crê no seu Filho Jesus Cristo; e logo, no instante, serás perdoado, reconciliado com Deus e obterás o dom da vida eterna e quando morreres estarás seguro de ir para o paraíso com Jesus Cristo o teu Salvador e lá encontrarás os santos do passado (os verdadeiros) e os do presente e juntos louvaremos e glorificaremos Deus e o seu Filho. Uma vez experimentado o perdão de Deus na tua vida e de estares certo de ter a vida eterna, dado que o Espírito santo estará em ti a testificar-te que és um filho de Deus lavado com o precioso sangue de Jesus, deves fazer-te batizar na água por imersão porque Jesus antes de ascender ao céu ordenou batizar aqueles que crêem n`Ele, com efeito, disse: “Portanto ide, ensinai de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). O batismo é necessário a fim de ter uma boa consciência diante de Deus porque o apóstolo Pedro diz que ele é “a indagação de uma boa consciência para com Deus ” (1 Pedro 3:21). Pelo batismo se testemunha ao diabo e aos seus ministros (como também às pessoas do mundo que estão presentes ou que ouçam dele) de ter passado a ser discípulo de Cristo Jesus, de não querer viver mais para si mesmo mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós, e por isso de ter renunciado a si mesmo e aos prazeres do pecado que oferece o diabo através deste mundo mau. Deves de facto saber que quando se é perdoado por Deus se é arrancado deste presente século mau que jaz no maligno e transportado para o reino do Filho de Deus; que antes de ser perdoado se serve o pecado mas depois se começa a servir a justiça. O batismo é pois um acto com o qual se declara estar morto para o pecado e para o mundo. Deixa pois a paróquia que frequentas e procura logo uma comunidade de crentes em Cristo Jesus e pede ao pastor ou aos anciãos desta comunidade para batizar-te (cfr. Actos 8:36,38). E permanece com os membros desta comunidade porque foram também eles perdoados e têm a vida eterna. São irmãos e irmãs em Cristo Jesus que deves amar por obras e em verdade (cfr. 1 João 3:16-18) porque assim Cristo mandou (cfr. João 15:17), e com quem deves andar junto à espera da volta do Senhor do céu. Frequenta assiduamente as reuniões, procura os irmãos também quando não há reuniões oficiais e está com eles para falar das coisas relativas a Jesus e ao seu reino, para orar, para cantar, para realizar toda a boa obra para a glória de Deus (cfr. Actos 2:41-47). Desta maneira te fortificarás e crescerás espiritualmente. Naturalmente a tua passagem da morte para a vida será notada pelos teus pais, ou pela tua mulher ou pelo teu marido, ou pelos teus filhos, e por todo aquele que te conhece. Que deves fazer em relação a eles? Explicar-lhes o que te aconteceu, isto é, como o Senhor teve piedade de ti perdoando-te os teus pecados e doando-te a vida eterna (cfr. Lucas 8:39) e isto para ganhá-los para Cristo. Não te envergonhes de testemunhar da obra que Deus fez em ti como Cristo não se envergonhou de morrer por ti na cruz (cfr. Marcos 8:38). É importante pois que tu sejas um exemplo para eles no falar, no amor, na pureza, na conduta, a fim de lhes fazer ver a luz do Senhor (cfr. Mateus 5:14-16) e naturalmente ainda para ganhá-los para Cristo. Isto significa que te deves abster de qualquer concupiscência carnal e mundana à qual antes de nasceres de novo eras dado; como também de práticas idolátricas e supersticiosas como a veneração das imagens e das estátuas, a recitação do rosário, as procissões, a adoração da hóstia, etc. Uma última coisa, mas por isso não menos importante, lembra-te que Jesus Cristo, o justo, que não cometeu algum pecado e que procurou só o bem das pessoas foi odiado pelo mundo, pelo que não te admires se os do mundo te odiarem e perseguirem uma vez que passarás da morte para a vida (cfr. João 15:18-25; 1 João 3:13-14). Suporta também tu os sofrimentos como Cristo suportou os seus, e alegra-te de ser julgado digno de sofrer pelo seu santo nome que é bendito eternamente (cfr. Mateus 5:11-12; Actos 5:40-41). Está firme na fé até à morte e obterás a coroa da vida.

 

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