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O mistério de Deus que foi manifestado aos santos

Jesus Cristo: pedra angular eleita e preciosa para os crentes, mas pedra de tropeço para os incrédulos

 

Deus, por meio do profeta Isaías tinha dito: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido” (1 Pedro 2:6; Is. 28:16). Cristo Jesus é “a pedra angular sobre a qual todo o edíficio, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef. 2:20,21) e este edíficio espíritual que foi edificado sobre Cristo Jesus (pedra eleita e preciosa para todos os que creram nele) é a Igreja de Deus, “coluna e base da verdade” (1 Tim. 3:15).

Deus tinha anunciado que todo aquele que nele cresse (no sólido fundamento de Deus) não seria envergonhado (ou confundido), mas tinha também anunciado que a pedra eleita (o seu Ungido) seria rejeitada pelos edificadores e que ela seria para os incrédulos uma pedra de tropeço, de facto Deus disse: “A pedra que os edificadores reprovaram essa foi a pedra angular, e uma pedra de tropeço e rocha de escândalo” (1 Pedro 2:7,8). Também o profeta Isaías a tal propósito disse que o Ungido de Deus seria uma pedra de tropeço para Israel e que muitos em Israel tropeçariam nela e o disse nestes termos: “Então ele vos será santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e de rocha de escândalo, às duas casas de Israel; de laço e rede aos moradores de Jerusalém. E muitos dentre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos” (Is. 8:14,15). Aquele homem de nome Simeão, temente a Deus e que esperava a consolação d`Israel, quando tomou nos seus braços o menino Jesus, disse a Maria mãe de Jesus: “Eis que é posto para queda e elevação de muitos em Israel…” (Lucas 2:34), e de facto isto foi aquilo que aconteceu, porque muitos em Israel desobedecendo ao Evangelho tropeçaram na Palavra. O apóstolo Pedro, destes diz: “Para o que também foram destinados” (1 Pedro 2:8), porque a sua queda faz parte do desígnio que Deus tinha formado em si mesmo antes da fundação do mundo e que Ele, na plenitude dos tempos, enviou e efectuou no Senhor Jesus para que a salvação viesse a nós Gentios de nascença.

 

Pela queda de Israel veio a salvação a nós Gentios

 

O apóstolo Paulo disse: “Pela sua queda veio a salvação aos gentios” (Rom. 11:11), portanto foi por causa de Cristo Jesus ter sido rejeitado por Israel que a salvação de Deus que está em Cristo Jesus chegou a todos os povos e a todas as nações e tudo isso para que as Escrituras proféticas se cumprissem, de facto Deus tinha dito que faria do seu Ungido a luz dos povos e o instrumento da sua salvação até às extremidades da terra.

Os antigos profetas predisseram pelo Espírito que a salvação de Deus e a justiça de Deus seria revelada e estendida a todas as nações; vejamos agora de que maneira o disseram e como o que eles disseram se cumpriu.

Deus, através de Isaías, disse do seu Santo Servo: “Juízo produzirá entre os gentios” (Is. 42:1) e isto se cumpriu porque Cristo pregou aos homens a justiça de Deus baseada sobre a fé; ele disse: “Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação…” (João 5:24), (não entrará em condenação porque entrará envolto no manto da justiça de Deus) e estas palavras são dirigidas a todos, Judeus e Gentios.

Que também nós, Gentios de nascença, seriamos justificados pela fé, tinha sido dito por Deus a Abraão desta maneira: “Em tua semente serão benditas todas as nações da terra” (Gen. 22:18) e na verdade nós fomos justificados em Cristo Jesus (que é a semente d`Abraão), o qual nos foi feito por Deus justiça, conforme o que tinha sido dito dele por Jeremias: “Este será o seu nome, com que o nomearão: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jer. 23:6). Paulo disse aos Judeus em Antioquia da Pisídia: “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê” (Actos 13:39), estas palavras são fiéis porque “o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rom. 10:4), de facto, todo aquele que crê em Jesus Cristo recebe a remissão dos seus pecados e é justificado, porque Ele nos foi feito por Deus “justiça”. Deus tinha dito: “A minha justiça está prestes a manifestar-se” (Is. 56:1) e manteve a sua palavra porque Ele, na plenitude dos tempos a manifestou e se cumpriu assim a Escritura que diz: “Manifestou a sua justiça, perante os olhos das nações” (Sal. 98:2).

Também a respeito da sua salvação Deus tinha prometido de fazê-la conhecer e de estendê-la a todos os homens; Ele tinha dito: “A minha salvação está prestes a vir” (Is. 56:1) e também: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra. Porque eu sou Deus …. e fora de mim não há salvador” (Is. 45:22; 43:11). Nós sabemos que Deus manifestou a sua salvação porque Cristo nos foi feito por Deus “redenção” e que esta salvação é oferecida a todos os homens, Judeus e Gentios, porque está escrito: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rom. 10:13; Joel 2:32). Jesus Cristo é o Senhor que diz ainda: ‘Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra porque eu sou Deus e fora de mim não há salvador’. Nós gentios fomos salvos por uma salvação eterna, por aquela salvação de que falaram antigamente os profetas e que na plenitude dos tempos foi anunciada primeiro por Jesus Cristo que disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á..” (João 10:9), e depois pelos apóstolos, os quais anunciaram esta tão grande salvação tanto aos Judeus como aos Gentios.

Deus disse do seu Servo: “Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também te dei para a luz dos gentios..” (Is. 49:6), e isso aconteceu porque Ele fez de Jesus a luz do mundo.

Deus tinha dito que haveria de pôr o seu justo como luz das nações, e esta luz seria levantada sobre aqueles que andavam nas trevas iluminando-os e isto se cumpriu porque nós Gentios em Cristo fomos inundados de luz por Cristo de tal maneira que podemos dizer agora ao Senhor: ‘Pela tua luz nós vemos a luz’. Nós que em tempos andavamos nas trevas sem saber onde iamos, agora, pela graça de Deus tendo sido iluminados por Cristo, andamos na luz e sabemos onde vamos.

Deus disse através de Isaías: “Eis que levantarei a minha mão para as nações, e ante os povos arvorarei a minha bandeira” (Is. 49:22) e disse também que esta bandeira que Ele içaria para nós Gentios, seria a raíz de Jessé, de facto disse: “E acontecerá naquele dia que as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos” (Is. 11:10). Ora, mas quem é esta raiz de Jessé? Ela é Jesus Cristo, conforme está escrito: “[Ele] foi subindo como renovo perante ele, e como raíz duma terra seca” (Is. 53:2) e ainda: “Brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará…” (Is. 11:1), portanto Jesus é a nossa bandeira, a bandeira de todos nós que cremos nele conforme está escrito: “O Senhor é a minha bandeira” (Ex. 17:15) e nós como bons soldados de Cristo Jesus devemos ter no alto a Palavra da vida no meio desta geração corrupta e perversa porque está escrito: “Deste um estandarte aos que te temem, para arvorarem no alto” (Sal. 60:4).

Deus disse do seu Ungido: “Eis que eu o dei como testemunha aos povos” (Is. 55:4); Jesus é a fiel testemunha dada às nações porque ele deu testemunho daquilo que tinha visto e ouvido junto de seu Pai, e este seu fiel testemunho foi conhecido dos povos. João o Batista, disse de Cristo: “E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro” (João 3:32,33). Irmãos, recordai-vos que Jesus disse: “Eu falo do que vi junto de meu Pai” (João 8:38) e: “Portanto, o que falo, falo-o como o Pai mo tem dito” (João 12:50) e ainda: “O meu testemunho é verdadeiro” (João 8:14). Nós temos plena confiança no que Cristo disse, porque as suas palavras são as palavras de Deus, que ele fielmente referiu aos homens, sem lhes acrescentar nada e sem lhes tirar nada; e nós dentre os Gentios que recebemos o seu testemunho confirmamos a veracidade de Deus.

Deus disse também através de Isaías: “Eis que eu o dei como príncipe e governador dos povos” (Is. 55:4) e isto se cumpriu porque Deus constituiu Jesus, Príncipe sobre todos nós Gentios; Ele é Aquele que surgiu para nos governar, o nosso governador.

A Escritura diz: “Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para ti, por amor do Senhor teu Deus, e do Santo de Israel; porque ele te glorificou” (Is. 55:5) e também esta escritura se cumpriu, porque nós somos as nações que Cristo chamou à sua eterna glória; nós somos as nações que correram para o Salvador que antes não conheciam e tudo isso se pôde verificar porque Deus glorificou o seu Santo Servo Jesus.

Deus disse do seu Ungido: “Ainda ajuntarei outros (os dispersos) aos que já se lhe ajuntaram” (Is. 56:8) e também esta palavra se cumpriu, de facto nós Gentios somos aqueles “outros” que Deus prometeu que ajuntaria à volta do seu Servo. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio para agregar à sua volta, além das ovelhas perdidas da casa de Israel, também as ovelhas perdidas das outras nações; isto o confirmou ele mesmo quando disse: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor” (João 10:16). À sua volta além do residuo d`Israel, Jesus agregou muitas outras ovelhas que não são daquele aprisco (isto é, que não pertencem a Israel segundo a carne) e elas somos nós todos Gentios que estamos sobre o caminho da salvação. Agora, em Cristo Jesus há um só rebanho, um só povo e não mais dois, porque ele “de ambos os povos fez um” (Ef. 2:14).

Deus tinha dito através de Isaías: “Fui achado pelos que me não buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam” (Rom. 10:20; Is. 65:1) e isto foi o que aconteceu, de facto o Senhor foi achado e claramente conhecido por nós Gentios, sim por nós mesmos que não o buscavamos e que não perguntavamos por ele: Paulo, apóstolo dos Gentios, disse aos santos de Roma: “Os Gentios que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé” (Rom. 9:30) e estas suas palavras confirmam plenamente o que o Senhor tinha dito séculos antes através de Isaías.

Deus tinha dito através de Isaías: “E a sua posteridade será conhecida entre as nações; e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os conhecerão como semente bendita do Senhor” (Is. 61:9). Nós Gentios em Cristo Jesus somos a posteridade que foi conhecida entre as nações e todos aqueles que nos vêem reconhecem que somos uma posteridade bendita do Senhor. Esta descendência bendita do Senhor que está espalhada sobre a face da terra, a gerou Deus; foi ele que a fez vir à existência neste mundo de trevas; os que Deus gerou foram e o são ainda agora chamados Cristãos e nós estamos felizes e nos sentimos honrados de levar este nome. Quando sofremos como Cristãos não nos envergonhámos de modo nenhum de levar este nome, antes glorificamos Deus levando este nome e nos alegramos nos sofrimentos que padecemos por causa do nome de Cristo que sobre nós é invocado.

Deus disse ao Filho: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão” (Sal. 2:8) e isso se cumpriu; nós filhos de Deus dentre os Gentios somos “as nações” que Deus deu por herança ao seu filho porque Jesus diz de nós Gentios que cremos nele: “Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu” (Hebr. 2:13; Is. 8:18) e vós sabei que a Escritura testifica que “os filhos são herança do Senhor” (Sal. 127:3). Nós crentes dentre os Gentios fomos dados como herança e como possessão ao Filho de Deus e se cumpriu a palavra escrita nos salmos, que concerne ao Filho, que diz: “Coube-me uma formosa herança” (Sal. 16:6).

Deus disse através do profeta Oséias: “Chamarei meu povo ao que não era meu povo; e amada à que não era amada. E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; aí serão chamados filhos do Deus vivo” (Rom. 9:25,26; Os. 2:23), esta palavra se cumpriu; nós somos os que não eramos um povo mas agora somos chamados por Deus “o seu povo”, nós somos os que não tinham obtido misericórdia mas agora obtivemos misericórdia e justamente a nós a quem era dito que não eramos o povo de Deus, agora é dito: “Vós sois filhos do Deus vivo” porque em tais fomos feitos no dia em que cremos conforme está escrito: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome…” (João 1:12) e ainda: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus!” (1 João 3:1) e também: “Sois todos filhos de Deus, pela fé em Cristo Jesus” (Gal. 3:26).

Deus disse através do profeta Amós: “Naquele dia tornarei a levantar a tenda de Davi, que caiu, e taparei as suas aberturas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e a edificarei como nos dias da antiguidade; para que possuam o restante de Edom, e todas as nações que sobre as quais é invocado o meu nome, diz o Senhor, que fará estas coisas” (Amós 9:11,12; Actos 15:16-18) e estas palavras se cumpriram, porque nós Gentios, em Cristo Jesus entramos a fazer parte do edíficio que serve de morada a Deus pelo Espírito. Nós Gentios em Cristo somos as nações sobre as quais é invocado o nome de Deus; Jesus Cristo é o nosso grande Deus e é o seu nome que sobre nós foi invocado.

Deus disse através do profeta Miquéias: “Mas nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele os povos. E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas!” (Miq. 4:1,2); nós somos as nações que chegaram ao monte sobre o qual está construida a casa de Deus e a ele subimos; o profeta Joel disse: “No monte de Sião e em Jerusalém haverá livramanto, assim como o Senhor tem dito, e nos restantes, que o Senhor chamar” (Joel 2:32) e de facto sobre o monte de Sião e no meio dos restantes que Deus chamou está a salvação de Deus, Cristo Jesus, e nós chegamos ao monte de Sião e a Jesus conforme está escrito na epístola aos Hebreus: “Mas chegastes ao monte de Sião… e a Jesus, o Mediador duma Nova Aliança…” (Hebr. 12:22,24). Dilectos, no monte de Sião há salvação, há repouso, há paz e alegria em abundância e nós que antes como ovelhas desgarradas vaguiavamos pelos montes da infidelidade, agora pela graça de Deus chegamos ao monte do Senhor.

 

O Evangelho da graça devia ser pregado primeiro aos Judeus e depois aos Gentios

 

Quando o Senhor Jesus enviou os seus doze discípulos a pregar o Reino de Deus, disse-lhes: “Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mat. 10:5,6) e isto o disse porque não era ainda chegado o tempo em que o Evangelho devia ser pregado abertamente aos Gentios; antes de tudo o Evangelho devia ser pregado aos Judeus; as primeiras ovelhas a ser agregadas à volta de Cristo deveriam ser as perdidas da casa de Israel, depois a seguir Deus agregaria à volta dele outras ovelhas que não pertenciam à nação de Israel, ou seja, nós que somos Gentios de nascença. É necessário dizer no entanto, que já durante a vida terrena de Jesus houveram alguns que não fazendo parte da nação Judaica manifestaram a sua fé no Senhor Jesus; entre estes vos recordo o centurião romano que orou a Jesus para curar o seu servo paralítico dizendo-lhe: ‘Diz somente uma palavra e o meu servo será curado’, e da fé deste homem Jesus disse àqueles que o seguiam: “Em verdade vos digo que em ninguém, em Israel, encontrei tanta fé ’; houveram também muitos Samaritanos que creram nele e isto o digo para demonstrar como o Senhor não fez nenhuma acepção de pessoas nos dias da sua carne porque ele mesmo tinha dito: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37). Depois que Jesus ressuscitou dos mortos, antes de subir ao céu, disse aos seus discípulos: “Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lucas 24:46,47) e: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” (Mar. 16:15) e ainda: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mat. 28:19,20); como podeis ver Jesus ordenou pregar o Evangelho a todas as nações e não só à nação de Israel, mas os apóstolos, apesar de terem recebido esta ordem, inicialmente mostraram uma certa resistência em ir pregar aos Gentios, porque como Judeus não queriam ter relações com os estrangeiros; o Senhor viu esta sua resistência e operou de modo a persuadi-los que Ele não tinha olhado à qualidade das pessoas mas era o Salvador de todos os homens, rico em misericórdia para com todos aqueles que o invocam em verdade. Cornélio era um centurião romano, “era piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus” (Actos 10:2); este homem, um dia, enquanto orava foi avisado divinamente por um anjo de Deus para mandar chamar Simão Pedro, que estava albergado em Jope, o qual lhe falaria de coisas pelas quais seria salvo ele, e a sua casa. Cornélio fez como o anjo de Deus lhe tinha mandado. Pedro, no dia seguinte ignorando aquilo que aconteceria dali a pouco “subiu ao terraço para orar, quase à hora sexta. E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos, e viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra. No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: não faças tu comum ao que Deus purificou. E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se ao céu. E estando Pedro duvidando entre si acerca do que seria aquela visão que tinha visto, eis que os varões que foram enviados por Cornélio pararam à porta, perguntando pela casa de Simão. E, chamando, perguntaram se Simão, que tinha por sobrenome Pedro, morava ali. E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três varões te buscam. Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei” (Actos 10:9-20). No dia seguinte Pedro foi com alguns irmãos a Cesareia a casa de Cornélio, o qual o estava esperando com os seus parentes e os seus amigos íntimos, para ouvir o que Simão Pedro tinha para lhes dizer. Quando Pedro chegou e viu todos aqueles Gentios que o esperavam para ouvi-lo falar, disse-lhes: “Vós bem sabeis que não é lícito a um varão judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo” (Actos 10:28). Pedro anunciou-lhes o Evangelho e enquanto lhes falava o Espírito Santo caiu sobre todos aqueles que ouviam a Palavra os quais pouco depois foram batizados na água em nome do Senhor Jesus. Deus mostrou a Pedro que não devia fazer acepção de pessoas porque Ele queria separar também dos Gentios um povo para o seu nome e não só de entre os Judeus de nascença. Depois disto, está escrito que “ouviram os apóstolos, e os irmãos que estavam na Judéia, que também os gentios tinham recebido a palavra de Deus. E, subindo Pedro a Jerusalém, disputavam com ele os que eram da circuncisão, dizendo: Entraste em casa de varões incircuncisos, e comeste com eles” (Actos 11:1-3). Pedro então começou a contar como tinham acontecido as coisas, e aqueles da circuncisão, depois de tê-las ouvido “apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida” (Actos 11:18). Sim, Deus deu o arrependimento também a nós Gentios, de facto o Evangelho da nossa salvação chegou até nós; assim, Deus depois de ter glorificado o seu Filho Jesus, abriu a porta da fé aos Gentios e esta porta permaneceu aberta até hoje, ninguém a pôde fechar, e ninguém a poderá fechar porque se deve cumprir a palavra que disse Jesus: “E este Evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes…” (Mat. 24:14).

Nós Gentios em Cristo fomos feitos participantes da raíz e da seiva da oliveira; mas não nos ensoberbeçamos contra os ramos naturais que foram cortados

A Escritura ensina que Deus mostrou a sua grande misericórdia por nós Gentios desde os dias dos apóstolos, e que Deus escolheu Saulo de Tarso para levar o Evangelho aos Gentios; dilectos, esta tão grande salvação nos foi enviada por Deus o qual nos abriu o entendimento para entender a Palavra da sua graça e se cumpriu a Palavra que diz: “Aqueles que não ouviram o entenderão” (Rom. 15:21; Is. 52:15). Certo, agora nós não somos mais estrangeiros, mas somos concidadãos dos santos e membros da família de Deus pela graça de Deus e Paulo nos deixou escrito na sua epístola: “Lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Ef. 2:11,12). Irmãos, vós que sois Gentios de nascença como o sou eu, não vos esqueçais que é aos Israelitas que pertence “a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas” (Rom. 9:4) e que é a eles que “foram confiados os oráculos de Deus” (Rom. 3:2); nós sendo Gentios eramos estranhos a tudo isto, porque não faziamos parte segundo a carne deste povo. Nós estavamos longe de Deus “mas agora (diz Paulo), em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim, que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a pedra angular, no qual todo o edíficio, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Ef. 2:13-22). Irmãos, Cristo Jesus morrendo sobre a cruz, de dois povos fez um só e isto porque fez morrer sobre a sua cruz a inimizade que havia entre os Judeus e nós Gentios; Ele derrubou a parede que nos separava dos Judeus, uma parede feita de uma lei de mandamentos, abolindo esta lei na sua carne e além de nos reconciliar com os Judeus, nos reconciliou também juntamente com eles com Deus mediante a sua morte. Se nós hoje somos membros da família de Deus e se fazemos parte do edíficio espiritual que serve de morada a Deus (isto é, a Igreja) o devemos a Cristo, o Filho de Deus que permitiu a nossa entrada no Reino de Deus, a nossa reconciliação com os Judeus e a nossa aproximação a Deus. Paulo escreveu aos Gálatas: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego…porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal. 3:27,28). Irmãos, somos de Cristo, pertencemos-lhe e com os Judeus que creram nele, formamos um só povo e um só rebanho e nos submetemos a um só Cabeça e um só Pastor que é Cristo Jesus. Isto que vos expus aqui é sobre “o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos..” (Ef. 1:9,10), e nós crentes dentre os Gentios, somos gratos a Deus, porque Ele segundo a sua vontade quis dar-nos a conhecer as riquezas da glória deste mistério. Paulo diz que este mistério “noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (Ef. 3:5), de facto ele esteve oculto desde os tempos mais remotos, para ser dado a conhecer na plenitude dos tempos. Deus nos fez conhecer este mistério (que consiste no facto de nós Gentios sermos herdeiros com os Judeus, que creram que Jesus é o Cristo, e membros com eles de um mesmo corpo, e com eles participantes da promessa feita em Cristo Jesus pelo Evangelho) “para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus…” (Ef. 3:10); e além disso, este mistério “se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé..” (Rom. 16:26).

Irmãos no Senhor, nós reconhecemos a misericórdia que Deus teve para conosco em Cristo Jesus e é por causa da misericórdia de Deus que nós devemos glorificar a Deus conforme está escrito: “Os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia” (Rom. 15:9) e noutro lugar: “Louvai ao Senhor, todos os gentios” (Rom. 15:11; Sal. 117:1), portanto alegremo-nos no Senhor, celebremo-lo com cânticos porque Ele nos salvou, mas não nos ensoberbeçamos contra os Judeus que não creram em Cristo. Paulo falando do nosso enxerto do zambujeiro na oliveira disse: “E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são. E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem: pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme” (Rom. 11:16-20). Irmãos, nós fomos cortados do zambujeiro pela sua natureza selvagem e fomos enxertados na oliveira por meio da nossa fé. Nós sabemos que muitos dos ramos naturais desta oliveira foram cortados por causa da sua incredulidade e que nós fomos enxertados em lugar deles e por causa deste nosso enxerto na sua própria oliveira, nós agora gozamos as bençãos de Cristo e as suas consolações tendo sido feitos participantes dos bens espirituais dos Judeus, porém não nos devemos ensoberbecer contra os Judeus desobedientes, sabendo que a raíz da oliveira na qual fomos enxertados é Israelita segundo a carne e além disso é a raíz a sustentar-nos e não o contrário. Paulo disse dos Judeus desobedientes: “Assim que, quanto ao Evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rom. 11:28,29), isso significa que apesar de muitos Judeus não terem obedecido ao Evangelho e não terem agradado a Deus por causa da sua incredulidade e dureza de coração, Deus não rejeitou Israel, de facto Paulo disse: “Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu” (Rom. 11:2). Irmãos, guardai-vos de considerar Israel como um povo rejeitado por Deus, porque Deus disse: “Se puderem ser medidos os céus para cima, e sondados os fundamentos da terra para baixo, também eu rejeitarei toda a semente de Israel, por tudo quanto fizeram” (Jer. 31:37) e ainda: “Se o meu concerto do dia e da noite não permanecer, e eu não puser as ordenanças dos céus e da terra, também rejeitarei a descêndência de Jacó, e de Davi..” (Jer. 33:25,26). Certo, se por um lado vemos a benignidade de Deus para com os que creram, isto é para conosco, por outro vemos também a severidade de Deus para com os que cairam, isto é, para com os Judeus que tropeçaram na pedra de tropeço, porém Paulo diz a propósito destes últimos: “E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar” (Rom. 11:23) isso significa que os ramos naturais cortados da oliveira serão enxertados de novo na sua própria oliveira se não perseverarem na sua dureza de coração, mas cuidai que é também verdade que se nós crentes não perseverarmos na fé e no bom operar até ao fim, seremos cortados da boa oliveira, portanto temamos a Deus. O apóstolo Paulo disse: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados. Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles. Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada. Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rom. 11:25-27, 30-32), portanto Deus prometeu salvar todos os Israelitas e de lhes ter misericórdia quando chegar a plenitude dos Gentios, então acontecerá que o véu que está por agora preso sobre os seus corações quando fazem a leitura do Antigo Pacto será removido, porque é em Cristo que ele é abolido; sabendo tudo isso desde agora, não sejamos presunçosos porque Deus é fiel e a seu tempo efectuará a sua boa palavra para o povo que dantes conheceu.

 

Os Judeus desobedientes; predestinados a tropeçar pela salvação dos Gentios

 

Quando se fala do endurecimento parcial que se produziu em Israel nasce espontaneamente a pergunta: ‘Mas quem endureceu os Judeus desobedientes? Porque foram endurecidos? Ora, o facto de muitos Judeus permanecerem desobedientes ao Evangelho de Cristo não significa que a Palavra de Deus haja falhado, e isto Paulo o explica nestes termos: “Não que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas : Em Isaque será chamada tua descendência. Isto é: não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descêndência. Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho” (Rom. 9:6-9). Considerai isto: Abraão teve dois filhos, um da escrava, ou seja, de Agar, e um da livre, ou seja, de Sara. Os dois foram gerados por Abraão, mas só um era o filho que Deus tinha prometido a Abraão, a saber: Isaque. Deus prometeu a Abraão que daria a terra prometida à sua descendência, isto é, a Isaque e não a Ismael o filho da escrava; além disso Deus tinha prometido a Abraão que estabeleceria o seu concerto com Isaque conforme está escrito: “Chamarás o seu nome Isaque e com ele estabelecerei o meu concerto” (Gen. 17:19), e de facto o concerto Deus o estabeleceu com os descendentes de Isaque (os Israelitas) e não com os descendentes de Ismael (as tribos árabes). Ora, o filho da escrava nasceu segundo a carne, enquanto o da livre em virtude da promessa ou como disse Paulo: ‘Segundo o Espírito’, isto significa que Ismael embora descendesse de Abraão não era a descendência que Deus tinha prometido a Abraão. Entre os Judeus de nascença, nem todos são filhos de Abraão (embora todos são descendentes de Abraão) porque entre eles existem os nascidos segundo a carne à maneira de Ismael, os quais são escravos do pecado porque tropeçaram na pedra de tropeço e não são nascidos de Deus. Os filhos de Abraão dentre os Judeus são todos aqueles que tendo crido que Jesus é o Cristo foram libertados dos seus pecados pela sua fé em Jesus; esses são benditos com o crente Abraão e são herdeiros do Reino de Deus exactamente porque são filhos da livre à maneira de Isaque. Sabei que os filhos da escrava, isto é, os Judeus desobedientes não são herdeiros do Reino porque não nasceram de Deus; a Escritura diz: “Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre” (Gal. 4:30; Gen. 21:10), de facto está escrito que Abraão despediu a escrava Agar e o seu filho e que “deu tudo o que tinha a Isaque” (Gen. 25:5), o filho da livre, e não a Ismael, o filho da escrava; assim entre os Judeus de nascença, aqueles que são nascidos segundo a carne mas não segundo o Espírito porque desobedecem ao Evangelho, não herdarão a vida eterna juntamente com os Judeus que obedecem ao Evangelho da graça de Deus. Quero fazer-vos notar que foi Deus a constituir Isaque, herdeiro de Abraão e que isto o fez segundo o beneplácito da sua vontade. Paulo prossegue e diz: “E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; porque não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, aborreci a Esaú” (Rom. 9:10- 13; Gen. 25:23; Mal. 1:2,3). Rebeca, mulher de Isaque, quando ficou grávida concebeu dois gémios, e “os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor. E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor” (Gen. 25:22,23). Então, porque motivo Deus disse a Rebeca (antes das crianças nascerem e antes que tivessem feito algum bem ou mal) o maior servirá o menor? A razão é esta: “Para que o propósito de Deus, segundo a eleição ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama” (Rom. 9:11,12); Deus agiu assim para demonstrar que age em todas as coisas como ele quer.

Nós fomos gerados por Deus pela sua Palavra, não em virtude de qualquer boa obra que tivessemos feito ou pela vontade do homem, mas como disse Tiago, “segundo a sua vontade” (Tiago 1:18). Irmãos, recordai-vos das palavras que Jesus disse aos seus discípulos: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15:16). Irmãos, mesmo tendo no curso dos séculos muitos tentado deitá-lo por terra, eu vos digo que o propósito de Deus segundo a eleição ficou firme e as tentativas dos audazes resultaram vãs, porque as palavras que Deus dirigiu a Rebeca demonstram que Deus elege para salvação quem ele quer. Não foi nem Jacó e nem Esaú a decidir quem dos dois seria o povo mais forte; não foi nem um nem outro a decidir com qual dos dois Deus estabeleceria o seu concerto e cuidai que a decidir estas coisas não foram nem Isaque Pai deles e nem Rebeca mãe deles. Além disso é necessário dizer que Jacó não mereceu de Deus (por alguma sua obra justa) que Esaú seu irmão maior, o servisse, porque quando Deus disse: ‘O maior servirá o menor’, ele estava ainda no ventre da mãe e ainda não tinha feito algo de bom. Está escrito: “Que diremos pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo pois tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer.” (Rom. 9:14-18; Ex. 33:19; 9:16). Enquanto Jesus estava sobre a terra (isto é, nos dias da sua carne) Deus endureceu os corações de muitos Judeus para que não cressem no seu Filho, e isto o diz João nestes termos: “E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, pelo que Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure” (João 12:37-40; Is. 53:1; 6:10). Muitos Judeus estavam destinados a não crer e a tropeçar na Palavra de facto Isaías tinha dito: “Então ele vos será santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e de rocha de escândalo, às duas casas de Israel; de laço e rede aos moradores de Jerusalém. E muitos dentre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos” (Is. 8:14,15), por isto João disse dos Judeus desobedientes: “Não podiam crer”, porque se deviam cumprir as palavras do profeta Isaías a seu respeito, e não só as suas mas também as de Moisés: “Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje” (Rom. 11:8; Is. 29:10; Deut. 29:4), e também as de Davi que disse: “Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço, por sua retribuição. Escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e encurvem-se-lhes continuamente as costas” (Rom. 11:9,10; Sal. 69:22,23). Sabei que Deus não é blasfemável por ter agido assim, antes seja Deus reconhecido verdadeiro mas todo o homem mentiroso; se Deus disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer” (Ex. 33:19; Rom. 9:15) porque coisa é blasfemável? Não é Ele Aquele que faz tudo o que lhe apraz no céu na terra e nos mares em todos os abismos? Não é ele porventura aquele que disse: “Farei toda a minha vontade… operando eu, quem impedirá?” (Is. 46:10; 43:13) Mas quem é aquele que é assim tão audaz para dizer-lhe: ‘Que fazes?’ Deveria Deus porventura agir como querem os homens para não ser criticado por eles? Sabei que Deus permanece sempre vencedor quando é julgado pelos homens.

Deus, se por um lado endureceu os corações de muitos Judeus, por outro teve misericórdia a um resíduo de Israel eleito segundo a graça, de facto está escrito: “Assim pois também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça…O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram…” (Rom. 11:5,7), mas também isto, isto é, que só um resíduo d`Israel se converteria ao Senhor, estava anunciado pelos profetas. Isaías disse: “Os resíduos se converterão; sim, os resíduos de Jacó, ao Deus forte. Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, só um resto dele se converterá..” (Is. 10:21,22; Rom. 9:27) e: “Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descendência, teríamos sido feitos como Sodoma, e seríamos semelhantes a Gomorra” (Rom. 9:29; Is. 1:9) e ainda: “E será que aquele que ficar em Sião e o que permanecer em Jerusalém, será chamado santo.. Porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte de Sião o que escapou” (Is. 4:3; 37:32). O profeta Miqueias a tal respeito disse: “Certamente congregarei o restante de Israel, pô-los-ei todos juntos, como ovelhas de Bozra..” (Miq. 2:12) e ainda: “E estará o resto de Jacó no meio de muitos povos, como orvalho do Senhor…” (Miq. 5:7). Deus pelo profeta Sofonias disse do remanescente de Israel: “O remanescente de Israel não cometerá iniquidade..” (Sof. 3:13) e isto está em pleno acordo com o que João na sua epístola diz de quem é nascido de Deus: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a Sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus ” (1 João 3:9).

Jesus disse aos Judeus: “Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido” (João 6:65), porque ele sabia bem que creriam nele só aqueles a quem o Deus e seu Pai faria graça; ele sabia que viriam a ele só aqueles que o Pai lhe daria, e o apóstolo Paulo confirmou as palavras de Cristo dizendo: “Tem misericórdia de quem quer” (Rom. 9:18).

Irmãos, vos recordo que foi no seguimento da queda dos Judeus que o Evangelho chegou até nós Gentios de facto está escrito: “Pela sua queda veio a salvação aos Gentios” (Rom. 11:11), e sabeis porquê? “Para os provocar ao ciúme” (Rom. 11:11), diz Paulo, para que se cumprissem as palavras que Deus tinha dito por meio de Moisés a Israel: “Eu vos meterei em ciúmes com aqueles que não são povo” (Rom. 10:19; Deut. 32:21). Deus, antes que o povo de Israel entrasse na terra prometida, tinha dito de Israel: “A ciúmes me provocaram com aquilo que não é Deus, com as suas vaidades me provocaram à ira” (Deut. 32:21), de facto Israel no deserto provocou ciúmes a Deus carregando o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, imagens que fizeram para as adorar e Deus para vingar-se e para retribuir aos Israelitas pelo o que eles tinham feito contra ele, disse: “Portanto eu vos meterei em ciúmes com os que não são povo, com nação louca os despertarei à ira. Porque um fogo se acendeu na minha ira..” (Deut. 32:21,22), e isto aconteceu e acontece ainda porque os Judeus desobedientes são provocados ao ciúme por causa de nós Gentios que cremos no Evangelho que Deus prometeu nas Sagradas Escrituras mediante os oráculos revelados aos profetas Hebreus e estão também indignados contra nós e tudo isso por causa do Evangelho. Esta é a razão pela qual Paulo disse acerca dos Judeus: “São contrários a todos os homens, e nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação” (1 Tess. 2:15,16); Nunca vos perguntastes porque é que os Judeus perseguiam Paulo seu compatriota? Isto acontecia porque Paulo falando aos Gentios de Jesus (demonstrando pelas Escrituras que ele era o Cristo) lhes provocava ciúmes e os fazia indignar e para confirmação disso vos recordo aquilo que aconteceu em Antioquia da pisídia onde “os judeus vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava” (Actos 13:45). Portanto, enquanto os Israelitas provocaram ciúmes a Deus com o que não era Deus agora Deus provaca-lhes ciúmes com nós Gentios de nascença que somos aos olhos deles “gente que não é um povo” mas aos olhos de Deus “o seu povo”; se verificou aquilo que Deus tinha predito, portanto reconhecei também vós que Deus fez todas as coisas por um objectivo e que também este endurecimento por ele produzido em Israel entrava no desígnio que ele fez antes dos séculos em nosso favor. “Dir-me-ás então: Porque se queixa ele ainda? Porquanto, quem resiste à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para a glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Rom. 9:19-24); irmãos, digo-vos com franqueza: “Não há nada porque replicar se Deus para cumprir os seus maravilhosos desígnios fez e faz aquilo que aqui está descrito claramente pela Escritura. Para muitos estas palavras do apóstolo não agradam, eles se perturbam e se indignam ao lê-las e procuram anulá-las com os mais variados vãos raciocínios humanos. Para estes que replicam a Deus, eu digo: ‘Quando deixareis de censurar Deus? Quando deixareis de julgar os caminhos de Deus como fazem os ímpios? Deus é maior do que o homem e não existe homem que se tenha endurecido contra ele que tenha prosperado e que não seja repreendido por ele; a verdade é que todos os homens que estão sobre a terra são como barro nas suas mãos, Ele os fez e Ele de toda a massa dos homens tirou alguns para fazer um uso honroso e outros para fazer um uso desonroso, Ele tem o poder de fazê-lo, e o faz porque é o Oleiro.

A Ele seja a glória eternamente. Amen.

 

Ainda sobre o endurecimento parcial de Israel

 

Jesus foi rejeitado pelo povo de Israel, e de facto foram precisamente os judeus, os descendentes de Abraão segundo a carne, a condená-lo à morte e a entregá-lo a Pôncio Pilatos para que fosse crucificado. A razão que invocaram foi que ele merecia a morte porque se tinha feito Filho de Deus. Tudo isso não foi mais que o cumprimento destas palavras proferidas pelo Espírito por meio de Davi: “Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido” (Actos 4:25-26). Os povos a que o salmista faz referência são os Gentios e o povo de Israel, e os reis e os príncipes são Herodes, que ao tempo governava sobre a Galileia, e Pôncio Pilatos que era governador da Judeia, os quais na ocasião se tornaram amigos. Então Jesus, o Messias prometido por Deus por meio dos seus santos profetas, foi rejeitado por Israel. Mas não por todo Israel, na verdade um resíduo de Israelitas aceitaram Jesus como o Messias de Deus. Ora, pelo que respeita à posição actual do povo Judeu em relação a Jesus devemos dizer que ela à distância de mais de mil e novecentos anos da vinda de Cristo Jesus não mudou, porque ainda hoje só um remanescente dos Judeus que estão no mundo aceitam Jesus como o Messias; a grande maioria deles ao invés rejeita Jesus como o Messias. Há hebreus ortodoxos que se recusam até de pronunciar o nome de Jesus de Nazaré, tanta é a sua aversão para com o seu nome. Se veja bem porém que o facto de a maior parte dos Judeus rejeitar Jesus não significa que a palavra de Deus tenha falhado; Paulo diz de facto: “Não que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas : Em Isaque será chamada tua descendência. Isto é: não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descêndência. Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho. E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; porque não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú. Que diremos pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo pois tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer” (Rom. 9:6-18). Este discurso de Paulo explica como a aceitação de Cristo por parte de um pequeno número de Judeus e a sua rejeição por parte da maioria deles são coisas que dependem de Deus porque Ele tem misericórdia de quem quer e endurece quem quer. Em outras palavras, o motivo desta situação que se veio a criar no meio do povo Judeu encontra-se no propósito de Deus segundo a eleição que depende não das obras mas da vontade d`Aquele que chama. Eis pois porque a maior parte dos Judeus rejeita Cristo, e só um pequeno número o aceita, porque Deus endureceu os primeiros e fez graça aos segundos, ainda que sejam todos descendentes de Abrãao e de Isaque. Mas aliás, explica Paulo, o facto de serem descendentes de Abraão não significa obrigatoriamente serem filhos de Abraão. Porquê? Porque Abraão teve dois filhos, um da escrava e um da livre, mas o filho da promessa era Isaque e não Ismael. Deus tinha de facto estabelecido concluir o seu concerto com Isaque, o filho da livre, e não com Ismael, o filho da escrava. Depois que Ismael e Isaque nasceram, Deus disse a Abraão: “Em Isaque será chamada tua descendência”. Ismael era certamente descendente de Abraão, mas não foi constituido herdeiro juntamente com Isaque; Deus o abençoou, mas não concluiu o seu concerto com ele. Com Isaque aconteceu uma coisa semelhante, de facto sua mulher Rebeca teve dois filhos gémeos gerados por Isaque, mas Deus ainda antes que nascessem escolheu Jacó, o menor; e rejeitou Esaú, o maior, porque disse a Rebeca que o maior serviria o menor. E de facto Deus fez o seu pacto com Jacó e não com Esaú. Tudo isto, como diz Paulo, para que ficasse firme o propósito de Deus segundo a eleição.

Evidentemente alguém poderá pensar que este modo de agir seja injusto, portanto que Deus seja injusto, mas isso deve ser negado categoricamente porque Deus disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer” (Ex. 33:19). Este modo de Deus se comportar com Israel foi predito por Deus desta maneira: “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (Rom. 9:27), e também: “Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descêndencia, teríamos sido feitos como Sodoma, e seríamos semelhantes a Gomorra” (Rom. 9:29). Este resíduo de Israel pois constitui o resíduo eleito segundo a graça, resíduo que juntamente a todos os Gentios que aceitaram Cristo, constituem a Igreja de Deus, isto é, a assembleia dos resgatados, dos chamados para fora deste presente século mau. Isto porque em Cristo a parede da separação foi derrubado, e Ele com a sua morte, dos dois povos fez um só. E os outros Judeus, os desobedientes? Eles foram endurecidos conforme foi dito por Moisés: “Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje” (Rom. 11:8). Este endurecimento produzido neles por Deus, endurecimento que os fez cair (ou tropeçar na Palavra), se fez necessário para mover Israel ao ciúme e fazê-lo indignar. De facto através da sua conduta a salvação veio aos Gentios, e eles vendo que os Gentios foram postos em posição de participar da raiz e da seiva da sua oliveira, tiveram ciúmes e se indignaram contra eles. Tudo coisas que Deus disse que faria com Israel desde os tempos de Moisés: “Eu os provocarei a ciúmes com os que não são povo, com nação louca os despertarei à ira” (Deut. 32:21). O motivo? Para punir Israel por causa do seu comportamento rebelde e teimoso tido no deserto. Deus de facto pouco antes disse: “A ciúmes me provocaram com aquilo que não é Deus, com as suas vaidades me provocaram à ira” (Deut. 32:21). Isto nos recorda que Deus é um vingador, e como verdadeira é a sua palavra: “Como tu fizeste, assim se fará contigo” (Obadias 15). Então, podemos dizer que o endurecimento dos Judeus não é mais que o cumprimento da promessa de vingança feita por Deus a Moisés para com o seu povo rebelde, porque endurecendo muitos deles Deus fez chegar a salvação aos Gentios provocando os Judeus a ciúmes com eles. As coisas estão pois estreitamente ligadas.

 

O endurecimento parcial de Israel um dia acabará

 

Mas o plano de Deus prevê que o endurecimento parcial que se produziu em Israel um dia acabará. Eis o que nos diz Paulo: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles. Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada” (Rom. 11:25-31). Ora, como podeis ver Paulo diz-nos alguma coisa para que não sejamos presunçosos. Esta alguma coisa é que em Israel se produziu um endurecimento parcial que durará até à plenitude dos Gentios. Então todo Israel será salvo porque Deus desviará de Jacó as impiedades e tirar-lhe-á os seus pecados. É evidente que de quem Paulo fala aqui é de todo o povo de Israel, (isto é, os Judeus segundo a carne) pelo facto que pouco antes fala do endurecimento parcial que se produziu em Israel. Não se pode portanto dizer que quando Paulo diz que “todo o Israel será salvo” se referia à Igreja de Deus, como afirmam ao invés alguns. É claro porém que quando todo o Israel for salvo, ele entrará a fazer parte da Igreja de Deus, porque Cristo dos dois povos fez um só, e n`Ele não há Judeu nem Grego. Paulo explica porque Deus um dia salvará todo o Israel; porque eles se por um lado são inimigos no que respeita ao evangelho, por outro são amados por causa dos seus pais porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.

 

A fidelidade de Deus para com os Israelitas não obstante a sua incredulidade

 

Deus pois não rejeitou Israel como nação; não o repeliu nem no deserto quando se rebelou aos seus mandamentos, nem depois que entrou na terra de Canaã e se misturou com as nações prostituindo-se atrás dos ídolos mudos, e nem ainda (depois que o reino se dividiu em dois reinos) quando o povo se abandonou a toda a iniquidade no tempo dos profetas. Os profetas foram ultrajados, mortos, mas Deus também depois que puniu severamente Israel mandando-o em cativeiro teve piedade do seu povo fazendo-lhes encontrar compaixão nos povos que os dominavam e fazendo-os voltar sobre a terra dada em herança aos seus pais. Me refiro ao retorno do cativeiro que se cumpriu nos dias de Ciro, rei da Pérsia, retorno que levou os restantes a reconstruir o templo (cfr. Esd. cap. 1-6); a seguir, no reinado de Artaxerxes I Longimano (465-424 a. C.), foram reconstruídos também os muros (sob a direcção de Neemias). Jesus veio centenas de anos depois da reconstrução dos muros, mas foi rejeitado e morto pelos Judeus assim como o tinham sido antes dele muitos profetas de Deus. A vingança de Deus também neste caso não se fez esperar muito; em 70 d.C. de facto Deus enviou contra Jerusalém o exército romano comandado por Tito e por meio dele fez morrer centenas de milhares de Judeus, e destruiu o templo de Jerusalém, e levou em cativeiro muitos Judeus. Grande ira e angústia se abateu sobre o povo Judeu naquele ano. Seguramente muitos naqueles tempos pensaram que Deus tinha rejeitado Israel como nação; não há duvida; porque toda as vezes que Deus exercitou os seus juízos contra este povo as nações disseram que Deus rejeitou o seu povo. E não só naqueles tempos mas também nos séculos posteriores, quando os Judeus se encontravam dispersos pelo mundo sem uma pátria terrena. Objecto de zombaria por todos, sem uma pátria, sem um estado que os representasse, se encontravam um pouco por todo o lado. Mas eis que na segunda metade do século vinte começou a surgir entre uma parte dos Hebreus a ideia que era chegada a hora de voltar para a terra dada em herança aos pais. Alguns acolheram a ideia com muito entusiasmo, outros eram cépticos, e outros ainda se oposeram violentamente a este retorno à terra dos pais. Lentamente o número daqueles que creram no estabelecimento de um futuro Estado de Israel na terra dos pais cresceria, até que com Teodoro Herzl foi fundado, em 1897, o movimento sionista que tinha como objectivo declarado a fundação do Estado de Israel. Sob o impulso deste movimento hebraico houveram diversas ondas migratórias que levaram no espaço de cerca de cinquenta anos cerca de meio milhão de Hebreus à Palestina. Em 1948, depois de uma série de acontecimentos que seria demasiado longo contar agora, foi fundado o Estado de Israel. Deus portanto fazendo retornar tantos Hebreus a Israel e permitindo-lhes refundar o Estado Hebraico demonstrou ao mundo inteiro de não se ter esquecido da nação de Israel. Todavia há aqueles que não acreditam que tudo isso tenha sido feito por Deus em cumprimento da sua palavra. Queremos por isso perguntar a estes que dizem que este retorno de muitos Judeus à terra que Deus deu aos seus pais, e a fundação do Estado de Israel depois de bem mais de dezoito séculos não procede de Deus: ‘Como podeis dizer semelhante coisa quando basta ler um pouco o Antigo Testamento para se dar conta de quantas vezes Deus voltou a ter piedade do seu povo mesmo depois que este lhe era rebelde?’ Basta pensar por exemplo na rebelião de Israel no deserto; Israel não observou a lei de Deus no deserto, repetidamente a transgrediu e foi julgado por Deus, e quando Deus lhe mandou tomar em possessão a terra de Canaã eles não tiveram confiança em Deus e Deus por causa da sua incredulidade os puniu não os fazendo entrar na terra prometida. No entanto fez entrar lá as gerações posteriores porque ele é fiel e mantém as suas promessas. Porventura não está escrito que se formos infiéis ele permanece fiel? Porque é que isto não é válido para os Judeus, o povo que Deus antes conheceu? Deus não faz acepção de pessoas, verdade? Se quando nós, nós seu povo, quando nos fazemos infiéis podemos sempre contar com a fidelidade de Deus, porque é que os Judeus não obstante a sua infedelidade, se bem que tenham rejeitado Cristo, não devem também eles contar com a fidelidade de Deus? Certo, aqui se trataria por agora só de um retorno por parte de muitos Judeus à terra dada a Abraão, de um restabelecimento do Estado de Israel, mas isso permanece sempre uma demonstração da fidelidade de Deus. Se antes muitos podiam dizer aos Judeus: vós sois um povo sem pátria, não sois representados por nenhum Estado sobre a terra, agora isto não pode mais lhes ser dito. Porque eles têm um Estado que os representa; e também se são cidadãos de uma outra nação podem sempre retornar a este Estado e tornarem-se cidadãos de Israel. Certamente para os inimigos de Israel, e por inimigos não se entenda só os Árabes, a fundação do Estado de Israel foi uma humilhação. Mas aliás se sabe; Deus humilhou Israel quando este se exaltou contra ele, mas também humilhou os seus inimigos e isto porque ele é justo. Para todos os que se exaltam chega o tempo da humilhação; para quem abre a boca e difama chega o momento em que Deus lhe fecha a boca. E depois de muito séculos durante os quais os inimigos deste povo abriram a boca repetidamente contra ele considerando-o não mais uma nação, para Deus chegou o tempo de lhes fechar a boca restabelecendo o Estado de Israel, na terra dada em herança a Abraão e à sua descendência. Então nós reconhecemos no retorno de uma parte dos Judeus à terra de Israel uma obra feita por Deus. E como se poderia dizer que isso não aconteceu pelo querer de Deus quando sabemos que nem sequer um pássaro cai por terra sem o querer de Deus? Quando sabemos que o coração do rei nas mãos do Senhor é como ribeiros de águas que ele inclina para onde quer? Mas vejamos agora quais são as Escrituras que se cumpriram com este regresso dos Judeus e a fundação do Estado de Israel em 1948? Isaías disse: “Porque o Senhor se compadecerá de Jacó, e ainda elegerá a Israel e os porá na sua própria terra…” (Is. 14:1). Jeremias disse: “Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; e com eles os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto juntamente; em grande congregação voltarão para aqui” (Jer. 31:8). E Ezequiel disse: “Diz portanto à casa de Israel: Assim diz o Senhor o Eterno: Não é por vosso respeito que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde vós fostes… Vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra…”, e ainda: “Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações, para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra. E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel…” (Ez. 36:22,24; 37:21-22). Zacarias disse: “Eu os farei voltar da terra do Egipto, e os congregarei da Assíria;…” (Zac. 10:10). Estas são apenas algumas das Escrituras que predisseram o retorno dos Hebreus à sua terra. Que dizer depois do templo que foi destruído em 70 d.C. e que até este preciso dia não foi reconstruído? É preciso dizer que com base nas Escrituras presentes no Novo Testamento ele deverá ser reconstruído antes do retorno em glória de Cristo. As Escrituras são as seguintes: “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epistola, como de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Tess. 2:1-4); “Foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram. E deixa a átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses” (Ap. 11:1-2) – e se tenha presente que quando João teve esta visão o templo de Jerusalém tinha já sido destruído – Como podeis ver nestas duas passagens fala-se de um templo que não pode não ser aquele terreno de Jerusalém. Se cuide porém que a reconstrução deste templo, ainda que se tenha que cumprir antes da volta de Cristo, não anulará o facto que com a vinda de Cristo todos os que foram salvos entraram a fazer parte do edíficio espiritual que serve de morada a Deus pelo Espírito, isto é, do seu templo; e que o templo terreno permanece sempre uma figura das coisas celestiais. Em outras palavras para nós crentes, mesmo quando for reconstruido o templo em Jerusalém, o templo de Deus continuará a ser a Igreja de Deus e o templo terreno continuará a ser sombra das coisas celestiais. Certamente para os Judeus segundo a carne a sua reconstrução terá um grande significado, mas para nós não terá o mesmo significado. E certamente, quando o templo estiver reconstruído e sabendo que naquele tempo se sentará o homem do pecado dizendo ser Deus, nós não poderemos não reconhecer que a vinda do iníquo estará ainda mais perto como também naturalmente a vinda de Cristo que destruirá o iníquo “pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Tess. 2:8). Agora, a reconstrução do templo no lugar onde se encontrava quando foi destruído parece impossível, porque como vós sabeis no sítio do templo agora existe uma mesquita árabe cuja remoção por parte do governo Israelita desencadearia uma guerra dos países árabes contra Israel. Seja como for isto não constitui um problema para Deus, porque Ele aquilo que disse o fará acontecer a seu tempo e nos modos por ele estabelecidos. Mas desejam os Judeus reconstruir o templo? Sim, na verdade no coração de muitos Judeus existe o desejo de vê-lo reconstruído no lugar onde estava antes de ser destruído. Lembro que à alguns anos atrás um irmão disse-me que tinha ouvido a notícia que a reconstrução do templo em Jerusalém estava iminente; ficando perplexo a respeito resolvi telefonar para a embaixada Israelita aqui em Roma para perguntar se isso era verdade; a primeira resposta foi: ‘Oxalá fosse verdade!’, e depois me foi desmentida a notícia. No entanto, existem grupos de Hebreus ortodoxos extremistas que estão prontos até a fazer ir pelo ar a mesquita árabe para reconstruir o templo. Grupos porém que não têm o apoio de muitos Judeus porque a destruição da mesquita árabe significaria uma guerra declarada sem precedentes contra Israel. Guerra porém que não assusta estes grupos que consideram que caso rebentasse esta guerra o Messias virá e combaterá por eles!

 

Fonte

 

 

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