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Há muitos rebeldes que não querem ensinar as coisas que Paulo ensinava

O apóstolo Paulo, depois de ter dito que ele, antes de tudo, exorta que se façam súplicas, orações, intercessões e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade; depois de ter dito que ele quer que as mulheres se vistam com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, e que não permite que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido: depois de ter dito como devem ser o bispo e o diácono, isto é, as características que devem ter, para serem eleitos, tanto aqueles que aspiram ao ofício de bispo como aqueles que devem ser assumidos no ofício de diácono; digo, depois de ter escrito todas estas coisas diz a Timóteo estas palavras, às quais quero que presteis atenção:

Ÿ ”Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e base da verdade” (1 Tim. 3:14,15)

Ÿ ”Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1 Tim. 4:6)

Ÿ ”Manda estas coisas e ensina-as” (1 Tim. 4:11)

Ÿ ”Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tim. 4:16).

Irmãos, quero que saibais que quem ensina e quem manda as coisas que Paulo mandou a Timóteo ensinar (há também outras coisas que convêm à sã doutrina que Timóteo devia ensinar, como a assistência devida às viúvas por parte dos filhos e dos netos e da igreja, a honra devida aos anciãos, a submissão dos servos aos seus senhores, e a ordem aos ricos segundo o mundo para que fossem ricos em boas obras) é um bom ministro de Cristo Jesus, porque expõe à irmandade a boa doutrina que é segundo a piedade; mas quero que saibais também que aqueles que não se atêm às sãs palavras que Paulo escreveu a Timóteo, mas as desprezam, estão inchados e nada sabem (“A loucura é uma mulher  alvoroçadora; é simples e nada sabe” [Prov. 9:13]); eles querem ser doutores da lei de Cristo, mas não entendem nem o que dizem nem o que afirmam, porque renunciaram a ter um coração puro, desviaram-se da fé não fingida e de uma boa consciência. É como Paulo escreveu que convém andar na casa de Deus, e cuidai que se Paulo escreveu essas coisas e mandou que fossem ensinadas é porque ele as considerava úteis à igreja; ele queria que Timóteo soubesse como era necessário andar na igreja de Deus, não queria que ele estivesse na ignorância a tal respeito .

Mas hoje, alguns faladores vãos e rebeldes não só não querem saber como convém andar na casa de Deus (segundo as palavras de Paulo), como também  não querem que os outros o saibam. A eles de modo nenhum interessa ensinar estas coisas; têm outras coisas a ensinar. A sua conduta é reprovável; ensinam o que Paulo não ensinava e nem mandava ensinar (isto o fazem por torpe ganância), mas não ensinam o que ele claramente escreveu para ensinar e mandar. O que trouxe tudo isto? Isto, a saber, que hoje, em muitas igrejas, os crentes sabem bem pouco, senão nada, sobre a oração e sobre a sua eficácia, sobre como se deve vestir e adornar a mulher, sobre como devem ser os bispos e os diáconos, sobre a assistência devida às viúvas, sobre como se devem comportar os servos para com os seus senhores, e sobre como devem ser os ricos neste mundo; e por conseguinte, as orações que se devem fazer pelos irmãos, pelos incrédulos e pelas autoridades são desprezadas, as mulheres andam vestidas como bem lhes parece e agrada, os que são chamados anciãos e diáconos não têm de modo nenhum as qualidades necessárias para ocupar o seu ofício, a causa da viúva é ignorada, aqueles que são trabalhadores nunca ouvem dizer como se devem comportar para com os seus patrões, e aos ricos neste mundo não é dito para serem ricos em boas obras e para não serem altivos. 

Muitos crentes por muitos anos ouviram falar quase exclusivamente do significado alegórico dado (arbitrariamente algumas vezes) a eventos da antiguidade narrados na Escritura, mas quase nunca ouviram ensinar e deveras afirmar como é necessário andar na casa de Deus (isto é, as coisas que convêm à sã doutrina). Eles ignoram muitas coisas que é necessário saber para se conduzirem de modo digno de Deus porque elas não lhes são ensinadas (“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” [Os. 4:6], diz Deus em Oséias); estes crentes não conhecem nem sequer a diferença que há entre o sagrado e o profano porque os seus próprios condutores não a conhecem e, por conseguinte, não lha podem fazer saber. Mas por que é que aconteceu isto? Por que é que muitos não pregam mais a sã doutrina de Deus?

Quem cala e não quer mandar e ensinar as coisas que o próprio Paulo mandava e ensinava e que nas suas epístolas a Timóteo e a Tito lhes mandou ensinar, o faz por estes motivos:

Ÿ Não julga as sãs palavras de Paulo proveitosas para a igreja

Este é um grave erro, porque Paulo não escreveu nada de inútil. Ele mesmo disse a Tito: “Estas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tito 3:8), e também: “Isto quero que deveras afirmes” (Tito 3:8); portanto guardai-vos de todos aqueles maus obreiros que são maus não só porque não se conduzem de modo digno do Evangelho, mas também porque não querem ensinar as coisas que convêm à sã doutrina. Mas como podeis definir servo do Senhor um pregador que diz que as coisas que Paulo disse a Timóteo e a Tito para ensinarem eram proveitosas para os crentes daqueles tempos mas não para nós hoje? Acordai; é hora de deixardes de definir bons os maus obreiros que com as suas lisonjas e com os seus vãos discursos conseguiram fazer-vos passar a sã doutrina de Deus como inútil praticar e ensinar, e explorar-vos com as suas palavras fingidas. Estes faladores vãos aproveitam-se da vossa simplicidade e ignorância (vós tendes também a vossa culpa porque não cuidais de examinar as Escrituras para ver se as coisas são assim como dizem estes) para vos manipular a seu agrado e para satisfazer todos os seus desejos e interesses pessoais. Estes vos dizem que vós deveis, não fazer as coisas que Paulo mandou nas suas epístolas, mas dar o dízimo! Isto sim lhes interessa; isto sim o julgam proveitoso ensinar e deveras afirmar! Mas não pode ser doutra forma, porque estes todos se tornam para o seu caminho e procuram o seu próprio interesse e não o que é de Cristo. Estes hábeis faladores põem sobre o pescoço dos crentes pesos difíceis de suportar como precisamente o dízimo (isto não fizeram os apóstolos), que era uma ordem que deviam observar os que estavam debaixo da lei de Moisés; eles exaltam e prometem aos seus ouvintes a prosperidade económica e o ‘sucesso’, e se indignam e se perturbam quando ouvem alguém dizer que é pecado ambicionar coisas altas, que é pecado impedir a concepção para não ter muitos filhos, que é pecado nos irmos pôr meios nus para as praias, que é pecado ver televisão, que a mulher não deve usar calças, jóias, mini-saia, que não deve maquiar-se, que não deve ter a cabeça descoberta quando ora ou profetiza para não desonrar o seu cabeça, e que não lhe é permitido ensinar e nem usar de autoridade sobre o marido (para citar apenas algumas das coisas inconvenientes que não se adequam aos santos e que devem ser reprovadas sem meios termos para o bem dos santos). Para estes, aqueles que falam desta maneira são ‘legalistas’. Ora, se por ‘legalistas’ estes entendem aqueles que procuram fazer cair os crentes salvos pela graça de novo debaixo da lei porque pensam que se é justificado pela lei, fazendo-se circuncidar na carne, observando o sábado e festas judaicas, e observando práticas relativas a comidas, então nós não somos ‘legalistas’, porque não somos dos que vão inquietar os ânimos dos crentes dizendo-lhes: ‘Se não vos circuncidardes segundo o rito de Moisés, e não observardes a lei de Moisés não podeis ser salvos’. Mas se estes por ‘legalistas’ entendem crentes que procuram ater-se ao que está escrito e querem santificar-se no temor de Deus e dizem aos outros para fazerem o mesmo, renunciando às estranhas doutrinas, às concupiscências mundanas e aos prazeres da vida, às chocarrices, ao falar inconveniente, e a um determinado modo de vestir indecente e excêntrico (tanto da mulher como do homem), então nós estamos entre os ‘legalistas’, isto é, entre aqueles que querem observar a lei de Cristo e dizem aos outros para fazerem o mesmo. Mas eu quero vos perguntar isto: ‘Dizendo-vos para não impedirdes a concepção, para não vos irdes divertir, para não vos irdes pôr seminus à praia, para não vos pordes a contar ‘anedotas’, para não vos vestirdes de maneira indecente e excêntrica como faz a gente do mundo, dizendo-vos para não verdes televisão e de ir deitá-la fora, para não vos imiscuirdes na política, para não ambicionardes coisas altas mas para vos acomodardes às humildes, estou porventura tentando vos fazer cair de novo debaixo da lei de Moisés? Estou porventura vos impondo preceitos humanos ou mandamentos de homens que se desviam da verdade? Estou porventura procurando pôr sobre vós pesos difíceis de suportar? João diz que “este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1 João 5:3), e isto está em acordo com as palavras de Jesus: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mat. 11:30). Santificarmo-nos no temor de Deus não é algo de tão pesado que nos esmaga, mas alguns querem fazer passar o mandamento de santificarmo-nos como uma coisa de extremamente pesado, ou como um mandamento que se refere só a uma santificação interna (do coração, dizem eles), mas não externa. Não explicam claramente a que coisa os crentes devem renunciar para agradar a Deus, e acusam os que pelo contrário explicam claramente quais são as coisas que nós crentes não devemos fazer  na prática para resplandecermos neste mundo de trevas e para nos conservarmos puros deste mundo, de serem ‘legalistas’, em outras palavras, crentes que contristam o Espírito Santo com as suas ordens. Eles dizem que somos daqueles que impõem preceitos como: “Não toques, não proves, não manuseies. As quais coisas todas perecem pelo uso” (Col. 2:21,22), o que é só uma calúnia. Mas quero que saibais que não são os chamados ‘legalistas’ que contristam o Espírito, mas os ‘libertinos’, isto é, aqueles que fazem da liberdade uma ocasião para a carne, e que usam a liberdade como manto para cobrirem a sua malícia. Eles quebraram o jugo, disseram no seu coração: ‘Nós não queremos mais servir o Senhor como fazem os beatos, aqueles que têm palas nos olhos; fora as velhas regras, nós somos livres e queremos fazer o que quisermos porque onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade’; sim, mas qual liberdade? Certamente não a de nos conformarmos ao presente século! Certamente não a liberdade de fazer, de falar, de vestir como se quer, indo atrás das concupiscências da carne. Hoje, quem fala de maneira a não contentar aqueles que andam segundo os desejos da carne, e não se deixa arrastar pelos ventos de novas doutrinas que sopram periodicamente, mas permanece apegado à fiel Palavra, é ‘incómodo’ porque é considerado antiquado; é alguém que não procura a unidade da igreja. Mas eu vos pergunto: ‘Mas os que dizem que procuram ou que vós dizeis que procuram a unidade da igreja, procuram verdadeiramente o interesse da igreja ou procuram o seu próprio interesse? Eu sei que alguns falam frequentemente de unidade da igreja mas nunca da santidade que deve seguir a igreja, com efeito, nunca falam nem de justiça e nem de temperança, e nunca reprovam as obras infrutuosas das trevas! Ora, se por unidade da igreja se entende pormo-nos de acordo para juntar muito dinheiro para alugar um estádio e fazer muita publicidade através da rádio e televisão a reuniões realizadas por pregadores que anunciam ventos de doutrina, que riem, brincam e dizem mal das dignidades, e não querem que as irmãs se vistam com pudor e modéstia (para atraírem assim as pessoas do mundo às suas reuniões) e que ponham o véu sobre a cabeça para não escandalizar os incrédulos (como dizem eles) e depois fazem passar o cestinho das ofertas pelo menos uma vez diante dos presentes, nós não estamos entre aqueles que querem fazer gastar dinheiro aos crentes desta maneira, e que são por este ‘tipo’ de unidade. Nós somos pela unidade da igreja, mas pela verdadeira e não pela falsa e aparente. A verdadeira unidade está no Senhor Jesus, portanto na verdade, e como nós sabemos que Jesus disse: “Todo aquele que é pela verdade ouve a minha voz” (João 18:37), por conseguinte, quem não ouve a voz do Senhor não é pela verdade e por isso não é pela verdadeira unidade da igreja. O Senhor Jesus na noite em que foi traído orou ao Pai também pelos que creriam nele por meio da palavra dos apóstolos, de facto disse: “Que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21) e nós, lendo o livro dos actos dos apóstolos, reconhecemos que esta oração do Senhor foi atendida, com efeito, lemos: “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra (a de Pedro); e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam no ensinamento dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações….. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.… E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (Actos 2:41,42; 44-47; 4:32). Irmãos, estas eram as características da unidade da igreja primitiva. Todos os que criam eram perseverantes em atender ao são ensinamento dos santos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações; todos eram unânimes e tinham tudo em comum e os que possuíam propriedades ou casas as vendiam e traziam o preço das coisas vendidas e o depositavam aos pés dos apóstolos; estavam juntos, e todos os dias encontravam-se no templo e partiam o pão em casa, comiam juntos e louvavam a uma boca a Deus, e diariamente haviam pessoas que criam no Senhor e se acrescentavam à comunidade dos remidos. Mas eu vos pergunto: ‘Mas então por que razão muitos falam de unidade e nunca falam das específicas características que deve ter esta unidade?’ Para alguns pregadores unidade significa recolher dinheiro entre as igrejas das diversas denominações e juntá-lo para alugarem um estádio para lá realizarem as suas pregações que se assemelham mais a verdadeiras exibições teatrais do que a pregações; significa conseguir publicitar as suas reuniões como fazem os cantores do mundo e depois significa fazer acorrer às suas reuniões todos os pastores das diversas igrejas que colaboraram na evangelização e fazê-los sentar ou diante deles ou atrás deles para fazerem ver a sua chamada ‘unidade’. Que dizer depois dos que nas suas reuniões vão à frente para aceitarem o Senhor? Eles são ‘o despojo’ (quando são pessoas que verdadeiramente se arrependeram e creram com o coração) que as diversas igrejas devem repartir entre si com justiça. A eles nada mais importa. Quando dali se vão as coisas voltam ao que eram antes porque muitos desses pastores que estavam sentados juntos voltam a invejar-se, a devorarem-se e a caluniarem-se uns aos outros; os crentes daquelas igrejas não sentem mais o desejo de voltarem a se encontrar juntos porque cada um quer viver por sua conta e para os seus assuntos; e ninguém se esforça para seguir um mesmo parecer e um mesmo falar, com efeito, sobre muitas doutrinas continuam a permanecer as divergências de antes porque quase nenhum daqueles que compreenderam de maneira recta uma particular doutrina se esforça para fazer compreender ao outro a verdade acerca dela por medo que venha a criar-se entre eles ‘a divisão’.Como se pode falar de unidade com estes quando da forma como falam e agem demonstram procurar o seu próprio interesse e que para eles uma parte do conselho de Deus não importa absolutamente nada? Como se pode falar de unidade com estes quando buscam agradar aos homens em vez de ao Senhor? Se pode estar junto fisicamente, mas se há interesses pessoais de todo o género radicados nos corações dos pastores e das ovelhas então não se poderão ver as mesmas coisas que haviam na igreja primitiva. Como seria encorajante para todos nós ver entre o povo de Deus (mesmo que fosse só no âmbito local) aquele amor para com Deus e para com a irmandade, aquela sinceridade, aquela unanimidade sobre todo o conselho de Deus que existia no seio da igreja primitiva depois que o Espírito Santo foi derramado! O que se pode ver porém hoje? Quase nada do que então havia! Porquê? Porque o amor de muitos esfriou. Hoje, se podem ver pregadores que zombam de uma parte do conselho de Deus, que se põem a anunciar estranhas doutrinas, que não têm um falar são e justo, que são dissolutos porque amam o mundo e os prazeres da vida, mas pelo facto de conseguirem juntar um certo número de igrejas para realizarem reuniões de evangelização em lugares públicos que têm um certo prestígio aos olhos dos homens, e conseguirem entreter o auditório com discursos suaves e lisonjas, com o Evangelho adulterado com as suas piadas espirituosas, são considerados servos do Senhor, homens que procuram a unidade das igrejas. E se tu não estás disposto a sufocar a verdade e a pisar a justiça como fazem eles e não dás a tua destra de comunhão a estes faladores vãos e rebeldes, então começas a ser mal visto e apontado como ‘o sectário’, e te é dito: ‘Irmão, está atento, porque a letra mata, mas o Espírito vivifica!’ Com certeza, o antigo pacto mata (porque está escrito: “O pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou” [Rom. 7:11]), mas as palavras de Cristo e as dos apóstolos não. As coisas que matam são as suas estranhas doutrinas, a sua arrogância, as suas piadas espirituosas, as suas invejas, a dissolução a que se abandonam, os seus juízos injuriosos contra o diabo, os seus vãos raciocínios que fazem para anular a ordem sobre o véu e a relativa ao modo de vestir das mulheres, e não as sãs palavras que são segundo a piedade! As sãs palavras dos apóstolos não matam nem quem as ensina e nem quem as ouve e as põe em prática; porém perturbam e fazem ranger os dentes àqueles que não suportam a sã doutrina e viraram os seus ouvidos para outro lugar, para terem a todo o custo as multidões. Paulo disse a Timóteo: “Virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Tim. 4:3,4); e por aquilo que vemos que está acontecendo no meio do povo de Deus reconhecemos que “o tempo em que não suportarão a sã doutrina” (2 Tim. 4:3) de que falou Paulo é precisamente aquele em que estamos vivendo nós. Ouvindo muitos dos que se chamam doutores nos damos conta que são doutores que seguem os desejos da carne e que não andam de modo nenhum segundo os desejos do Espírito, com efeito, os seus discursos versam acerca de diversas e estranhas doutrinas que anulam a doutrina de Deus. Uma das características destes doutores que desviaram os ouvidos da verdade voltando aos falatórios profanos (que roem como gangrena tanto neles como nos seus seguidores) é de não quererem que o povo de Deus se atenha à verdade que nos foi transmitida pelo nosso Senhor primeiro e depois pelos apóstolos; falam de maneira a fazer perceber que eles possuem o conhecimento da verdade ‘actualizada’, como se as palavras de Jesus e as dos apóstolos necessitassem de ser actualizadas. Dizem frequentemente: ‘O Espírito Santo me revelou que…’, e procuram persuadir os ouvintes a aceitar as suas revelações que segundo eles explicam a Palavra; mas como se podem aceitar estas suas revelações quando elas em vez de confirmar a sã doutrina a anulam em diversos pontos? Elas não são revelações divinas e portanto não podem ser definidas nem parte da sabedoria de Deus e nem parte da ciência de Deus. Estes seus ensinamentos que eles dizem que o Espírito Santo lhes revelou não são mais que vaidades que jorram do seu entendimento carnal e imposturas do seu coração por isso não lhes deis ouvidos para não serdes enganados. Estes faladores vãos seguem a rebelião e estão à frente de comunidades, algumas das quais contam muitos membros; vão ouvi-los em grande número; estes que com astúcia enganam fraudulosamente despontaram e continuam a despontar como cogumelos no meio dos pastores das igrejas. Nós não nos admiramos disto porque nisto vemos o cumprimento destas palavras que o apóstolo Paulo dirigiu aos anciãos da igreja de Éfeso: “De entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Actos 20:30). Dilectos, guardai-vos destes maus obreiros e desviai-vos deles.

Ÿ Não quer ser perseguido por causa da justiça.

Pregar a sã doutrina que Paulo mandou ensinar a Timóteo e a Tito e que ele mesmo ensinava nas igrejas, significa ser perseguido e caluniado com toda espécie da palavras mentirosas. Mas aliás, não pode ser doutra forma porque Paulo diz que “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tim. 3:12). Por que razão pensais que Paulo disse a Timóteo: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo” (2 Tim. 2:3), e: “Sofre as aflições” (2 Tim. 4:5)? Porque ele sabia que Timóteo seria perseguido por aqueles crentes que não queriam ater-se às sãs palavras que Timóteo tinha ouvido de Paulo. É inevitável que se sofra ao proclamar as mesmas palavras do apóstolo Paulo, porque elas vão ‘contra a corrente’, ou melhor ‘contra o curso’ que seguem muitos crentes que perderam o desejo de se santificarem no temor de Deus. Estes crentes querem frequentar o local de culto, estão dispostos a fazerem alguma oferta, a evangelizarem, a fazerem alguma oração, mas não suportam ouvir dizer como se deve adornar a mulher para agradar a Deus, não querem que se fale do véu, não querem ouvir falar contra o impedir a concepção, contra os prazeres da vida e as diversões mundanas que eles amam, e isto porque querem ir ao culto e continuar a amar o mundo; se alguém se põe a fazer estes discursos, eles não ficam indiferentes e se mobilizam para o calarem ou pô-lo fora, ou fazê-lo passar como alguém que provoca divisões ou que prega a apostasia. É mesmo assim irmãos, sofre-se quando se prega a justiça.

Ÿ Não quer perder o sustento financeiro dos ricos.

A altivez e o orgulho estão muito difundidos entre os ricos. Ora, quando alguém procura a todo o custo ter o sustento financeiro de alguns ricos que são também altivos de ânimo, estai certos que fará renúncias para não se achar sem as suas ofertas em dinheiro. Uma das coisas boas a que decide renunciar um pastor que ensina por dinheiro é a de ensinar a sã doutrina de Deus. Não é pois de admirar se hoje em algumas igrejas há silêncio absoluto sobre alguns mandamentos dos apóstolos. Paulo diz que “o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males” (1 Tim. 6:10), e ninguém pode negar que alguns calam sobre muitas coisas precisamente porque amam o dinheiro. Estes sabem que se começassem a pregar o que nunca pregaram, alguns não lhes dariam mais o seu dinheiro; este medo os aprisiona e constitui para eles uma mordaça. Jesus disse: “Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13), e isto é verdade, porque alguém que prega a Palavra não pode servir ao mesmo tempo a Deus e ao seu ventre; todos aqueles que pensaram poder servir tanto a Deus como a Mamom foram achados a desprezar Deus e a sua sã palavra para agradarem aos homens no mal. Mamom é um senhor que não permite aos que o servem servir a Deus com integridade de coração, nem com sinceridade e nem com pura consciência; mas não lhes permite também confiar com todo o seu coração em Deus, de facto é manifesto que os que servem a Mamom, mesmo se pregam o Evangelho, usam a astúcia, praticam a falsidade, não se apoiam no poder de Deus mas na força persuasiva que tem o dinheiro e não procuram de maneira nenhuma ter uma boa consciência diante de Deus e dos homens. Sobre esta terra se pode enriquecer também pregando o Evangelho! Há os que conseguiram; certo se desviaram e corromperam (e pregam ainda) e agora estão cheios de ais, porém conseguiram construir o seu império na terra. Mamom é um senhor que leva os que o servem a andarem por caminhos tortuosos. Mas já vos perguntastes alguma vez por que é que “os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas” (1 Tim. 6:9)? Porque quem quer enriquecer se pôs a amar o dinheiro, isto é, se pôs a fazer o que Deus manda para não fazer (conforme está escrito: “Não sejais amantes do dinheiro” [Heb. 13:5]) e é pago pela transgressão, na qual tem prazer, com a morte. Que pensais? Que alguém que prega o Evangelho e ama e serve o dinheiro esteja vivo espiritualmente? De maneira nenhuma, porque está escrito que “o salário do pecado é a morte” (Rom. 6:23). Pode ter nome de que vive mas está morto; disto estai certos.

Ÿ Não quer perder votos nas eleições.

É um dado de facto; quem quer agradar aos homens não pode agradar a Deus, porque os desejos dos homens carnais se opõem aos desejos de Deus. Hoje, em muitas igrejas há o hábito de realizar periodicamente eleições para reeleger o pastor, portanto quem quer o voto dos hipócritas e dos rebeldes que dominicalmente fazem a sua aparição no local de culto vestidos elegantemente com o seu falso sorriso e com as suas falsas palavras, sabe que deve calar sobre diversas coisas que dizem respeito à sã doutrina para não ‘chateá-los’ e para não perder o seu ‘amen’. O que acontece no ‘mundo da política’ mostra-nos o que alguns estão dispostos a dizer e a fazer para obterem o voto dos fora-da-lei. Sabeis quanto valem os votos para um candidato nas eleições políticas? Muito. Sabeis quantas vezes os juízes descobriram que alguns conseguiram alcançar uma certa posição social porque se tinham aliado com aqueles que abominavam a lei? Muitas. Sabeis quantas vezes os juízes descobriram que autoridades, para terem o voto, tinham comprado os votos ou os tinham recebido porque tinham prometido aos seus eleitores transgredir a lei que elas deviam defender? Muitas. No seio do povo de Deus infelizmente alguns pastores agem da mesma maneira para poderem continuar a ocupar a sua posição, com efeito, anulam a sã doutrina de Deus para comprazerem aos rebeldes e obterem assim o seu precioso e decisivo voto nas eleições. Sim irmãos, os compromissos, também são feitos na igreja; e sabeis quem é prejudicado por meio deles? A igreja de Deus, e disto se vêem as consequências. Um homem de Deus que quer ater-se à sã doutrina, a quem não importa nada nem o dinheiro e nem o voto dos rebeldes, quando prega se distingue de maneira evidente daqueles que, ao contrário, não estão dispostos a renunciar ao dinheiro e aos votos de alguns, porque prega movido por sinceridade todo o conselho de Deus, sem nenhum interesse pessoal, mas só com o intuito de apresentar todo o homem perfeito em Cristo. Por que é que os apóstolos Paulo, Silvano e Timóteo podiam dizer aos Tessalonicenses: “Como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza; Deus é testemunha; e não buscamos glória dos homens, nem de vós, nem de outros…” (1 Tess. 2:5,6)? Porque eles serviram a Deus, e não a Mamom; eles buscaram a glória que vinha de Deus e não a que vinha dos homens.

Sofre-se muito, se se quiser servir a Deus na pregação da Palavra como fizeram os santos apóstolos, porque se tem que renunciar às coisas que por vergonha se ocultam e à glória dos homens; porém por outro lado se é honrado por Deus, e recompensado por Deus de muitas maneiras.

Por que são odiados e perseguidos os que pregam a verdade e reprovam as obras infrutuosas das trevas 

Agora, vos mostrarei, tomando o exemplo de Jesus, de João Batista, de Estevão, do apóstolo Paulo e dos profetas, por que são perseguidos os homens de Deus que dizem a verdade e levantam a sua voz como uma trombeta para fazerem conhecer aos rebeldes as suas obras más e as suas mentiras com o intuito de fazê-los voltar para o Senhor. Vós deveis sempre ter presente que quem diz a verdade e prega a justiça dá fastio a alguém. A luz dá fastio às trevas, e de facto aqueles que andam na luz e ao mesmo tempo pregam o fruto da luz (que consiste em tudo o que é bondade, justiça e verdade) não são agradáveis de modo algum àqueles que andam nas trevas, porque eles nos seus discursos reprovam as obras infrutuosas das trevas. Jesus disse: “Todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (João 3:20); não é porventura o que sucede ainda hoje?

Ÿ O mundo odiou Jesus Cristo, e o odiou sem razão para que fosse cumprida a palavra escrita na lei dos Judeus que diz: “Odiaram-me sem causa” (João 15:25; Sal. 69:4). Quero que reflictais sobre isto: Jesus, Aquele que não conheceu pecado, porque “nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca” (Is. 53:9) foi odiado pela sua geração sem nenhum motivo. E que motivo havia para odiar um homem que andou fazendo o bem e curando todos os que estavam debaixo do domínio do diabo? Que motivo havia para odiar um homem que nunca procurou o seu próprio proveito mas sim o dos outros para que fossem salvos? Que motivo havia para odiá-lo? Nenhum; no entanto nós sabemos que lhe foi dado mal pelo bem e ódio pelo seu amor. Agora vejamos a razão pela qual Jesus foi odiado e morto por aquela geração incrédula e pecadora. Um dia Jesus disse aos seus irmãos: “O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más” (João 7:7). Jesus, com estas palavras fez perceber claramente por que foi odiado de morte pelo mundo. Ele, na sua geração, testemunhou do mundo que as suas obras eram más; ele reprovou as obras infrutuosas das trevas sem meios termos, e isto não agradou aos que andavam nas trevas e amavam as trevas, os quais o odiaram. Está escrito em João que os Judeus “perseguiram Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas (milagres e curas) no sábado” (João 5:16), e ainda que “os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5:18). Ora, os Judeus odiaram Jesus porque em dia de sábado curou quem necessitava de cura; mas que mal havia nisso? Nenhum, porque, como disse Jesus, é “lícito fazer bem nos sábados” (Mat. 12:12). Jesus defendeu o seu operar curas no sábado em diversas ocasiões; numa destas disse aos Judeus: “Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha?” (Mat. 12:11,12). Diante destas palavras os Judeus não puderam replicar e os Fariseus depois de tê-las ouvido “formaram conselho contra ele, para o matarem” (Mat. 12:14); eles nunca conseguiram demonstrar que Jesus transgrediu o mandamento do sábado e que o que ele dizia era falso; e como poderiam fazê-lo? Com as Escrituras porventura? Nem tampouco com elas, porque elas testificavam que era lícito fazer o bem nos sábados. Num sábado os Fariseus viram os discípulos de Jesus a colher espigas, e a comer, e lhe disseram que eles faziam o que não era lícito fazer num sábado. Quando Jesus os ouviu falar assim lhes respondeu com as Escrituras dizendo-lhes: “Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes?  Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?” (Mat. 12:3-5) Jesus demonstrou assim aos Fariseus que o que tinham dito era falso; ele lhes o demonstrou com os Escritos sagrados. Agradou aos Fariseus esta repreensão de Jesus? De maneira nenhuma, antes eles continuaram a odiá-lo mais do que nunca. Os Fariseus com os seus escribas ensinavam que num sábado não era lícito nem curar os enfermos e nem sequer colher espigas para comê-las quando se tinha fome; eles tinham entendido o mandamento relativo ao sábado de uma maneira errada e Jesus isso lhes o demonstrou. Aqueles que não manejavam bem a palavra da verdade contrastaram e odiaram aquele que a manejava bem, mas não levaram a melhor porque ficaram confundidos diante do Senhor; Ele tapou-lhes a boca e se cumpriu a Escritura que diz: “Toda a iniquidade tapará a boca” (Sal. 107:42). Uma outra razão pela qual os Judeus odiaram Jesus foi porque Ele chamava Deus seu Pai. Numa ocasião, os Judeus, depois de terem ouvido dizer a Jesus: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30), pegaram em pedras para apedrejá-lo. No entanto Jesus disse a verdade quando chamou Deus seu Pai porque ele era o Filho de Deus, o Unigénito que estava junto do Pai antes da fundação do mundo. Disse a verdade mas não foi crido, antes foi odiado, perseguido e por fim morto. Mas por quem foi odiado? Não pelos seus discípulos que tinham crido n`Ele, mas pelo mundo, pela descendência do diabo, que amou a mentira mais do que a verdade. Também quando os Judeus acusaram Jesus de blasfemar porque chamava Deus seu Pai, Jesus lhes demonstrou com as Escrituras que o que dizia era verdade e não mentira. Ele disse-lhes: “Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” (João 10:34-36; Sal. 82:6) Agradaram estas palavras aos Judeus? De maneira nenhuma, antes eles procuraram prendê-lo; mas ele lhes escapou das mãos. Jesus foi odiado pelos escribas e pelos Fariseus também porque ele os repreendeu por causa da sua hipocrisia e maldade: disto, temos uma prova no seguinte relato feito por Lucas: “E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa. Mas o fariseu admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar. E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade. Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior? Antes dai esmola do que  tiverdes, e eis que tudo vos será limpo. Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras. Ai de vós, fariseus, que amais os primeiros assentos nas sinagogas, e as saudações nas praças. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! que sois como as sepulturas que não aparecem, e os homens que sobre elas andam não o sabem. E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes isso, também nos afrontas a nós. E ele lhe disse: Ai de vós também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas. Ai de vós que edificais os sepulcros dos profetas, e vossos pais os mataram. Bem testificais, pois, que consentis nas obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros. Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração. Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam. E, dizendo-lhes ele isto, começaram os escribas e os fariseus a apertá-lo fortemente, e a fazê-lo falar acerca de muitas coisas, armando-lhe ciladas, e procurando apanhar da sua boca alguma coisa para o acusarem” (Lucas 11:37-54). Nesta ocasião os escribas e os Fariseus, depois de terem sido admoestados severamente por Jesus, procuraram apanhá-lo nas suas palavras armando-lhe ciladas; esta é uma clara demonstração do ódio que eles nutriam para com a luz porque ela punha a descoberto as suas obras más reprovando-as. Como podeis ver Jesus foi odiado por muitos do povo judaico por ter dito a verdade, e pelos escribas e pelos Fariseus porque teve a coragem de repreendê-los por causa das suas obras más.

Ÿ João o Batista era um homem cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe, e de quem Jesus, que desceu do céu, deu este testemunho: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista” (Mat. 11:11). João foi enviado por Deus para dar testemunho da luz, e embora ele não fosse a luz, ele foi um luminar nesse mundo de trevas; um homem santo e justo que veio adiante de Cristo para preparar-lhe o caminho, exortando o povo a arrepender-se e a crer n`Aquele que vinha depois dele, isto é, em Jesus. Foi porventura amado João o Batista pelo mundo de então? De maneira nenhuma, porque Jesus disse: “Veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demónio!” (Mat. 11:18). Agora vos mostrarei como João foi odiado por ter dito a verdade e ter reprovado o mal. Lucas diz a propósito de João: “Com muitas outras exortações ainda, anunciava o evangelho ao povo. Mas o tetrarca Herodes, sendo repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que havia feito, acrescentou a todas elas ainda esta, a de encerrar João no cárcere” (Lucas 3:18-20). João o Batista repreendeu Herodes por causa de Herodias dizendo-lhe: “Não te é lícito ter a mulher de teu irmão” (Mar. 6:18), e também por causa de todas as suas maldades. Agradou esta repreensão a Herodes? De modo nenhum, na verdade este rei se sentiu tão incomodado e indignado que deteve João e o pôs na prisão. Herodes fazia o mal e vivia no adultério, mas João, o mensageiro de Deus, não fingiu que não via, não se calou, mas levantou a sua voz como uma trombeta para fazer conhecer a Herodes as suas maldades. Marcos diz que “Herodias lhe guardava rancor e queria matá-lo” (Mar. 6:19), portanto não só a Herodes não agradaram as palavras de João, mas também a Herodias. Veio depois o dia que João perdeu a cabeça de sobre o seu pescoço por ter dito a verdade…mas não a sua alma porque ele, segundo as palavras de Jesus, está no reino dos céus.

Ÿ Estevão era um homem cheio de Espírito Santo, de graça e de poder e “fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (Actos 6:8), e como os Judeus “não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava” (Actos 6:10), eles se levantaram contra ele e arrebatando-o, o levaram diante do Sinédrio onde apresentaram falsas testemunhas para acusá-lo. Diante do Sinédrio Estevão fez um discurso com o qual recordou a todos os seus ouvintes como os seus pais se tinham rebelado a Deus tanto no Egipto como no deserto onde desobedeceram a Moisés e se deram à idolatria. Antes de terminar o seu discurso, ele dirigiu esta severa admoestação aos Judeus que o ouviam: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim fazeis também vós. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas; vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes” (Actos 7:51-53). Estas palavras fizeram enraivecer os Judeus (conforme está escrito: “E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele” [Actos 7:54]) que “gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam” (Actos 7:57,58). Este de Estevão é um outro exemplo que mostra como quem diz a verdade aos filhos da desobediência e os repreende atrai o seu ódio.

Ÿ O apóstolo Paulo foi odiado e perseguido tanto pelos Judeus como pelos Gentios. Pelos Judeus foi perseguido porque ele lhes testemunhava que Jesus era o Cristo; eles o contrastavam e blasfemavam quando o ouviam falar acerca da morte do Senhor Jesus e da sua ressurreição. Em Damasco, como Paulo lhes demonstrava que Jesus era o Cristo, eles “deliberaram entre si matá-lo. Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo” (Actos 9:23,24), o qual escapou das suas mãos porque os discípulos “tomando-o de noite, desceram-no pelo muro, dentro de um cesto” (Actos 9:25). Em Jerusalém, os Gregos, com os quais ele discutia, “procuravam matá-lo.  Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso” (Actos 9:29,30). Também em muitas outras cidades, como Antioquia da Pisídia, Icónio, Listra, Tessalónica, e Beréia o apóstolo Paulo foi perseguido pelos Judeus desobedientes e tudo isto por causa do Evangelho que ele anunciava. Ele desejava o bem dos Judeus porque desejava que eles fossem salvos, enquanto eles procuraram o seu mal porque não suportavam a Palavra da graça que ele pregava. Paulo foi perseguido também pelos Gentios; em Éfeso por exemplo houve um alvoroço precisamente por causa da sua pregação contra os ídolos. A Escritura diz: “E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices, aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; e bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios! E encheu-se de confusão toda a cidade …” (Actos 19:23-29). Como podeis ver as palavras de Paulo não agradaram aos artífices que tiravam lucro da construção dos nichos de Diana porque elas fizeram diminuir as vendas dos nichos de Diana; mas além disso as suas palavras não agradaram porque muitas pessoas, tendo compreendido não eram deuses os que se fazem com as mãos  e que Deus não habitava em templos feitos por mãos de homens, tinham deixado de ir ao templo de Diana oferecerem-lhe o seu culto, e isto significava para muitos espoliar a deusa Diana da sua majestade.

Ÿ Amós era um dos pastores de Tecoa que Deus tomou e enviou ao seu povo para repreendê-lo e conjurá-lo a voltar para Ele. Ele reprovou as injustiças que os Israelitas cometiam naquele tempo; entre as coisas que disse estão estas: “Pois sei que são muitas as vossas transgressões, e graves os vossos pecados; afligis o justo, aceitais peitas, e na porta negais o direito aos necessitados… vós aos nazireus destes vinho a beber, e aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis” (Amós 5:12; 2:12). Ele fez conhecer aos Israelitas as suas transgressões e os repreendeu exortando-os a se arrependerem, com efeito, disse-lhes: “Buscai o bem, e não o mal, para que vivais,.. Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo” (Amós 5:14,15). Agradaram estas palavras de Amós aos rebeldes? De modo nenhum, com efeito, eles o odiaram por causa das suas repreensões porque Amós disse: “Odeiam na porta ao que os repreende, e abominam ao que fala sinceramente” (Amós 5:10). Além disso Amazias, sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: “Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá suportar todas as suas palavras. Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro” (Amós 7:10,11). Amós procurava o bem do rei e de todo o povo de Israel, mas foi acusado de conspirar contra o rei, mas não só, lhe foi ordenado também pelo mesmo sacerdote Amazias para não profetizar, com efeito, este lhe disse: “Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real” (Amós 7:12,13). Como podeis ver Amós foi odiado e perseguido por ter falado da parte de Deus a um povo que odiava a justiça mas amava a iniquidade.

Ÿ O profeta Hanani foi perseguido por ter repreendido o rei Asa por causa de uma coisa que este rei fez, a qual ele não deveria fazer. Ora, o rei Asa quando Baasa, rei de Israel, subiu contra Judá, tirou a prata e o ouro da casa do Senhor e os enviou a Ben-Hadade, rei da Síria, pedindo-lhe para se aliar com ele e romper a sua aliança com o rei de Israel para que o rei de Israel se retirasse assim dele. O rei da Síria lhe deu ouvidos e assim Baasa se retirou. Asa, em vez de confiar no seu Deus, como tinha feito no passado, confiou no rei da Síria, mas esta sua conduta não agradou a Deus que lhe enviou Hanani para repreendê-lo. “Veio Hanani, o vidente, a Asa, rei de Judá, e disse-lhe: Porque confiaste no rei da Síria, e não confiaste no Senhor teu Deus, por isso o exército do rei da Síria escapou da tua mão. Porventura não foram os etíopes e os líbios um grande exército, com muitíssimos carros e cavaleiros? Confiando tu, porém, no Senhor, ele os entregou nas tuas mãos. Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele; nisto, pois, procedeste loucamente porque desde agora haverá guerras contra ti” (2 Cron. 16:7-9). Qual foi a reacção do rei a esta repreensão do profeta? Esta; “Asa se indignou contra o vidente, e lançou-o na casa do tronco; porque estava enfurecido contra ele, por causa disto” (2 Cron. 16:10). Ainda uma vez vemos como quem fala da parte de Deus é perseguido injustamente.

Ÿ Zacarias, filho do sacerdote Jeoiada foi morto pelos Judeus aos dias do rei Joás; vejamos a razão. Depois da morte do sacerdote Jeoiada, o rei Joás deu ouvidos aos príncipes de Judá e juntos abandonaram a casa de Deus e se voltaram para os ídolos das nações circunvizinhas. Isto não agradou a Deus que lhes enviou profetas que protestaram contra a sua conduta, mas eles não quiseram ouvi-los. Entre os que naquele tempo falaram ao povo rebelde da parte de Deus esteve precisamente também Zacarias, o filho de Jeoiada, o qual um dia foi revestido pelo Espírito de Deus e disse ao povo: “Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do Senhor, de modo que não possais prosperar? Porque deixastes ao Senhor, também ele vos deixará” (2 Cron. 24:20). Qual foi a reacção dos que o ouviram falar dessa maneira? Esta; “conspiraram contra ele, e o apedrejaram por mandado do rei, no pátio da casa do Senhor” (2 Cron. 24:21). Zacarias foi um outro daqueles homens que foi odiado por ter dito a verdade e ter repreendido homens rebeldes que não queriam ouvir a lei de Deus.

Ÿ Jeremias foi constituído por Deus profeta na sua mocidade, e enviado por Deus ao povo de Judá e aos habitantes de Jerusalém para fazer-lhes conhecer as suas transgressões e para fazê-los voltar para Ele. Ele repreendeu os Judeus por causa dos seus adultérios, das suas mentiras, da sua idolatria, das suas roubalheiras e de todas as suas injustiças. Foi amado por isso? De maneira nenhuma; no entanto procurou o bem do povo, porque lhe falou da parte de Deus, dizendo-lhe a verdade e não lisonjeando-o como, ao contrário, faziam os falsos profetas. Os rebeldes conspiraram para matá-lo, com efeito, ele disse a tal propósito: “O Senhor me fez saber, e assim o soube; então me fizeste ver as suas acções. E eu era como um cordeiro, como um boi que levam à matança; porque não sabia que maquinavam propósitos contra mim, dizendo: Destruamos a árvore com o seu fruto, e cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória do seu nome” (Jer. 11:18,19). Os de Anatote que buscavam a sua vida lhe ordenaram para não profetizar, com efeito, lhe disseram: “Não profetizes no nome do Senhor, para que não morras às nossas mãos” (Jer. 11:21); o povo rebelde o amaldiçoou, com efeito, ele disse: “Nunca lhes emprestei com usura, nem eles me emprestaram com usura, todavia cada um deles me amaldiçoa” (Jer. 15:10), e entre os que amaldiçoaram este profeta estiveram também os príncipes dos Judeus que disseram ao rei Zedequias estas palavras sobre Jeremias: “Morra este homem, visto que ele assim enfraquece as mãos dos homens de guerra que restam nesta cidade, e as mãos de todo o povo, dizendo-lhes tais palavras; porque este homem não busca a paz para este povo, porém o mal” (Jer. 38:4). O profeta Jeremias disse ao povo a verdade, compareceu na presença de Deus para falar em favor do povo e para desviar a sua indignação de cima dele, no entanto foi acusado de não buscar a paz do povo mas o mal; também ele, como os outros profetas, foi caluniado e amaldiçoado; também a ele foi dado ódio pelo seu amor, e mal pelo seu bem. O motivo? Porque o povo e os seus principais não suportaram as suas palavras.

Irmãos, sabei que como os antigos profetas foram odiados pelos Judeus rebeldes porque falaram da parte do Senhor, assim quem diz a verdade a este mundo de trevas, atrai inevitavelmente o seu ódio. Agora vos explicarei a razão pela qual isto acontece. Nós filhos de Deus estamos, pela graça de Deus, em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo, com efeito, Paulo escrevendo aos Tessalonicenses disse-lhes: “Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, que está em Deus nosso Pai e no Senhor Jesus Cristo” (2 Tess. 1:1); também João confirma que nós estamos na verdade quando diz que “no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus” (1 João 5:20). Se nós que fomos chamados das trevas para a maravilhosa luz de Deus estamos na verdade e a verdade está em nós, os que ainda estão debaixo do poder das trevas no que estão? Eles jazem no maligno conforme está escrito: “Todo o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19). Ora, sabendo que o diabo “é mentiroso, e pai da mentira” (João 8:44) e que ele “não se firmou na verdade, porque não há verdade nele” (João 8:44), por conseguinte, também todos os que jazem nele estão na mentira e a verdade não está neles. Ora, vós deveis saber que o diabo odeia a verdade e aqueles que proclamam a verdade, e que ele conseguiu transmitir ao mundo (que está debaixo do seu poder) este ódio pela verdade e pelos que proclamam a verdade. Por isso não nos devemos admirar se o mundo nos odeia, conforme está escrito: “Meus irmãos, não vos admireis se o mundo vos odeia” (1 João 3:13), justamente porque o mundo jaz naquele que odeia a verdade e ama a mentira. Por que é que os Judeus desobedientes odiaram Jesus, o perseguiram e por fim o mataram? Porque eles estavam debaixo do poder de Satanás, com efeito, Jesus disse-lhes: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (João 8:44); por que é que eles não puderam dar ouvidos às suas palavras? Porque eles não eram de Deus, mas do diabo, com efeito Jesus disse-lhes: “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus” (João 8:47). Por que é que os falsos profetas que negam que Jesus Cristo veio em carne, que negam que ele é Deus e que negam que ele é o Cristo e o Filho de Deus são ouvidos pelo mundo? Porque eles são “do mundo, por isso falam como quem é do mundo, e o mundo os ouve” (1 João 4:5). Não nos devemos portanto admirar se aqueles que jazem no diabo ouvem quem diz mentiras e não ouvem quem lhes diz a verdade; não nos devemos admirar nem tampouco do facto de os do mundo dizerem bem destes falsos profetas que pregam a mentira, enquanto, mentindo, dizem todo o mal contra nós que dizemos a verdade. João diz: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve” (1 João 4:6); eis como se reconhecem aqueles que são dos nossos e aqueles que não são dos nossos; eis como se reconhecem aqueles que estão na verdade e aqueles que estão no erro. Não vos podeis enganar seguindo a palavra de Deus; se ela diz que quem conhece a Deus nos ouve enquanto quem não conhece a Deus não nos ouve, estai seguros que é assim.

Nós somos odiados e perseguidos pelos católicos romanos; por que acontece isto? Porque lhes dizemos que a salvação não se obtém por meio das obras da lei, mas somente por meio da fé em Cristo Jesus; que Maria, a mãe de Jesus, embora estando agora no céu, não tem de modo algum o poder de fazer de mediadora entre Deus e os homens, e não tem o poder de fazer nada em favor dos homens que a invocam na terra, por isso é inútil orar a ela; que quem ora e adora a Maria é um idólatra e não um cristão, que deve arrepender-se e crer em Jesus Cristo para ser salvo dos seus pecados; que o purgatório é um lugar que não existe; que aquele que eles chamam ‘papa’ e ‘santo padre’, não é o vigário de Cristo, mas somente um homem longe de Deus que deve reconciliar-se com Deus para ser salvo da ira vindoura; que os padres não têm o poder de perdoar os pecados a ninguém; que as estátuas que eles fabricam e adoram são ídolos que eles devem abandonar porque são abomináveis para Deus; que a tradição católica romana no curso dos séculos não fez mais do que anular a Palavra de Deus e conduzir milhões e milhões de pessoas ao inferno. Nós lhes dizemos a verdade demonstrando-lhes as coisas que dizemos pelas Escrituras, mas eles não querem ouvir e nos acusam de sermos os destruidores do cristianismo, a praga que arruinou ‘o mundo cristão’. Os crentes que saíram da organização católica romana são para eles ovelhas que se desgarraram porque deixaram o aprisco (segundo eles o aprisco é aquela que eles chamam ‘a única e verdadeira igreja de Deus’), e segundo eles deveriam voltar para o aprisco. Mas eles não deixaram o aprisco do Senhor, mas sim um cárcere no qual estavam prisioneiros de Satanás e do qual o Pai da glória os fez sair para fazê-los entrar no reino do seu Filho amado, em quem todos nós temos a redenção e a remissão dos pecados; não, eles não voltarão ao vómito; não, os santos não querem voltar a revolver-se no lamaçal da tradição dos católicos romanos; nós continuaremos a dizer aos católicos romanos com quem falamos: “Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mar. 1:15), e: “Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Cor. 6:17,18; Is. 52:11). O repito: Não vos admireis se aqueles que jazem no erro vos odeiam porque lhes dizeis a verdade.

As falsas testemunhas (aqueles que se auto-definiram sem nenhum direito de fazê-lo: Testemunhas de Jeová) nos odeiam; sim, mesmo se nos sorriem e se mostram gentis quando nos encontram, eles nos odeiam e dizem todo o mal contra nós; por que acontece isto? Porque nós estamos na verdade e dizemos a verdade a eles que estão no erro, demonstrando pelas Escrituras que as doutrinas que professam são falsas porque não são fundadas nas sagradas Escrituras, mas em vãos raciocínios humanos e nas suas arbitrárias interpretações das Escrituras. Mas nem ainda deste seu ódio por nós filhos de Deus nos admiramos porque sabemos que no curso dos séculos, todos aqueles que se pregaram a si mesmos e as suas imposturas sempre odiaram aqueles que pregaram a Cristo e as suas fiéis palavras.

Os Muçulmanos nos odeiam também eles; e por que nos odeiam? Pelo mesmo motivo pelo qual nos odeiam todos os outros; porque nós lhes dizemos a verdade. Como os Judeus perseguiram Jesus porque chamava Deus seu Pai, assim os Muçulmanos nos perseguem a nós porque pregamos que Jesus Cristo é o Filho de Deus descido do céu para salvar o mundo, e que Ele (não um outro homem no seu lugar) morreu sobre a cruz pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia.

O mesmo discurso vale para os Budistas, os Hinduístas, os seguidores de Confúcio, os Satanistas, todos os aderentes das tantas e tantas seitas que existem sobre a face da terra, em outras palavras  para todos os que são de fora. O facto de terem nomes diferentes e de entre eles se diferenciarem por algumas práticas e doutrinas não nos deve enganar, porque eles vão todos terminar em Satanás. Aliás Satanás, no curso dos séculos, disse muitas mentiras por boca dos seus ministros, portanto era inevitável que surgissem tantas seitas, que mesmo se se distinguem entre elas na aparência (no vestir, nas suas doutrinas e nos seus costumes), na substância têm em comum isto: São filhas do mesmo pai, isto é, de Satanás, porque mentem e se gloriam contra a verdade, não operam a justiça e nos odeiam.

O mundo não nos odeia só porque lhe pregamos a palavra da verdade e confutamos todas as suas falsas doutrinas, mas também porque testemunhamos dele que as suas obras são más (conforme está escrito: “Todo aquele que faz o mal odeia a luz” [João 3:20], e ainda: “O que é recto no seu caminho é abominação para o ímpio” [Prov. 29:27]); mas por que é que os pecadores odeiam os justos? Porque os justos estão na luz e são luz, enquanto os pecadores estão nas trevas e são trevas. A luz do dia não é agradável nem aos ladrões, nem aos adúlteros, nem aos sodomitas, e nem a todos os que têm prazer a fazer coisas más no escuro, com efeito, eles esperam com ânsia o pôr do sol, para porem em prática os seus desígnios iníquos. Sim, sobre a face da terra há multidões de homens que esperam que desçam as trevas para se porem a fazer aquilo que a luz do dia lhes impede de fazer durante o dia. A luz é para eles um impedimento, por isso eles amam as trevas mais do que a luz, porque nas trevas eles se conseguem mover com muita mais liberdade; eles se sentem em paz durante a noite mas não durante o dia. Jó sabia isto e o disse nestes termos: “Há os que se revoltam contra a luz; não conhecem os caminhos dela, e não permanecem nas suas veredas. O homicida se levanta de madrugada, mata o pobre e o necessitado, e de noite torna-se ladrão. Também os olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, dizendo: Ninguém me verá; e disfarça o rosto. Os ladrões, nas trevas minam as casas; de dia se conservam encerrados; não conhecem a luz. Porque a manhã para todos eles é como sombra de morte; pois, sendo conhecidos, sentem os pavores da escuridão” (Jó 24:13-17). Portanto os malvados odeiam a luz (nós somos a luz do mundo) porque não querem que aquilo que fazem seja repreendido pela luz.

As pessoas do mundo que estão debaixo do poder das trevas quando nos ouvem falar contra os seus divertimentos, contra os prazeres da vida, contra as suas injustiças, contra a vaidade, e contra a obscenidade se enfurecem e começam a zombar de nós; por que acontece isto? Deve também haver uma razão. Pois bem, a razão é porque nós que somos luz no Senhor, falamos contra aquilo que elas amam e a que não querem renunciar porque é ‘a sua vida’, o que de melhor têm (dizem elas) e lhes demonstramos com a Palavra de Deus, e não com as nossas palavras, que aquilo que fazem e dizem é vão, nocivo, e abominável para Deus. Dizei à gente do mundo que fazem bem em ir dançar, em fumar, em dizer palavrões, em contar gracejos indecentes, em cometer adultérios, em roubar, em mentir para encobrir as suas más acções, em ambicionar coisas altas, em ver televisão, em jogar na lotaria, no totoloto, em se irem pôr seminus nas praias para se bronzearem, em impedir a concepção e em fazer tantas e tantas outras coisas inconvenientes e tereis todos por amigos, vos telefonarão, vos convidarão a irdes visitá-los, a irdes passar férias com eles, terão prazer em suma em estar convosco e em falar-vos. Mas dizei-lhes que todas estas coisas são vãs, danosas e não agradáveis a Deus que é santo e justo, e então se tornarão vossos inimigos; os que antes vos estimavam vos desprezarão; os que antes adoravam a vossa companhia detestarão estar convosco. Não vos iludais; recordai-vos que o mundo odiou Cristo, a Palavra de Deus que foi feita carne; e este ódio pela Palavra de Deus (que é uma lâmpada resplandecente neste mundo de trevas), o mundo continua a tê-lo em si e a manifestá-lo de várias maneiras. O mundo não ama nem nós e nem a Palavra de Deus, porque não conheceu Deus que é amor; se só uma parte do mundo nos amasse a nós, filhos de luz, e o nosso reprovar as obras infrutuosas das trevas, isso significaria que o diabo está dividido contra si mesmo; mas o seu reino está unido (é um dado de facto), por isso todo o mundo nos odeia.

Mas quem prega a verdade e a justiça é perseguido também por aqueles crentes que amam o mundo. Ora, julgai por vós mesmos o que digo: ‘Mas se alguém ama o mundo que está imerso no diabo (que é inimigo de Deus), e ama as coisas que há no mundo, a concupiscência da carne, a dos olhos e a soberba da vida, como poderá amar os que andam na luz e pregam a justiça? Como podem ter prazer na verdade e na justiça aqueles homens e aquelas mulheres que depois de terem crido começaram de novo a amar o mundo? Não podem, porque João diz: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15); estas palavras são fortes, mas ao mesmo tempo verdadeiras, porque é manifesto que os que amam o mundo não nutrem amor nem pelos irmãos, nem pela palavra de Deus. Sem o amor de Deus em nós não podemos amar nem Deus e nem os que foram gerados por ele; por isso não vos iludais, se derdes lugar ao amor pelo mundo nos vossos corações, o amor do Pai em vós virá a faltar, e vos achareis a amar o que agora odiais e a odiar o que agora amais. Os que amam vestir-se à moda, falar com gracejos indecentes, ir divertir-se como a gente do mundo indo aos concertos dos cantores do mundo ou ao cinema, ao teatro, ao estádio ver a partida, que amam ver televisão, irem-se pôr seminus nas praias, nos lagos e nos rios, que ambicionam coisas altas porque amam a soberba da vida, estes, segundo a Escritura, não têm o amor de Deus neles aperfeiçoado, e por isso quando ouvem o pastor ou também um crente que não é pastor falar contra estas coisas vãs que levam para longe do Senhor, se enfurecem, começam a ranger e a afiar os dentes contra ele e a dizer toda a sorte de mentiras contra ele. Não é porventura o que acontece?

Para vós que ainda não quereis renunciar às concupiscências mundanas: vós dizeis: ‘Mas isto não o devemos fazer, e aquilo também não; mas não podemos estar sempre a orar, a cantar, a ler a Bíblia, a falar do Senhor!’, e: ‘Mas se nos privarmos de todas estas coisas como viveremos?’ Certamente muito melhor, e não pior, porque começareis a dedicar o tempo que agora gastais ao serviço da vaidade, ao serviço de Deus e Deus vos abençoará grandemente. E depois vos pergunto: Mas que há de melhor do que fazer a vontade de Deus? Encontrastes porventura algum passatempo que vos faz passar o tempo melhor do que quanto faça a oração, a leitura da Palavra de Deus, o cantar a Deus, o falar do Senhor aos perdidos, o falar das coisas relativas ao reino de Deus com os irmãos, a comunhão fraterna, o fazer boas obras? Eu de modo nenhum creio que o encontrastes ou que o encontrareis, porque não há; portanto vos exorto a cairdes em vós mesmos e a abandonardes as vossas amadas vaidades que não fazem mais do que vos contaminar e vos roubar tempo precioso e dinheiro. É hora de acordardes do sono, vós que amais o mundo! “Tornei-me acaso vosso inimigo, porque vos disse a verdade?” (Gal. 4:16), isto vos pergunto. Mas ainda que me tornasse vosso inimigo por vos ter dito a verdade, não me arrependerei de vos ter dito estas coisas. Nós continuaremos a vos dizer a verdade, nós continuaremos a soar a trombeta em Sião, porque vos amamos; vos falaremos com toda a franqueza sem lisonjear-vos porque não queremos vos destruir ou vos enganar; continuaremos a repreender-vos porque o amor de Cristo que está em nós nos obriga a fazê-lo.

Hoje, no seio da igreja de Deus é preciso que muitos mais pastores, primeiro dêem eles mesmos o exemplo ao rebanho com o não amarem o mundo, e depois exortem a irmandade a não amar o mundo, como fazia João, um dos filhos do trovão (assim foram sobrenomeados por Jesus ele e seu irmão Tiago), que dizia: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo” (1 João 2:15); certo, são muitas as aflições que um ministro de Deus que se santifica e quer que a irmandade se santifique no temor de Deus padece; muitas vezes está triste e chora ao ver uma parte do povo que não quer voltar-se para o Senhor, outras vezes é tentado para não falar mais das coisas que não agradam aos rebeldes, outras vezes recebe ameaças; porém uma coisa é certa: Fazendo assim, isto é, ensinando todo o conselho de Deus, se salvará a si mesmo e aos que o ouvem, e naquele dia poderá gloriar-se de não ter trabalhado em vão, porque verá o fruto da sua obra.

Para quem busca o favor dos homens com as suas pregações

Tu dizes em teu coração: ‘Mas quem me faz dizer isto e aquilo? Sou conhecido, todos falam bem de mim e os meus discursos agradam!’. Quero-te dizer que quem te quer fazer dizer o que ainda não dizes por medo da reacção daqueles que te ouvem, é Deus, mas tu te opões ainda a ele. Vês claramente que ao local de culto vêm muitas mulheres vestidas como as meretrizes e não como mulheres que fazem profissão de servir a Deus; vês que elas são fonte de distracção para ti e para todos os outros; sabes bem que alguns dos que vêm são actores, bailarinos, membros de bandas musicais do mundo que tocam em festas e bailes; há também quem joga na lotaria, há quem cultiva tabaco, há quem vende cigarros, há também quem fabrica e vende jóias; sabes bem que os que te ouvem sabem o que dizem na televisão mas não sabem o que Deus ordena na sua Palavra; sabes também como os crentes se organizam para irem ao cinema, ao teatro, aos parques de diversão, à praia contaminarem-se; vês também como quase todos são amantes das coisas do mundo, altivos e vangloriosos e querem enriquecer; vês também como os irmãos praticam a chocarrice entre eles e com as irmãs; estas, e muitas outras coisas as vês e as sabes, mas não queres dizer nada, não queres exortá-los a abandonarem os seus maus caminhos para se consagrarem ao Senhor; porque tens medo que não venham mais ouvir-te e procurem uma comunidade onde estas coisas são aceites e toleradas; temes que não te saúdem mais, que te persigam e que não te dêem mais o seu dinheiro. Tu estás buscando o teu interesse e não o que é de Cristo; em vez de temeres a Deus tu temes os homens; tu não demonstras amar o povo de Deus porque toleras o mal que faz; tu não queres que ele se santifique porque tens prazer que permaneça tudo assim. Mas que pensas? Que Deus não veja tudo isto? Sabe que Deus não fechou os olhos como tu fizeste e o verás quando te repreender severamente se persistires na dureza do teu coração.

Irmão, arrepende-te, abandona este vão e danoso modo de agir, toma a trombeta que Deus te deu e que por muito tempo não soaste, toma-a e fá-la soar para que todos ouçam e acordem do seu sono; não demores, tu como sentinela não deves ficar indiferente diante deste espectáculo perverso que Satanás conseguiu com a sua astúcia introduzir no meio da irmandade. Sacode de cima o medo dos homens que te faz tremer e que te aprisiona, toma a espada do Espírito e levanta-te em favor da verdade e da justiça reprovando as obras infrutuosas das trevas; repreende os desordenados e contrista com palavras justas e verdadeiras os que fazem o mal para que se arrependam. Tu dirás: ‘Mas se faço isso me perseguirão e me afligirão!’ Sim, é assim, mas serás bem-aventurado porque serás perseguido por causa da justiça como o foram os profetas na antiguidade. Serás contado entre os corajosos e não mais entre os medrosos, e o Senhor te mostrará o seu favor e a sua ajuda; Ele te abençoará e te honrará diante dos teus adversários. Irmão, no meio das tuas lutas deverás ser forte, não deverás perder o ânimo; deverás sofrer também tu pelo Evangelho sustentado pelo poder de Deus. Sim, eu sei, aqueles que tu acreditavas serem teus amigos te começarão a ameaçar e a não se mostrarem mais teus amigos; também no seio da denominação de que tu fazes parte a tua carreira que estavas fazendo para alcançar uma certa posição de prestígio será interrompida. Humilha-te para te tornares grande aos olhos de Deus, e não busques exaltar-te agradando no mal aos rebeldes porque chegará o momento que Deus te tirará de cima do pedestal em que te puseste!

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