Pages Menu
Facebook
Categories Menu

Posted | 0 comments

O propósito de Deus segundo a eleição

Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer

 

O apóstulo Paulo diz aos Romanos: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” (Rom. 8:29-30).

Ora, segundo o apóstolo só aqueles que Deus dantes conheceu (preconheceu) foram predestinados a obter a justificação. Mas o que significa Deus ter dantes conhecido e predestinado alguns para serem justificados? Porventura significa simplesmente que Deus sabia que estes se arrependeriam e creriam em Cristo e seriam assim justificados? Mas se assim fosse que sentido teria falar de predestinação a respeito deles? Porventura não é verdade que o verbo predestinar, como diz por si mesmo, significa “estabelecer em precedência”? Façamos um exemplo. Se eu decido comprar um certo terreno com o objectivo de destinar uma parte precisa dele, por exemplo um décimo, à construção de uma casa; e uma outra parte, os nove décimos, ao cultivo de citrinos, não decidi porventura o destino daquele terreno antecipadamente? E quando depois de tê-lo comprado ponho em prática o meu propósito porventura não se pode dizer que aquele terreno tinha sido por mim predestinado a ser usado daquela maneira? Com certeza que se pode dizer. Então se Deus nos predestinou a ser justificados significa que dentre todos os homens por ele criados sobre a terra ele, ainda antes que nós o conhecessemos, isto é, ainda antes que cressemos, tinha decretado induzir-nos a crer no seu Filho Jesus Cristo. Forçou-nos e nos venceu, nos persuadiu e nós nos deixámos persuadir; sem saber absolutamente nada do seu decreto divino para nós. Mas porventura tu dirás: Mas fui eu que me arrependi e cri em Jesus, a escolha foi minha, não de Deus! Quereria então perguntar-te: Quem te deu o arrependimento? Porventura não foi Deus conforme está escrito: “Na verdade até aos Gentios deu Deus o arrependimento para a vida”? (Actos 11:18). E quem te deu a fé? Porventura não foi Deus porque Paulo a chama “dom de Deus” (Ef. 2:8) e diz que isso não vem de nós? Que tens pois que não o tenhas recebido de Deus? Nada, então se te arrependeste e crestes foi porque Deus quis dar-te o arrependimento e a fé. Ele te tinha ordenado à vida eterna, por isso tu crestes; da mesma maneira que os crentes de Antioquia da Pisídia conforme está escrito: “E creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (Actos 13:48). Mas porventura agora dirás: Mas fui eu que quis ir a Jesus! Fostes a Jesus porque quiseste ir a Jesus, é verdade isso; mas é também verdade que foste a Jesus porque Deus quis levar-te a Cristo sem que tu soubesses nada. Nunca lestes estas palavras de Jesus: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6:44), e: “Ninguem pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido” (João 6:65)? Nota bem como por duas vezes Jesus disse “se não”. Então te repito que tu jamais terias podido ir a Jesus SE NÃO te tivesse sido concedido pelo Pai de ir a Cristo.

Me dirás a este ponto: mas então também quem não se arrepende e não crê em Jesus, vai em perdição no seguimento de um decreto de Deus? Sim, assim mesmo. Tu então me dirás: mas isso é uma injustiça, tu fazes passar Deus por um Deus injusto, sem piedade, que se dispõe a jogar com as suas criaturas! Ouve o que diz a Escritura e verás que não é assim como tu dizes. O apóstolo Paulo para explicar porque é que só um resíduo do povo de Israel aceitou a salvação enquanto a maior parte dos Judeus a rejeitaram, fala do nascimento de Esaú e Jacó. Ele diz que “não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela [a Rebeca]: O maior servirá o menor, como está escrito: Amei Jacó, e aborreci Esaú” (Rom. 9:11-13). O exemplo tomado por Paulo mostra que Deus escolheu Jacó e rejeitou Esaú ainda antes que nascessem e fizessem algum bem ou mal. O seu destino estava já marcado por Deus antes de nascerem. Depois que nasceram naturalmente as coisas correram como Deus tinha predito; porque o maior tornou-se servidor do menor. Mas porque é que as coisas correram daquela maneira? Simplesmente porque Esaú vendeu a sua primogenitura a Jacó, e este último com o engano se apropriou da benção que pertencia a Esaú? Ou as coisas correram daquela maneira porque Esaú e Jacó decidiram agir daquela maneira (comportamento errado de ambas as partes) e chega? Sim os dois irmãos se comportaram daquela maneira, mas por detrás de tudo isso havia a mão de Deus que dirigia todas as coisas para que as palavras ditas a Rebeca se cumprissem. Foi injusto Deus a agir daquela maneira em relação a Esaú e Jacó? De maneira nenhuma; porventura não é verdade que ele faz tudo o que quer no céu, na terra, e em todos os abismos (cfr. Sal. 135:6), e que é irrepreensível quando exprime um juizo de qualquer género que ele seja? (cfr. Sal. 51:4). O apóstolo Paulo prevendo que alguem seria levado a dizer que Deus é injusto defende o operar de Deus dizendo: “Que diremos pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo pois tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer” (Rom. 9:14-18). As palavras do apóstolo são claras, muito claras; e seguramente esta grande clareza perturba não poucos. Note-se que Paulo toma o exemplo de Faraó para testificar que Deus endurece quem quer. Endurece quem quer? Sim assim mesmo, Deus endurece quem quer. Mas o exemplo de Faraó não é o único exemplo de endurecimento produzido por Deus que encontramos escrito na Escritura. No tempo de Jesus quase todos os Judeus foram endurecidos por Deus para que não cressem em Jesus. Eis o que diz João: “E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, pelo que Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure” (João 12:37-40). Porque não creram aqueles Judeus em Jesus? Porque não podiam crer. O motivo é claro, porque Deus endureceu os seus corações e cegou os seus olhos. Em outras palavras, porque não lhes foi concedido de crer em Jesus, de ir a Jesus. Se deviam cumprir as palavras do profeta Isaías e portanto não podiam crer. E de quem eram as palavras do profeta? De Deus. Então Deus tinha decidido de não fazer crer a maior parte dos Judeus. Jesus sabia isto, de facto é por isto que ele falava à multidão em parábolas. Ele um dia disse aos seus discípulos que lhe perguntaram porque é que falava às multidões em parábolas: “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado” (Mat. 13:11). Apesar disso porém, Jesus chorou sobre Jerusalém porque o tinha rejeitado e disse que eles não tinham querido converter-se. Eis as suas palavras: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mat 23:37). Não quiseste, disse Jesus. Não entanto ele sabia que não quiseram porque Deus tinha endurecido os seus corações e cegado os seus olhos. Isto demonstra que a vontade que o homem emprega em rejeitar o Evangelho lhe é imputada mesmo se a sua rejeição entra no querer de Deus.

Esta rejeição por parte dos Judeus foi necessária para que Cristo morresse pelos nossos pecados, isto é, o facto dos Judeus perseguirem Jesus e o pregarem por meio dos Gentios na cruz foi uma coisa que Deus tinha antes determinado que acontecesse para o nosso bem. Pedro de facto disse aos Judeus: “Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como de vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado concelho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela” (Actos 2:22-24). Notem-se muito bem as palavras “pelo determinado concelho e presciência de Deus”. Evidentemente os Judeus não sabiam que assim agindo cumpririam as palavras dos profetas porque Cristo seria morto pelos injustos, no entanto Deus se usou da sua maldade, da sua incredulidade para fazer que Jesus morresse pelos nossos pecados. Não é necessário pois reconhecer que Deus é sábio, e se usa de pessoas endurecidas por ele mesmo para cumprir os seus desígnios? Sim, assim mesmo. E não é também necessário reconhecer que Deus endurecendo os corações dos homens tira glória para o seu nome? Sim, de facto seja no caso de Faraó, citado antes, seja no caso dos Judeus que crucificaram Jesus, Deus tirou suma glória. Faraó de facto foi primeiro por ele humilhado grandemente com sinais e prodígios de todo o género, e depois feito submergir nas águas do Mar vermelho junto com o seu exército; ao que os Israelitas se puseram a exaltar Deus pela sua grandeza (cfr. Ex. 15:1-19). Jesus foi por Deus ressuscitado ao terceiro dia para o gozo dos seus discípulos e de todos aqueles que no curso dos séculos creriam nele, ressurreição da qual Deus tirou sumo louvor na altura (cfr. Lucas 24:53) e dela continua a tirar agora.

Depois de ter dito que Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer, Paulo diz: “Dir-me-ás então: Porque se queixa ele ainda? Porquanto, quem resiste à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para a glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Rom. 9:19-24). Mais uma vez as palavras de Paulo são claras. Deus é soberano e decretou tirar da massa dos homens alguns para a glória e outros para a perdição. Quem somos nós para lhe poder replicar?

Que dizer então da vontade do homem se todos os seus caminhos dependem de Deus e o seu destino foi já marcado por Deus? Diremos que ela, com o desconhecimento do homem que vive ainda debaixo do poder das trevas, é moldada por Deus e dirigida na direcção por ele decretada, pelo que quem ele predestinou a ser justificado será conduzido por Deus (no tempo por ele fixado) a crer em Jesus Cristo através de uma infinita série de circunstâncias, enquanto quem foi preparado para a perdição não será por ele conduzido a crer.

E que dizer então depois de ter crido? Diremos isto. Quem creu deve procurar fazer firme a sua vocação e eleição perseverando na fé e sendo zeloso nas boas obras, porque esta é a vontade de Deus. Mas há a possibilidade que ele perca a justificação obtida? A resposta é sim, e a Escritura isto o ensina. Isto acontecerá no caso de ele voltar para trás (recuar) cometendo o pecado que é para a morte que consiste no abandono e na negação do Senhor. Isto o testificou Deus quando disse a Moisés: “Aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro” (Ex. 32:33). Também o escritor aos Hebreus testifica isso nestes termos: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a benção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Heb. 6:4-8); e também: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há-de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do concerto com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça?” (Heb. 10:26-29).

Como se pode pois conciliar a doutrina da predestinação com a doutrina que diz que alguém que creu pode também perder a salvação? Certamente se pode conciliar, mesmo se aparentemente parece o contrário. Com efeito parece que estas doutrinas se anulam uma à outra, que são contraditórias, mas na realidade sabemos que não é assim.

 

Algumas palavras em defesa da predestinação

 

Fica-se verdadeiramente maravilhado em constatar que uma doutrina tão amplamente confirmada nas Sagradas Escrituras seja assim tão descurada no seio das Igrejas. É muito mais fácil ouvir pastores pregar sobre certas coisas não nos reveladas, que ouvir pastores pregar sobre o propósito de Deus, segundo a eleição, que nos foi revelado. Porquê? As razões são as mais variadas.

Certamente uma delas é a ignorância por parte destes pastores, isto é, a sua falta de conhecimento das Escrituras coisa que infelizmente se deve constatar também sobre muitas outras doutrinas bíblicas.

Uma outra razão é porque o termo PREDESTINAÇÃO faz logo pensar na doutrina ‘uma vez salvo, salvo para sempre’ pelo que é melhor não falar mesmo de predestinação para que os crentes não se iludam que mesmo se se comportarem como querem serão no fim salvos igualmente. Mas isso não é correcto porque o apóstolo Paulo que da predestinação falou bastante alertou os crentes de várias maneiras para não se acomodarem no facto de terem sido predestinados a crer de facto foi ele mesmo que aos santos de Roma ao falar do corte dos ramos naturais (os Judeus desobedientes) e do enxerto dos ramos selvagens (os Gentios que creram) disse: “Está bem: pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que te não poupe a ti também. Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que cairam, severidade; mas para contigo, benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado.” (Rom. 11:20-22). Então se Paulo ensinou aos santos de Roma a predestinação e ao mesmo tempo os alertou para o não querer perseverar na benignidade de Deus, não se percebe mesmo porque é que aqueles que estão postos para apascentar o rebanho do Senhor não devem fazer o mesmo. Porquê desprezar uma parte tão importante e fundamental do conselho de Deus por um medo inexistente? Eu estou plenamente convencido que se a doutrina da predestinação é ensinada correctamente, não há o minimo perigo de os crentes se iludirem. É suficiente fazer presente aos crentes que existe um pecado para morte do qual não nos podemos arrepender e que leva em perdição eterna o crente que o cometa, para fazer afastar da mente do crente que ouve que foi predestinado qualquer pensamento ilusório.

Mas há uma outra razão pela qual a predestinação não é ensinada nas igrejas; é porque infelizmente no coração de muitos existe ainda aquele bocadinho de orgulho que os impede de reconhecer que se foram salvos foi INTEIRAMENTE em virtude do propósito de Deus segundo a eleição, ou seja, porque Deus decidiu fazê-los crer, em outras palavras porque foram ordenados para a vida eterna. Isto significa que tudo o que eles agora possuem o receberam de Deus e não é algo que vem deles, do arrependimento que os levou a humilharem-se diante de Deus, à fé com que obtiveram o perdão e a vida eterna, tudo lhes foi dado por Deus. Eis porque Paulo pergunta os santos de Corinto: “Que tens tu que não tenhas recebido?” (1 Cor. 4:7), porque ele sabia que os santos não tinham nada que não tivessem recebido de Deus. Estes crentes porém põem muito, direi demasiado ênfase, no facto de que foram eles que quiseram arrepender-se, que quiserem crer, etc. Para eles é duro aceitar que a sua vontade foi simplesmente moldada pela do Omnipotente com o seu desconhecimento. Para eles é inaceitável que eles puderam ir a Jesus só porque lhes foi concedido pelo Pai! Eis porque tapam os ouvidos, ou preferem não ouvir quem fala de predestinação. Isto é loucura, porque significa não reconhecer plenamente a soberania de Deus no universo, não se quer reconhecer a veracidade de Deus. Mas sobretudo porque se tira a Deus uma parte da glória, porque a se toma para si. Se de facto eu digo que cri porque quis crer e não porque Deus quis que eu cresse, eu não glorifico Deus por me ter dado a fé. Mas então porque o devo glorificar? Simplesmente porque eu depois de ter escolhido Cristo fui salvo por Cristo? Em outras palavras para ir a Cristo pensei eu, mas na salvação da minha alma pensou Cristo. Dito ainda em outras palavras, a fé para crer em Cristo foi a minha, a que invés me permite perseverar foi-me dada por Deus. É como dizer em suma, olha que para a minha salvação não fez tudo o Senhor! O orgulho é duro de morrer nestes. Sabei porém vós orgulhosos que este vosso orgulho humilha-vos a vós e não a Deus, mesmo se aparentemente é Deus a ser humilhado. Mas dizei-me: que dificuldade encontrais em reconhecer que o arrependimento e a fé vos foi dado por Deus em virtude do seu propósito? Mas porque é que admitis com muita facilidade que não nascestes da primeira vez pela vossa vontade mas pela dos vossos pais, ou melhor, porque o quis Deus, e depois quando se fala do novo nascimento vós começais a dizer que sois vós a ter querido nascer de novo? Mas se se é nascido de Deus, não significa porventura isso que nascemos de novo pela vontade de Deus e portanto por um seu decreto? Porventura não está escrito que ele nos gerou SEGUNDO a sua vontade (cfr. Tiago 1:18)? Porventura não está escrito que nós não nascemos da vontade do homem e nem da vontade da carne mas de Deus (cfr. João 1:12-13)? Humilhai-vos pois diante de Deus, e dai-lhe a glória, toda a glória que ele merece receber também de vós.

Por fim há uma outra razão, ou seja, que esta doutrina – no dizer destes – faz parecer Deus injusto porque enquanto teria decidido antes dos séculos salvar alguns teria também decidido mandar em perdição ou deixar ir em perdição todos os outros. Mas eu quereria perguntar a estes: Injusto por qual motivo? Por deixar ir em perdição pessoas que em virtude do facto de estarem debaixo da condenação merecem ir em perdição por causa da sua rebelião a Deus? É esta uma injustiça? Deus seria injusto se desse a salvação a alguns pelas suas obras enquanto a outros só pela sua fé, neste caso sim seria injusto. Mas no facto de ele decidir de fazer graça a quem Ele quer não me parece mesmo que seja uma injustiça. Não é livre o Possuidor dos céus e da terra de fazer daquilo que possui o que lhe bem parece e agrada? Não, Deus não é injusto em fazer graça a quem quer e em endurecer quem quer. Mas dizei-me: ‘Mas então vós pensais que também o anticristo porventura poderá arrepender-se e crer em Jesus Cristo?’ Se sim, devereis me explicar o que significa que “irá à perdição” (Ap. 17:8) e que Jesus o destruirá com o sopro da sua boca e o lançará no lago ardente de fogo e enxofre. Como pode ter a possibilidade de arrepender-se e crer se foi predestinado a ser destruido e ir à perdição? Vós porventura direis a este ponto: ‘Mas aquele é um caso especial!’ Admito e não concedo que seja assim como dizeis vós, mas é também ainda um endurecimento produzido por Deus em um ser humano como nós. Porque pois é que alguma vez Deus o faria nascer para fazê-lo ir em perdição? Porque é que não haverá nenhuma possibilidade para este ser humano de ser salvo? Se então admitis que o homem do pecado irá à perdição porque não quereis admitir que muitos outros (que só Deus sabe) irão à perdição? Se Deus pode fazê-lo com um, o que o impede de fazê-lo com um milhar ou dezenas de milhar de pessoas? O que mudaria depois entre um e um milhar? Ainda um decreto de Deus permaneceria. Portanto se vós dizeis que Deus é injusto em endurecer quem ele quer, então é injusto em endurecer também o anticristo? Ouvi, é mesmo como diz a Escritura, ou seja, que Deus endurece quem quer e isto o faz para manifestar os seus desígnios inescrutáveis que nós que somos pó e cinza agora não conseguimos compreender em pleno. Mas virá o dia em que todos os desígnios de Deus serão evidentes, as motivações de todas as suas decisões também, e então todos terão que reconhecer que também todos aqueles seus incompreensíveis e aparentemente `injustos` endurecimentos tinham um objectivo bem preciso, o de glorificar o seu santo nome. Eu sei isto, que se Deus endurecendo os Hebreus do tempo de Jesus contra o próprio Jesus forneceu ao mundo a salvação de que nós hoje gozamos os frutos, por certo todos os seus outros endurecimentos mesmo se agora não os compreendemos de certo um dia teremos que reconhecer que foi feito para o nosso bem e não para o nosso mal.

Disse até agora porque é que alguns não ensinam a predestinação. Quero porém também dizer porque é que nós a ensinamos. A razão é porque é uma doutrina bíblica e por isso sã no sentido que faz bem aos que a aceitam. O bem que os irmãos recebem dela é que vêem na maneira em que Deus os conduziu a Cristo uma manifestação admirável do seu poder, da sua sabedoria, e sobretudo do seu incondicional amor por eles. Eles podem assim reconhecer que Deus os amou ainda quando jaziam nas trevas e fez que num particular momento da sua existência o conhecessem através de Cristo. É Ele pois que quis dar-se a conhecer a eles, sem que eles soubessem nada ou da sua existência ou do facto de Deus querer dar-se a conhecer a eles. Examinando depois a sua vida passada ao serviço da iniquidade e da vaidade reconhecerão como Deus de uma maneira incompreensível guiou os seus passos mesmo quando serviam o pecado com todas as suas forças, de maneira tal a levá-los, no lugar e no tempo por ele fixado, a aceitar Cristo. Cada um tem a sua história, e sabe como se não tivesse sido por inumeráveis circunstâncias criadas e encadeadas entre elas pelo nosso grande Deus nós hoje não seriamos crentes mas ainda incrédulos e talvez até estivessemos no inferno. O clamor que sai do coração de quem reconhece que Deus o amou e o guiou e preservou da morte mesmo quando era um pecador é portanto sim ‘Deus é amor!’, mas também ‘Deus reina, e dele depende quem erra e quem faz errar’. Reconhecendo pois a sua eleição, o crente fará de tudo por confirmar a sua vocação celestial, e se santificará no temor de Deus para honrar aquele que quis chamá-lo à glória. Uma tão excelente vocação deve ser honrada de todas as maneiras, a custo de morrer. E depois, o crente também nos momentos mais difíceis da sua vida, ao saber que Deus o elegeu antes da fundação do mundo se sentirá elevado e grandemente consolado, porque saberá que aquele que não o abandonou quando ainda estava perdido não o abandonará tampouco agora porque ele é do Senhor pela eternidade. É pois manifesto que a doutrina da predestinação é uma doutrina edificante porque edifica a igreja; as doutrinas não edificantes são outras. Porventura porém alguém dirá que a doutrina da predestinação é “pouco edificante”, pelo que queria perguntar a este: “Como pode uma doutrina “pouco edificante” edificar assim tanto os irmãos?”

 

Fonte

 

Post a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Read more:
silas-malafaia-mensalão-190x220
Silas Malafaia apoia um Maçom

Nestes videos vocês ...

perguntas_frequentes
Os bebés devem ser batizados?

Não, porque o batism...

Close