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Confutação de algumas heresias da Igreja Católica Romana sobre o matrimónio

iglesia

A doutrina dos teólogos papistas
 

O matrimónio foi elevado por Cristo à condição de sacramento; ele dá aos cônjuges a graça de viver santamente e de criar cristianamente os filhos. Não se pode contrair um verdadeiro matrimónio fora do sacramento. O controle dos nascimentos é admitido, mas sem fazer uso de contraceptivos. O matrimónio é indissolúvel, mas em alguns casos a igreja, em virtude de um poder divino, o pode dissolver e dar a faculdade de passar a segundas núpcias. A igreja admite os matrimónios mistos em certas condições. Segundo a doutrina da igreja romana ‘o Matrimónio é o Sacramento que une o homem e a mulher indissoluvelmente, ( como são unidos Jesus Cristo e a Igreja sua esposa), e dá-lhes a graça de santamente conviver e de educar cristianamente os filhos’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 569).

O matrimónio é um sacramento porque ‘Jesus Cristo o elevou à dignidade de Sacramento que confere graça’ (ibid. , pag. 569). Mas quando aconteceu esta elevação? Muitos teólogos não o sabem dizer; mas alguns consideram que isso aconteceu nas bodas de Caná da Galiléia onde Jesus mudou a água em vinho. Para sustento do matrimónio como sacramento os teólogos papistas tomam as seguintes palavras de Jesus: “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mat. 19:6), e as de Paulo: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra… Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja” (Ef. 5:25,26,31,32). E para quem não o aceita como sacramento há o seguinte anátema tridentino:

‘Se alguém disser que o Matrimónio não é em sentido verdadeiro e próprio um dos sete sacramentos da lei evangélica, instituído por Cristo, mas que foi inventado pelos homens na Igreja e que não confere graça, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXIV, can. 1). 

No Novo Manual do Catequista se lê:

‘O Matrimónio, para os cristãos, é Sacramento do qual, se assim podemos exprimir-nos, é depositária e administradora a Igreja; para eles não há Matrimónio legítimo ou verdadeiro fora do Sacramento. Por isso os fiéis não podem contrair verdadeiro Matrimónio fora do Sacramento’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 578).

Estas coisas Perardi as diz para afirmar que dado que o matrimónio administrado pela igreja católica é reconhecido pelo Estado Italiano também para efeitos civis, os Católicos não devem nem antes nem depois do matrimónio religioso ir fazer o acto civil, porque o matrimónio religioso é completo, e um semelhante acto ‘seria contrário à Doutrina cristã e grave irreverência ao próprio Sacramento e a Jesus Cristo que o quis Sacramento e como tal o confiou à sua Igreja’ (ibid. , pag. 578). Mas prosseguindo Perardi afirma também:

‘Mais culpados ainda seriam aqueles cristãos que não se casassem na igreja, mas só no cartório. De tal modo eles 1) Renegariam praticamente a Doutrina cristã; – 2) Fariam um Matrimónio nulo, pelo que não seriam casados e conviveriam em estado de pecado e portanto não poderiam nem aproximar-se dos Sacramentos, incapazes da absolvição enquanto não regularizarem com o Sacramento a sua condição; – 3) Constituiriam uma família sobre o pecado e a fariam viver no pecado como sobre fundamento; – 4) Em tais condições eles seriam públicos pecadores aos quais, em caso de morte, deveria ser negado também o enterro religioso’ (ibid., pag. 578). [26]

A igreja católica romana é a favor do controle dos nascimentos (que ela chama ‘paternidade responsável’). Eis o que se lê no livro Compêndio da moral católica: ‘Durante um certo número de dias por mês, antes e depois da ovulação feminina, é impossível a fecundação e a finalidade procriadora não pode pois ser realizada. Neste espaço de tempo (cuja determinação exacta é difícil de estabelecer), a Igreja admitiu que era de todo legítimo procurar a finalidade própria do amor com relações sexuais de per si infecundas (…) A igreja não é pela procriação a todo o custo: ela deixa inteiramente a decisão aos cônjuges: Pio XII o tinha recordado num célebre discurso de 1951: os esposos podem ser dispensados ‘daquela prestação positiva obrigatória (a de procriar), também por longo tempo, ou melhor, pela inteira duração do matrimónio, por sérios motivos, como os que se têm não raramente na chamada ‘indicação’ médica, eugénica, económica e social (…) A regra a seguir é então esta: se os esposos não querem filhos (por razões sérias), são livres de não os ter, mas podem ter relações sexuais só nos períodos de natural não fecundidade; devem, pelo contrário, abster-se durante o período fecundo, isto é, nos dias em que acontece a ovulação (…) Ao contrário são declarados ilícitos, gravemente proibidos, os meios contraceptivos que intervenham no desenvolvimento do ciclo feminil’ (Jean-Marie Aubert. Compendio della morale cattolica [Compêndio da moral católica], Cinisello Balsamo 1989, pag. 354,355) [ 27 ]. Depois de ter lido estas palavras não deveria grandemente surpreender se nesta nação tão católica, tão influenciada pelos padres, a média de crianças por família é tão baixa pois os papas decretaram ser coisa legítima para os casais não querer ter famílias numerosas. O magistério na substância diz: Não quereis ter muitos filhos? Não vos preocupeis, não cometeis pecado, basta que vos apoieis nos meios que nós vos sugerimos e não façais recurso aos contraceptivos, ao aborto e outro. Note-se porém que o magistério ensina também que em certos casos o casal pode decidir não ter de modo algum filhos.

 
No Código de direito canónico lê-se: ‘As propriedades essenciais do matrimônio são a unidade e a indissolubilidade que, no matrimônio cristão, recebem firmeza especial em virtude do sacramento’ (Código de direito canónico, can. 1056); e ainda: ‘O matrimônio ratificado e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder humano nem por nenhuma causa, exceto a morte’ (ibid., can. 1141). A igreja romana proclama portanto a indissolubilidade do matrimónio e de facto ela diz que nenhum dos cônjuges ‘enquanto o outro viver, pode passar a outras núpcias’. Nem em caso de um dos dois cometer adultério, de facto neste caso admite a separação perpétua entre os dois mas não a passagem a novas núpcias (há um anátema tridentino – Sess. XXIV, can. 7 – contra quem disser que a igreja erra ao ensinar que em caso de adultério marido e mulher não podem contrair um outro matrimónio enquanto o outro viver) [ 28 ]. Mas a igreja romana afirma também que ela pode dissolver o matrimónio em alguns casos; e de facto a sede pontifícia em diversos casos dissolve a seu agrado os matrimónios. Mas vamos examinar de perto esta doutrina da igreja romana. No livro de autoria de Cappellini Ernesto Curso de Direito Canónico II, (que possui o Imprimatur) de 1976 está escrito: ‘A dissolução do vínculo, por outro lado, é operado pela Igreja só excepcionalmente em determinados casos, na linha de uma doutrina que a própria Igreja sempre sustentou. A Igreja, de facto, sempre sustentou a indissolubilidade intrínseca do matrimónio, isto é, a absoluta impossibilidade que os próprios cônjuges dissolvam o seu matrimónio. Considera, pelo contrário, que a indissolubilidade extrínseca, ou seja, a que deriva da autoridade divina, não é de carácter absoluto e admite excepções. Neste sentido, portanto, a dissolução do matrimónio, operado pela Igreja em determinadas circunstâncias, como veremos, não corresponde a potestade ‘própria’ enquanto pura sociedade humana, mas a potestade ‘vicária’, concretizada em nome de Cristo, e que pressupõe uma especial concessão divina’ (Cappellini Ernesto, Corso di Diritto Canonico II [Curso de Direito Canónico II], Brescia 1976, pag. 161-162). Como podeis ver, por quanto respeita a esta indissolubilidade extrínseca ela não é absoluta; há na realidade excepções porque o papa em certas circunstâncias pode dissolver o matrimónio da parte de Deus. Alguém dirá: ‘Mas como pode permitir-se o papa fazer uma tal coisa?’ A resposta é: ‘Em virtude do poder de desligar (ou dissolver) e de ligar que ele diz ter recebido de Deus’! Portanto, o que se diz sucessor de Pedro pode dissolver, em certos casos, até o matrimónio! Antes de prosseguir e dizer quais são estes casos em que a igreja romana pode dissolver o matrimónio é bom fazer presente que a legislação canónica quando fala de divórcio não usa o termo divórcio mas o termo ‘dissolução do vínculo’; tudo isto, é evidente, para não fazer parecer que a igreja católica romana, em alguns casos, é a favor do divórcio portanto contra a indissolubilidade do matrimónio []. As circunstâncias em que, segundo a legislação canónica, a igreja romana pode dissolver o vínculo matrimonial são chamados impedimentos dirimentes e anulam o matrimónio entre batizados, o matrimónio de não batizados e o matrimónio misto. 
Elas são as seguintes.
1) A inconsumação: ‘O matrimônio não consumado entre batizados, ou entre uma parte batizada e outra não-batizada, pode ser dissolvido pelo Romano Pontífice por justa causa, a pedido de ambas as partes ou de uma delas, mesmo que a outra se oponha’ (Código de direito canónico, can. 1142). As razões da inconsumação podem ser diversas, entre as quais também a de impotência por parte de um ou de ambos os cônjuges porque, como diz o Código de direito canónico : ‘A impotência para copular, antecedente e perpétua, absoluta ou relativa, por parte do homem ou da mulher, dirime o matrimônio por sua própria natureza’ (ibid., can. 1084 – § 1. A esterilidade da mulher pelo contrário não dirime o matrimónio: ‘A esterilidade não proíbe nem dirime o matrimônio…’ (can. 1084 – § 3).
2) A ordem sagrada: ‘Tentam invalidamente o matrimônio os que receberam ordens sagradas’ (ibid.,can. 1087), isto significa que no caso do homem tornar-se padre, o uso das núpcias já contraídas torna-se ilícito e por conseguinte o matrimónio é dissolvido.
3) O voto solene: o Código de direito canónico afirma quanto segue: ‘Tentam invalidamente o matrimônio os que estão ligados por voto público perpétuo de castidade num instituto religioso’ (ibid.,can. 1088). Portanto quem entra nos Franciscanos ou nos Beneditinos, por exemplo, faz nulo o seu matrimónio.

4) O privilégio da fé: ‘O matrimônio celebrado entre dois não batizados dissolve-se pelo privilégio paulino, em favor da fé da parte que recebeu o batismo, pelo próprio fato de esta parte contrair novo matrimônio, contanto que a parte não-batizada se afaste. § 2. Considera-se que a parte não-batizada se afasta, se não quer coabitar com a parte batizada, ou se não quer coabitar com ela pacificamente sem ofensa ao Criador, a não ser que esta, após receber o batismo, lhe tenha dado justo motivo para se afastar’ (ibid., can. 1143). Este privilégio é chamado privilégio paulino porque a cúria romana diz que foi promulgado por Paulo quando disse: “Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não estão vinculados [ou sujeito à servidão] ….” (1 Cor. 7:12-15). Segundo a interpretação dada pelos teólogos papistas a estas palavras, se um dos cônjuges (que se casaram não batizados) se ‘converte’ e se batiza na igreja católica romana enquanto o outro não quer ‘converter-se’ nem coabitar pacificamente, o seu matrimónio é dissolvido; e a parte católica, com a dispensa pontifícia, pode passar a novas núpcias com uma parte católica (cfr. can. 1146) [ 30 ]. Segundo a cúria romana o objectivo da dispensa por privilégio paulino é o de salvar e preservar a fé do cônjuge convertido ao catolicismo.
5) Em favor da fé de um dos cônjuges ; neste caso, por graves situações conjugais, a igreja católica romana, para proteger a fé do cônjuge católico dissolve o matrimónio celebrado (com dispensa ou não do impedimento de disparidade de culto) entre a parte católica e a parte não batizada, ou seja, ela dissolve um matrimónio misto. Alguns casos de dissolução entre parte católica e parte não batizada: Pio XII, 18 e 24 de Julho de 1947, 30 de Janeiro de 1950; João XXIII, 21 de Fevereiro e 1 de Agosto de 1959 (cfr. Ernesto Cappellini, op. cit., pag. 175). Há uma outra situação em que o papa considera poder dissolver o matrimónio em favor da fé de um dos dois cônjuges e é o do matrimónio celebrado entre uma parte batizada não católica e a outra não batizada. Alguns casos de dissolução entre parte batizada não católica e parte não batizada: Pio XI, 2 de Abril, 10 de Julho e 5 de Novembro de 1924; Pio XII, 1 de Maio de 1950. A justificação que é apresentada para este agir do papa é esta: ‘A competência é justificada não só no caso em que a parte é católica mas também no outro caso em que a parte batizada não é católica, visto que a Igreja considera súbditos todos os que receberam um batismo válido em qualquer Igreja cristã, em virtude da sua unidade fundamental desejada por Cristo no momento em que constituiu uma só Igreja; unidade confiada por Cristo ao apóstolo Pedro e aos sucessores. A Igreja os considera súbditos, sobretudo por quanto respeita à concessão de direitos e privilégios ou graças, embora exclua os batizados não católicos de determinados deveres’ (ibid., pag. 176) [31 ]. Mas há mais, o papa considera ter o poder de dissolver também matrimónios entre não batizados sem prévia conversão de nenhum dos dois cônjuges mas apenas em favor da fé de terceira pessoa. Em outras palavras pode dissolver também o matrimónio entre Maometanos, entre Hebreus, etc [32].

6) O rapto : ‘Entre um homem e uma mulher arrebatada violentamente ou retida com intuito de casamento, não pode existir matrimônio válido, a não ser que depois a mulher, separada do raptor e colocada em lugar seguro e livre, escolhe espontaneamente o matrimônio’ (Código de direito canónico, can. 1089).

7) O delito: ‘Quem, com o intuito de contrair matrimônio com determinada pessoa, tiver causado a morte do cônjuge desta, ou do próprio cônjuge, tenta invalidamente este matrimônio’ (ibid., can. 1090 – § 1) [33 ].

Portanto, como podeis ver, a igreja romana proclama tanto a indissolubilidade do matrimónio como a sua dissolubilidade em alguns casos; como conciliar as duas coisas? É impossível fazê-lo, mas como de costume os teólogos católicos romanos com os seus sofismas conseguem fazer parecer duas coisas abertamente contraditórias entre elas ambas verdadeiras! E para quem recusa estes impedimentos dirimentes estabelecidos pela igreja católica romana há o seguinte anátema: ‘Se alguém disser que a igreja não podia estabelecer impedimentos dirimentes do matrimónio, e que errou ao estabelecê-los, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXIV, can. 4). 
A igreja católica romana permite os matrimónios mistos, isto é, permite aos seus fiéis casar com aqueles que ela chama Protestantes [34 ]. E isto porque também os considera meios que podem contribuir para aproximar as Igrejas evangélicas à católica, ou seja, que podem aproveitar ao ecumenismo que está em curso. Num documento de título Texto comum para uma direcção pastoral dos matrimónios entre católicos e valdenses ou metodistas subscrito a 16 de Junho de 1997 se lê que ‘o casal interconfessional pode contribuir para aproximar as comunidades, criando ocasiões de encontro, diálogo, intercâmbio e, se possível, momentos de comunhão. As comunidades, por sua vez, podem ajudar os casais interconfessionais promovendo o espírito ecuménico cada uma no seu interior e nas suas relações recíprocas, e oferecer ocasião para remover – o quanto possível – impedimentos e obstáculos de várias naturezas (teológica, jurídica, psicológica) que tornam difícil, a cônjuges de diferente confissão, viver juntos a sua vocação cristã’ ( Il Regno-documenti 13/’97, pag. 430-431). Até alguns anos atrás a igreja católica se um Católico quisesse casar com um Evangélico impunha a ambos, para a passagem da dispensa de disparidade de culto (dado que a diversidade de confissão religiosa era considerada um impedimento), condições contidas num documento intitulado Cauções que devem ser dadas a ambos os esposos para obterem a dispensa do impedimento de mista religião ou de disparidade de culto, que os esposos deviam assinar; ei-las.
Ÿ Para a parte católica:
Eu subscrita de religião católica, próxima a contrair matrimónio com… de religião… tocando o S. Evangelho declaro e juro:
1) Batizarei e educarei na religião católica todos os filhos e as filhas que terei da minha união com dito meu esposo;
2) Não me apresentarei nem antes nem depois para um semelhante acto de matrimónio diante do ministro de culto não católico;
3) Exigirei plena liberdade para mim e para os meus filhos em praticar a religião católica;
4) Procurarei quanto poder a conversão do meu esposo à religião católica.
Em fé desta minha promessa jurada subscrevo-me….
Ÿ Para a parte não católica:
Eu subscrito de religião…próximo a contrair matrimónio com… de religião católica, prometo com juramento no Santo nome de Deus:
1) de batizar todos os filhos e todas as filhas que terei da minha união com dita minha esposa.
2) de deixar livre a minha esposa na profissão da sua fé católica;
3) de nunca me apresentar para este meu matrimónio diante do ministro de culto não católico.
Prometo e juro observar no Santo Nome de Deus e em fé desta minha promessa jurada assino a presente acta… (citado por Nisbet Roberto in Ma il Vangelo non dice così [Mas o Evangelho não diz assim], Torino 1969, pag. 135-136). 
Mas, ‘o novo Código de direito canónico tirou o impedimento e, por quanto respeita à coerência religiosa e à educação dos filhos, exige apenas da parte católica a promessa de se comportar em conformidade com a sua fé e o dever de fazer notório tal empenho ao seu parceiro’ (Il Regno-documenti13/’97, pag. 433). Eis efectivamente quanto ele afirma a respeito dos matrimónios mistos: ‘O matrimônio entre duas pessoas batizadas, das quais uma tenha sido batizada na Igreja católica ou nela recebida depois do batismo, e que não tenha dela saído por ato formal, e outra pertencente a uma Igreja ou comunidade eclesial que não esteja em plena comunhão com a Igreja católica, é proibido sem a licença expressa da autoridade competente’ (Código de direito canónico , can. 1124), e ainda: ‘O Ordinário local pode conceder essa licença, se houver causa justa e razoável; não a conceda, porém, se não se verificarem as condições seguintes: 1° a parte católica declare estar preparada para afastar os perigos de abandonar da fé, e prometa sinceramente fazer todo o possível a fim de que todos os filhos sejam batizados e educados na Igreja católica; 2° informe-se, tempestivamente, desses compromissos da parte católica à outra parte, de tal modo que conste estar esta verdadeiramente consciente do compromisso e da obrigação da parte católica; 3° ambas as partes sejam instruídas a respeito dos fins e propriedades essenciais do matrimônio, que nenhum dos contraentes pode excluir’ (ibid., can. 1125).
 

Confutação
 

O matrimónio não é uma ordenança instituída por Cristo
 

Nós não aceitamos o matrimónio como ordenança instituída por Cristo, e isto porque o matrimónio não foi instituído por Jesus Cristo (como, pelo contrário, o foram o batismo e a ceia do Senhor) mas foi por ele apenas confirmado pois ele foi instituído por Deus no princípio da criação quando Deus fez com uma costela do homem uma mulher e a levou ao homem e disse: “Deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gen. 2:24). Certo, ele é uma coisa santa e justa instituída por Deus mas não podemos aceitá-lo como uma ordenança, isto é, como um rito ordenado por Cristo a par da ceia do Senhor e do batismo, também porque do ensinamento do Senhor Jesus e daquele do apóstolo Paulo emerge que o rito do matrimónio não é imposto a todos os que creram como antes o são o rito do batismo e o da ceia do Senhor. O batismo é obrigatório porque Jesus disse aos seus discípulos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo…” (Mat. 28:19), e: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mar. 16:16); e assim também a ceia do Senhor é obrigatória pois Jesus na noite em que foi traído, tanto quando deu o pão como quando deu o cálice aos seus discípulos disse: “Fazei isto em memória de mim” (1 Cor. 11:24,25): Mas a mesma coisa não se pode dizer do matrimónio porque Jesus não ordenou a todos casar porque admitiu que há alguns que receberam de Deus a graça de não contrair matrimónio conforme está escrito: “Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado” (Mat. 19:11), e também “Quem pode aceitar isso, aceite-o.” (Mat. 19:12); e isto o confirmou Paulo dizendo: “Quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra” (1 Cor. 7:7). 
O facto depois de as Escrituras representarem a união entre Cristo e a Igreja com o matrimónio entre o homem e a mulher não justifica de modo nenhum a definição de sacramento dada pelos Católicos ao matrimónio. Porque ele não é contraído para recordar ou para significar a união entre Cristo e a Igreja, mas apenas porque duas pessoas se amam e decidem querer viver juntas. E isto o recordamos remonta ainda a antes da vinda de Cristo. Se fosse por isso então seria necessário estabelecer como ordenanças muitas outras coisas entre as quais também a festa da Páscoa porque ela representa a nossa páscoa, isto é, Cristo, a qual foi imolada por nós. E quem poderia objectar alguma coisa ao facto de Jesus ter comido a Páscoa com os seus discípulos? Mas nós não nos permitimos estabelecer ordenança uma festa judaica como a Páscoa (que foi instituída por Deus como sombra de uma coisa que devia acontecer) só pelo facto de ela ter um inequívoco significado espiritual e porque Jesus mesmo a celebrou em observância à lei mosaica. 

Mas há a dizer também esta coisa, a saber, o facto de os Católicos terem chamado ao matrimónio sacramento é devido a um erro de tradução existente na Vulgata, ou seja, na tradução latina da Bíblia feita por Jerónimo, que é bom lembrar o concílio de Trento decretou que ‘se deve considerar como autêntica nas leituras públicas, nas discussões, pregações e exposições’ (Concílio de Trento, Sess. IV, segundo decreto). O erro é o seguinte: na carta de Paulo aos Efésios está escrito: “Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Pois nunca ninguém aborreceu a sua própria carne, antes a nutre e preza, como também Cristo à igreja; porque somos membros do seu corpo. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja” (Ef. 5:28-32), mas na Vulgata a palavra grega mysterion que significa mistério foi traduzida com a palavra latina sacramentum. E assim os Católicos romanos, como Paulo representou o amor que um marido deve ter pela sua mulher com o amor que Cristo manifesta pela sua Igreja que é o seu corpo, ajudados pela palavra sacramentum fizeram o matrimónio tornar-se um sacramento [ 35]. Esta é mais uma prova do quanto pode influir negativamente tanto a má tradução como a má interpretação de um só termo da Palavra de Deus! 

Por quanto respeita depois ao facto de eles dizerem que o matrimónio confere uma particular graça a quem o contrai não é verdade porque segundo a Escritura o matrimónio em si mesmo, não tendo-a, não confere a graça de conviver santamente e de criar cristianamente os filhos. 
Queria fazer agora considerações sobre o matrimónio.

Ÿ Como o batismo de crianças não confere nenhuma graça ao bebé porque é sabido que ele não nasce de modo algum de novo mediante esse derramamento de água sobre a sua cabeça; assim da mesma maneira o matrimónio não confere a graça, de que os teólogos papistas falam, aos que o contraem. 

Ÿ Os Católicos romanos que foram batizados por infusão não tendo ainda crido no Evangelho ainda que casem não podem conviver santamente e não podem criar cristianamente os seus filhos precisamente porque eles próprios não são ainda Cristãos porque vivem sem Cristo. Estão sem Cristo, vivem sem Cristo, como podem portanto cumprir a Palavra de Deus sem a graça de Deus? Só quando nascerem de novo serão capazes com a graça de Deus de viver santamente e de criar os seus filhos na admoestação do Senhor e em toda a disciplina; não antes. Para confirmação disto há todos os testemunhos daqueles casais (de ex-Católicos romanos) que se converteram ao Senhor e entraram assim a fazer parte da família de Deus os quais nos confirmaram ter começado a viver santamente e a criar os seus filhos cristianamente só depois da sua conversão tendo sido impossibilitados de fazê-lo antes por causa do pecado que os dominava e da escravidão da religião católica romana, falsamente chamada cristã. 
Os cônjuges crentes devem conviver de modo digno do Evangelho porque esta é a vontade de Deus conforme está escrito: “Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor” (Col. 3:18), e: “Vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações” (1 Ped. 3:7). E os pais devem criar dignamente os seus filhos conforme está escrito: “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef. 6:4). Todos estes são mandamentos que eles devem observar e os podem observar só com a graça que procede de Deus. Digo que eles podem observá-los com a graça que vem do Senhor porque Jesus disse: “Sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Por certo nós temos o matrimónio em honra como é justo que seja, mas não lhe atribuímos nenhuma graça santificante ou auxiliante como fazem os Católicos romanos, justamente porque ele, não tendo-a em si mesmo, não a confere. E depois, se o matrimónio é um sacramento, como os teólogos papistas dizem, como é que a igreja romana o proíbe aos padres? A resposta é: aos padres o matrimónio não conferiria nenhuma graça! Mas não é porventura esta uma das muitas contradições em que cai a cúria romana interpretando a seu agrado a Palavra de Deus? 

Uma palavra por fim a respeito da afirmação de Jesus ter elevado o matrimónio à dignidade de sacramento nas bodas de Caná da Galiléia. Ela é uma mentira porque a Escritura não diz nada a tal respeito; ela diz apenas que Jesus foi convidado para aquelas bodas com os seus discípulos e que enquanto participava nelas fez o primeiro dos seus milagres, mudou a água em vinho. Eis o que de certo Jesus fez naquelas bodas.  

Dilectos, como podeis ver os teólogos papistas não se rendem perante o facto de em nenhum lugar do Novo Testamento estar dito que Jesus instituiu o sacramento do matrimónio e atribuem a Jesus uma coisa que ele nunca fez para sustentar a sacramentalidade do matrimónio. Ainda uma vez se deve pois constatar quanto prejudicial é dar ouvidos a ensinamentos errados porque isso leva a fazer a Escritura dizer o que ela não diz atribuindo a Jesus ou aos apóstolos palavras e actos que eles jamais disseram e fizeram pondo-se assim contra a Palavra de Deus. 
 

Não é de modo nenhum verdade que o matrimónio civil não é um verdadeiro matrimónio ou é um matrimónio nulo
 

Era inevitável que a igreja católica romana elevando o matrimónio à condição de sacramento se pusesse a desprezar o matrimónio realizado apenas civilmente sem o seu rito religioso, ou seja, sem a sua função religiosa e benção. O bem vimos; para ela aqueles que não se casam num dos seus lugares de culto mas apenas no cartório renegam abertamente a doutrina de Cristo, fazem um matrimónio nulo pelo que viveriam em pecado e constituiriam uma família sobre o pecado, além de que não poderiam aproximar-se dos seus sacramentos, e quando morrem se lhes deveria negar o enterro religioso. 

Nós rejeitamos tudo quanto eles dizem a tal propósito porque procede do diabo que é pai da mentira. O matrimónio, não sendo uma ordenança ou um rito religioso que Cristo instituiu e do qual deixou a administração dele à sua Igreja, como no caso do batismo e da santa ceia, mesmo se é realizado só no cartório tem todo o valor daquele que é feito num lugar de culto da igreja católica ou num local de culto de uma Igreja evangélica. Digo no lugar de culto da igreja católica porque nós reconhecemos o matrimónio católico mesmo se não partilhamos a sua sacramentalidade, e no local de culto de uma Igreja evangélica porque hoje muitos pastores têm a autorização por parte do Estado de casar e ainda que não partilhemos que um pastor busque esta autorização estatal para se pôr a casar os crentes nós reconhecemos como plenamente válido esse matrimónio. 

A autoridade estatal tem o poder de casar dois cidadãos e como foi ordenada por Deus conforme está escrito: “As autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rom. 13:1) quando duas pessoas são por ela casadas são unidas por Deus e por isso o seu matrimónio é válido. Não importa nada se eles recusarem ir diante de um padre ou diante de um pastor para se casarem, o seu matrimónio permanece válido e quem ousar desprezá-lo porque é privado do rito religioso (seja católico ou evangélico) ou porque não feito exclusivamente diante de um ministro de culto reconhecido pelo Estado tendo poder de casar tem um comportamento errado diante de Deus do qual se deve arrepender. Compreendeis pois por que motivo muitos Católicos que nunca frequentam o seu lugar de culto quando se têm que casar têm que fazer-se casar pelo padre? Porque em caso contrário, isto é, se decidissem casar apenas civilmente, atrairiam a inimizade da igreja papista e as más palavras daqueles Católicos que consideram o matrimónio um sacramento instituído por Cristo pelo que ele é sagrado somente se ministrado por um padre. Também o sacramento do matrimónio portanto serve à cúria romana para manter escravas debaixo de si muitas almas.  
 

O controle dos nascimentos se opõe à Palavra de Deus porque Deus mandou ao homem e à mulher multiplicarem-se
 

A Escritura diz: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gen. 1:28), e noutro lugar que a mulher “salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer na fé, no amor e na santificação com modéstia” (1 Tim. 2:14,15). Estas palavras fazem claramente compreender que Deus ordena ao homem gerar e à mulher dar à luz filhos. Ter filhos por isso não é algo de facultativo mas de obrigatório aos olhos de Deus. Quantos filhos? Quantos Deus quiser dar; não é o marido e a mulher portanto a decidir quantos filhos ter mas Deus, isto significa que eles não devem fazer nada para impedir a concepção. Se deixe a Deus fazer o que Ele quer; que seja ele a impedir que a mulher fique grávida. Nunca se esqueça que Deus além de ser bom é sábio, justo e capaz de suprir a todas as necessidades e por isso aqueles cônjuges que confiam inteiramente a ele a planificação da sua família nunca virão a se arrepender de se terem abandonado nas mãos de Deus porque não ficarão nem confundidos e nem desiludidos. É verdade, serão provavelmente chamados (por alguns que se acham sábios e inteligentes) ingénuos, desprevenidos, animais irracionais, etc. mas isso acontecerá por causa da justiça e não porque eles são dados ao mal. Os filhos são uma herança que vem de Deus, e constituem um galardão, e são comparados pela Escritura a flechas na mão de um homem valente. E os que enchem deles a sua aljava são declarados bem-aventurados (cfr. Sal. 127:3-5). Sejam pois postas de lado as enésimas conversas vãs do magistério católico romano que enganam as pessoas. Ó Católicos romanos até quando ireis atrás desta doutrina perversa do magistério romano: convertei-vos dos vossos maus caminhos ao Senhor e ponde-vos a fazer filhos (não vos oponhais a Deus e não vos preocupeis porque será Deus mesmo a regular o seu nascimento e a providenciar tudo o que eles necessitam) e a criá-los no temor de Deus!
 

O vínculo matrimonial dissolve-se só com a morte de um dos dois; só então o homem ou a mulher podem contrair um outro matrimónio sem se fazerem culpados de adultério
 

Jesus disse: “Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio macho e fêmea, e disse: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mat. 19:4-6); fazendo claramente perceber que o homem não deve separar o que Deus uniu. Não é bastante claro? Mas que vão pois tagarelando os papas quando dizem que eles receberam de Deus o poder de dissolver os matrimónios? O Filho de Deus disse por ordem de Deus: “Não o separe o homem”, e o papa dos Católicos diz que em nome de Cristo pode dissolver os matrimónios! Em quem pois devemos crer? No papa? De maneira nenhuma; porque ele mente, como mentiram os seus predecessores. Ele não recebeu de Cristo nenhum poder de dissolver os matrimónios porque Cristo não pode negar-se a si mesmo. Cristo, depois de ter sido elevado ao céu, não mudou de ideias sobre a indissolubilidade do matrimónio, e não revelou a Pedro que ele tinha o poder de dissolver até os matrimónios em certos casos e que devia transmitir este poder aos seus sucessores. Esta é a razão pela qual nós rejeitamos e declaramos uma impostura a afirmação papal que diz que o papa pode dissolver o matrimónio em virtude da autoridade divina recebida de Cristo. Sim, sabemos que o papa usa as palavras que Jesus dirigiu a Pedro: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mat. 16:19) para defender a dissolução do matrimónio que ele opera; mas não nos admiramos nada deste seu ilegítimo uso destas palavras de Cristo. Basta considerar que no passado houveram papas como Gregório VII e Inocêncio III que pegaram nestas palavras para sustentar que o papa tinha recebido de Cristo o poder de estabelecer e depor reis e de dissolver os seus súbditos da obrigação de fidelidade para com eles (quando a Escritura afirma para estar sujeito às autoridades civis porque são estabelecidas por Deus), para perceber que não é de admirar aquilo que eles dizem a respeito do poder de dissolver o matrimónio. Mas prescindindo do facto de o papa não ter o poder de dissolver o matrimónio, ou seja, do facto de ele não ter recebido de Cristo a autoridade divina de conceder dispensas para o divórcio nos casos antes citados, queremos dizer algumas outras coisas.

Antes de tudo Jesus diz em Mateus que “qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério” (Mat. 19:9); e em Lucas: “Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera” (Lucas 16:18), o que significa que o homem tem o direito de deixar a sua mulher só se esta lhe for infiel, e depois de tê-la deixado, enquanto a sua mulher for viva, não tem o direito de contrair um novo matrimónio porque se o fizesse cometeria adultério ele próprio. Portanto a única causa legítima para deixar a própria mulher é o adultério; não se pode deixá-la por outras causas, porque quem o faz, a faz ser adúltera. Mas ainda que a mulher seja repudiada pelo marido com justa razão neste caso, o marido não pode passar a segundas núpcias, porque isso significaria para ele cometer adultério. No caso depois de a mulher se separar do marido ou porque este lhe foi infiel ou por outras razões, diz Paulo: “Que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido” (1 Cor. 7:11). Naturalmente a reconciliação (no caso de o marido lhe ter sido infiel), que implica também voltar a viver com o marido, pode acontecer só no caso de o marido pedir perdão e abandonar o seu pecado. As novas núpcias são proibidas à mulher que se separa do marido também no caso desta separação acontecer por causa da infidelidade do marido; porque a Escritura diz: “A mulher está vinculada [ou ligada pela lei] todo o tempo que o seu marido vive” (1 Cor. 7:39), e também que “enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem” (Rom. 7:3). Também neste caso só a morte do marido dissolve o vínculo matrimonial e permite à mulher voltar a casar-se conforme está escrito: “Mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido” (Rom. 7:3). É a morte, e nada mais que dissolve o matrimónio; portanto o papa dos Católicos dá o aval para o adultério quando dá a dispensa para voltar a casar às pessoas que têm o cônjuge ainda vivo. 

Vamos agora confutar alguns destes impedimentos dirimentes.

A impotência de um dos cônjuges não dá de modo nenhum à outra parte nem o direito de deixar a outra parte, e nem o de se casar de novo, da mesma maneira em que não anula o vínculo matrimonial a esterilidade da mulher ou do homem. Nos encontramos diante do enésimo preceito papista contraditório. 

Também o facto de passar para uma ordem maior da igreja católica romana ou para um dos seus institutos religiosos (ainda que seja errado querer entrar na ordem e nos institutos religiosos) não anula o vínculo matrimonial. A Escritura não diz que se um crente casado recebe do Senhor um particular ministério a cumprir na Igreja, este automaticamente está livre do vínculo matrimonial, ou deve considerar ilícito o uso das núpcias desde o momento que é constituído pelo Senhor nesse ministério. O apóstolo Pedro quando foi estabelecido apóstolo pelo Senhor era casado; mas não declarou o seu matrimónio nulo a partir do momento em que recebeu de Cristo esse ministério. Ele foi constituído por Jesus também bispo porque Jesus lhe ordenou de apascentar as suas ovelhas e isto é confirmado pelo facto de ele dizer na sua primeira epístola de ser um ancião, mas nem por isso o seu matrimónio foi anulado pela ordem divina lhe dirigida pelo Senhor, porque se ele tivesse repudiado a sua mulher por esta razão ele a teria feito adúltera. A igreja católica romana afirma que para servir eficazmente na igreja como padre, é necessário ser liberto do matrimónio já contraído; esta é uma doutrina de demónios. A Escritura não afirma de modo nenhum que um homem não pode servir eficazmente a Deus no ofício de bispo, ou num particular ministério, se for casado; antes devemos dizer que ela por quanto respeita ao ofício de bispo afirma precisamente o contrário, porque diz que o bispo deve ser marido de uma só mulher e deve saber governar bem a sua família. 

Por quanto respeita ao chamado privilégio paulino dizemos que ele é uma invenção (de quem não sabemos) porque não existe. Paulo, dizendo aos Coríntios: “Porque neste caso o irmão, ou a irmã, não estão vinculados” (1 Cor. 7:15), não tem intenção de dizer que se o descrente se separa o crente é livre de se casar, mas disse apenas que nestes casos, isto é, no caso de o descrente não estar mais contente ou disposto a coabitar com o crente e decide separar-se do crente, o crente não é mais obrigado a não deixar o descrente. É necessário estar atento a todos estes privilégios que a cúria romana fez despontar da Bíblia no curso de tempo dando arbitrárias interpretações à Bíblia. Quantos privilégios têm os padres! Quantos privilégios têm os bispos! e quantos ainda mais numerosos privilégios tem o papa! E todos, a seu dizer, estão escritos na Bíblia.
Por quanto respeita por fim aos outros impedimentos dirimentes, estamos persuadidos que, segundo o que ensina a Escritura, também estes não fazem de modo nenhum nulo o matrimónio.

No caso do rapto podemos citar uma passagem da lei que mesmo se não diz que o homem pode desposar uma mulher raptada em vista do matrimónio, faz perceber que também um tal matrimónio é legítimo. Está escrito de facto no Deuteronómio: “Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e o Senhor teu Deus os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares prisioneiros, e tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e, afeiçoando-te a ela, quiseres tomá-la por mulher, então a trarás para a tua casa; e ela rapará a cabeça e cortará as suas unhas. E despirá o vestido do seu cativeiro, ficará na tua casa, e chorará a seu pai e a sua mãe um mês inteiro; e depois chegarás a ela, e tu serás seu marido e ela tua mulher” (Deut. 21:10-13). Mas a tal respeito queremos citar também um episódio narrado no livro dos Juízes que fala de matrimónios ocorridos com o rapto da mulher, a fim de demonstrar como o vínculo matrimonial não é de modo nenhum dissolvido pelo rapto da mulher. Tinha havido uma guerra entre os filhos de Israel e a tribo de Benjamim. Milhares de benjamitas tinham sido mortos e muitas das suas cidades tinham sido incendiadas (cfr. Juízes cap. 20). Os filhos de Israel tinham jurado não dar as suas filhas aos benjamitas (cfr. Juízes 21:1), mas depois da guerra os filhos de Israel se arrependeram do que tinham feito a Benjamim e se perguntaram como poderiam conseguir mulheres para os que restaram de Benjamim dado que tinham jurado não lhes dar nenhuma das suas filhas (cfr. Juízes 21:6,7). Descobriram que entre os que tinham subido a Mizpá não estavam os habitantes de Jabes-Gileade, e por isso mandaram exterminar os habitantes daquela cidade junto com as mulheres que tinham tido relações carnais com homem. Entre os habitantes desta cidade acharam quatrocentas moças que não tinham tido relações carnais com homem e as trouxeram ao arraial, a Siló, e depois as deram aos benjamitas (cfr. Juízes 21:8-14). Mas como não eram suficientes para todos (cfr. Juízes 21:14), os anciãos da congregação deram esta ordem aos filhos de Benjamim: “Ide, ponde-vos de emboscada nas vinhas, e vigiai; ao saírem as filhas de Siló a dançar nos coros, saí vós das vinhas, arrebatai cada um sua mulher das filhas de Siló, e ide-vos para a terra de Benjamim … Assim fizeram os filhos de Benjamim; e conforme o seu número tomaram para si mulheres, arrebatando-as dentre as que dançavam; e, retirando-se, voltaram à sua herança…” (Juízes 21:20,21,23). Seja bem claro porém que estas Escrituras não autorizam o homem a raptar a mulher para casar com ela porque, como podeis ver, elas fazem referência a circunstâncias particulares, mas de qualquer modo consideramos que elas anulam o preceito da igreja romana relativo ao impedimento do rapto.

No caso do delito é preciso dizer que na Escritura temos um exemplo de como até o homicídio contra o cônjuge alheio não anula o matrimónio estabelecido entre o homicida e o cônjuge que ficou viúvo; é o caso da matança de Urias o heteu por parte de Davi. A Escritura diz que Davi depois de ter cometido adultério com Bate-Seba, a mulher de Urias o Heteu, lhe matou o marido e a tomou por mulher (cfr. 2 Sam. 11:27). Fez nulo o seu matrimónio com Bate-Seba o seu gesto criminoso? De maneira nenhuma. Atenção; não é por isto porém que podemos dizer que Davi fez bem, porque a Escritura diz: “Ouvindo, pois, a mulher de Urias que seu marido era morto, o chorou. E, passado o tempo do luto, mandou Davi recolhê-la a sua casa: e ela lhe foi por mulher, e lhe deu um filho. Mas isto que Davi fez desagradou ao Senhor” (2 Sam. 11:26,27). E pouco tempo depois Deus puniu severamente Davi pelo adultério e pelo homicídio de que ele se tinha feito culpado; lhe prometeu que a espada nunca se afastaria da sua casa, que suscitaria da sua própria casa o mal sobre ele, que tomaria as suas mulheres e as daria ao seu próximo, e por fim que a criança que Bate-Seba lhe tinha dado certamente morreria. Portanto, apesar do delito de Davi não ter anulado o seu matrimónio, ele foi punido por Deus por ele. Deus é justo, e ele vinga o sangue de todos aqueles que são mortos por causa da sua mulher.

Para terminar este discurso sobre o divórcio católico julgo ser necessário dizer que os Católicos romanos para obter a dissolução do vínculo matrimonial, e poder assim passar a novas núpcias (não passam a novas núpcias somente os clérigos), devem obter da igreja romana a sentença de nulidade do matrimónio que custa alguns milhões (em Roma 4 milhões e meio de liras). Em Itália a ‘Sacra Rota’ concede todos os anos cinco mil sentenças de nulidade, enquanto no inteiro mundo católico todos os anos ‘são julgados nulos pelo menos 70 mil matrimónios’ (Il Messaggero , 6 Aprile 1997, pag. 10). Como podeis ver para o papado esta sua ‘potestade’ de dissolver os matrimónios é uma fonte de ganho desonesto. 
 

Os Matrimónios mistos são uma armadilha do diabo para fazer desviar da fé e da verdade os santos
 

Por matrimónio misto ou interconfessional se entende um matrimónio entre um crente e uma incrédula, neste caso específico entre um crente e uma católica romana. Naturalmente se aquele que leva o nome de Evangélico ou Protestante não é nascido de novo também ele não é ainda um crente e portanto o matrimónio com a católica romana será um matrimónio entre incrédulos. Seria um matrimónio misto só de nome mas não de facto porque ambos estão ainda debaixo do poder do diabo ainda que digam pertencer a duas confissões religiosas diferentes. 
Irmãos, sabei que por aquilo que diz a Escritura é proibido a um crente casar-se com uma incrédula porque Paulo diz: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente..” (2 Cor. 6:14-16). Portanto vos exorto a vós que procurais mulher de procurá-la entre as filhas de Deus e não entre as incrédulas porque esta é a vontade de Deus para convosco. Lembrai-vos que vós sois o templo de Deus e que em vós mora o Espírito de Deus que anseia por nós até ao ciúme, e que portanto não podeis ter comunhão com uma mulher que ainda é um templo de ídolos. Me explico: em vós mora Deus porque está escrito: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor. 3:16), portanto como entre o templo de Deus e os ídolos como Maria, António, José e outros que uma mulher levantou no seu coração não há nenhuma comunhão, assim vós inevitavelmente não podeis andar de acordo com uma católica romana que vai atrás dos ídolos mudos. Uso um outro termo de comparação para fazer-vos compreender quanto é ilusório pensar casar com uma idólatra e conduzir depois uma vida feliz com ela. Ora, vós sabeis que o Pai de todos os que creram em Cristo é Deus, mas vós sabeis também que o pai de todos os que ainda não nasceram de novo é o diabo. Portanto como Deus não entra de modo algum em acordo com Satanás que lhe é adversário, assim também um filho de Deus não pode andar de acordo com uma mulher que ainda está debaixo do poder de Satanás, porque ela, estando debaixo do seu poder, é inclinada a fazer o mal e a falar mal. 

Vos recordo também que debaixo da lei Deus ordenou aos filhos de Israel para não casarem com mulheres pertencentes aos povos idólatras conforme está escrito: “Não te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós…” (Deut. 7:3,4). Como podeis ver Deus sabia que se os filhos de Israel se casassem com mulheres estrangeiras que iam atrás dos ídolos elas depois os fariam deixar de seguir e servir a Deus, e por isso deu esta ordem. Ora, é verdade que nós não estamos debaixo da lei, é verdade que as mulheres católicas não vão atrás de Milcom, de Astarote, ou de Baal, mas é também verdade que uma mulher católica romana vai atrás de ídolos mudos que representam Maria e outras personagens do passado e os serve, portanto esta ordem dada aos filhos de Israel a podemos aplicar também a nós que estamos debaixo da graça. O repito: Deus não quer que nós seus filhos nos casemos com adoradoras e com servas dos ídolos da igreja romana porque sabe que elas por certo perverteriam o nosso coração e o desviariam de servir e seguir o Senhor. Em suma fariam em relação a nós o que as mulheres estrangeiras fizeram em relação ao rei Salomão conforme está escrito que “suas mulheres lhe perverteram o coração. Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como fora o coração de Davi, seu pai” (1 Re 11:3,4). E vós sabei que por este motivo Deus se indignou contra Salomão e o puniu rasgando-lhe o reino e dando-o ao seu servo (cfr. 1 Re 11:9-13). Cuidai de vós mesmos: não vos apoieis no vosso discernimento dizendo no vosso coração: ‘Mas no fundo, no fundo, é uma excelente rapariga apesar de ainda não ser convertida; estou seguro que depois com o tempo se converterá!’, porque este mesmo raciocínio perverso o fizeram antes de vós aqueles crentes que quiseram seguir o seu coração e não o Senhor, casando-se com raparigas católicas romanas, e agora estão cheios de ais e dores, e conduzem uma vida infeliz. Desapareceram das reuniões da Igreja porque abandonaram a comum congregação; desprezaram a Palavra do Senhor, e eles que pensavam converter a sua mulher ao Senhor se converteram ao curso deste mundo; voltaram às salas de dança, voltaram aos cinemas, voltaram aos estádios a aclamar a equipa de futebol, voltaram a agir perversamente, voltaram ao lugar de culto da igreja católica a assistir às pomposas funções religiosas desta pseudo-igreja e tudo isto por causa de um matrimónio com uma infiel, matrimónio que não deveriam ter contraído para o seu bem. 

Se um padre está disposto a casar uma sua paroquiana com um crente lavado com o sangue do Cordeiro, um pastor (aquele que pode, segundo a lei italiana ou portuguesa ou brasileira etc., sendo a sua nomeação de ministro de culto aprovada pelo Governo, celebrar matrimónio com efeitos civis) não deve por nenhuma razão aceitar casar uma ovelha do Senhor confiada à sua vigilância com uma católica romana porque neste caso consentiria em um matrimónio injusto que terá nefastas consequências na vida do teimoso crente. Nesta circunstância o pastor deve obedecer ao mandamento que Paulo deu a Timóteo: “Não participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (1 Tim. 5:22) e por isso deve recusar-se a casá-los. Mas queremos também dizer que um pastor, que é verdadeiramente tal, deve dissuadir com palavras persuasivas os crentes solteiros de se casarem com infiéis para evitar que eles se prendam a um jugo desigual. O matrimónio não é algo a tomar com ligeireza como muitos fazem, porque por meio dele a nós se une uma mulher carnalmente e se passa a ser uma só carne com ela; e depois porque ele se dissolve só com a morte de um dos dois cônjuges e de nenhuma outra maneira. O que equivale a dizer que um crente que se casa não pode pôr-se a pensar: ‘Mas, se correr mal há o divórcio e posso me voltar a casar’, porque divorciar-se da sua mulher e casar com uma outra mulher significa cometer adultério. 

Irmãos que estais encarregados de apascentar o rebanho do Senhor, soai a trombeta no seio da Igreja de Deus a fim de que os jovens crentes não fiquem enganados pelas palavras doces e lisonjeiras das infiéis que Satanás manda ao meio do povo de Deus para seduzir os filhos de Deus e fazê-los afastar do Senhor. E vós, irmãos solteiros e irmãs solteiras, tende plena confiança no Senhor e pedi a ele o vosso cônjuge; Ele é fiel e vos concederá também o cônjuge crente que é justo para vós. Mas vos conjuro em nome do Senhor: ‘Não vos prendais com os infiéis para o bem da vossa alma!’. 

 

Fonte

 

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