Pages Menu
Facebook
Categories Menu

Posted | 0 comments

Confutação da Igreja Católica Romana: o batismo

A doutrina dos teólogos papistas

 

O batismo perdoa os pecados, faz nascer de novo quem o recebe que se torna assim um cristão. Ele é absolutamente necessário para a salvação. Os bebés portanto o devem receber o mais cedo possível porque sem o batismo, em caso de morte, não podem ir para o paraíso, mas vão para o limbo. O batismo o administra o sacerdote derramando a água benzida sobre a cabeça do batizando. ‘O Batismo é o sacramento da remissão dos pecados e da regeneração. É de fé (…) Por disposição divina, o Batismo é absolutamente necessário a todos os homens para a salvação. É de fé’ (Bernardo Bartmann, Teologia Dogmatica, vol. III, pag. 91, 96). Em outras palavras, o batismo para os teólogos papistas perdoa os pecados ao homem e para sustento disso eles tomam as palavras que Pedro disse aos Judeus no dia de Pentecostes; “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados” (Actos 2:38), e o faz renascer e tornar-se um filho de Deus e para sustentar isto tomam as seguintes palavras de Jesus: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5), e as seguintes palavras de Paulo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração…” (Tito 3:5). Este poder de regenerar, o batismo o possui porque a água usada ao ministrá-lo é uma água completamente especial na realidade é ‘consagrada mediante uma oração de Epiclesis (seja no próprio momento, seja na noite de Páscoa). A Igreja pede a Deus que, por meio do seu Filho, o poder do Espírito Santo desça sobre esta água, a fim de que os que sejam batizados com ela ‘nasçam da água e do Espírito…’ (Catecismo da igreja católica, Cidade do Vaticano 1992, pag. 327). Sendo o batismo indispensável para a salvação, os pais devem levar a sua criança ao batismo não mais tarde de oito ou dez dias; para ‘assegurar-lhe logo a graça e a felicidade eterna, podendo ela muito facilmente morrer ’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 461). Ele é administrado pelo sacerdote católico ‘derramando a água sobre a cabeça do batizando e dizendo ao mesmo tempo as palavras da forma’ (ibid., pag. 453) que são: Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo [ 5 ]. Na cerimónia do batismo, a criança, como não pode falar e responder às perguntas que o padre faz, é representada pelos padrinhos. O catecismo diz destes: ‘Os padrinhos no Batismo são os que apresentam à Igreja o batizando, respondem em seu nome se for criança, assumindo, como pais espirituais, o cuidado da sua educação cristã, se faltarem os pais, e por isso devem ser bons cristãos’ (ibid., pag. 460). Por isso, quando a criança torna-se adulto tem o dever de ‘manter as promessas feitas em seu nome pelos padrinhos’ (ibid., pag. 461). Para sustentar o batismo dos bebés os teólogos papistas tomam as palavras de Jesus quando disse para que deixassem os meninos ir a ele (cfr. Mar. 10:13), depois as palavras de Lucas que diz que Lídia e o carcereiro de Filipos foram batizados com as respectivas famílias (cfr. Actos 16:14,15,32-34), e a circuncisão dos bebés a fazer-se na idade de oito dias segundo o mandamento de Deus (cfr. Gen. 17:12). O que sucede no caso da criança morrer sem ter recebido o batismo? Se ela morrer não batizada irá para o limbo. O catecismo na realidade diz: ‘As crianças mortas sem Batismo vão para o Limbo, onde não há prémio sobrenatural nem pena; porque, tendo o pecado original, e apenas esse, não merecem o Paraíso, mas também não merecem o Inferno e o Purgatório’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 171) [ 6 ]. Embora os teólogos papistas digam que o batismo com água é absolutamente necessário para conseguir a salvação, também há alguns casos em que por necessidade, isto é, pela razão da pessoa estar impossibilitada de se batizar, ele pode ser substituído por dois outros batismos: o de sangue e o de desejo. Por quanto respeita ao batismo de sangue eles dizem: ‘O batismo de sangue (baptisma sanguinis) dá a justificão como o de água, mas não o carácter indelével e portanto a incorporação na igreja e a capacidade de receber os outros sacramentos. Estão incluídos como batismo de sangue; a morte violenta ou a tortura, que terá que levar à morte; o martírio por causa de Cristo (pela fé cristã ou por uma virtude cristã); a suportação até ao fim destes tormentos por amor de Cristo; pelo menos uma dor imperfeita pelos pecados e a vontade de receber, na primeira ocasião, o batismo de água’ (Johann Auer e Joseph Ratzinger, I sacramenti della chiesa [Os sacramentos da igreja], Assisi 1974, pag. 88-89). Para confrmar o batismo de sangue os teólogos papistas tomam as palavras que Jesus dirigiu a Tiago e João: “Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado…” (Mar. 10:39). Por quanto respeita ao batismo de desejo eles afirmam: ‘Se for moralmente ou fisicamente impossível a recepção do batismo de água, o batismo de desejo pode conferir os efeitos da graça do primeiro. Os elementos constitutivos do batismo de desejo são: o desejo sincero do batismo, a dor perfeita pelos pecados e a firme vontade de receber na primeira ocasião o sacramento do batismo de água. Ele é eficaz quando por causa de um facto externo (morte) já não se pode receber o batismo de água. Ele produz a justificação, mas não a incorporação na igreja visível’ (Johann Auer e Joseph Ratzinger, op. cit., pag. 89).

Contra quem não aceita o batismo da igreja católica romana há os seguintes anátemas lançados pelo concílio de Trento: ‘Se alguém disser que na Igreja Romana, (que é mãe e mestra de todas as Igrejas), não reside a verdadeira doutrina do batismo: seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 3); ‘Se alguém negar que pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, conferida no Batismo, é perdoado o pecado original.(…) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. V,5); ‘Se alguém negar que se devam batizar as crianças recém-nascidas (….) seja anátema’ (Concílio de Trento. Sess. V,4); ‘Se alguém disser que não se podem contar entre os fiéis as crianças, depois de terem recebido o Batismo, porque ainda não crêem realmente e por isso, quando chegarem aos anos de discrição, devem ser rebatizadas; ou que é melhor omitir o seu Batismo do que batizá-las na fé da Igreja, antes que possam crer por um acto de fé produzido por elas mesmas; seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. VII, can. 13).

 

Confutação

O batismo deve ser ministrado a pessoas que creram e por imersão

 

Esta doutrina da igreja romana sobre o batismo é falsa porque antes de tudo segundo a Escritura o batismo deve ser ministrado a pessoas que se arrependeram dos seus pecados e creram no Senhor Jesus Cristo, e por isso não pode ser ministrado a infantes que ainda não discernem o bem do mal e que ainda não podem crer com o coração no Senhor. As seguintes Escrituras confirmam que aqueles que devem ser batizados devem primeiro arrepender-se e crer no Evangelho que lhes é anunciado, e por isso não podem ser batizados bebés.

Ÿ “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados…. Foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra….” (Actos 2:37,38,41);

Ÿ “Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, batizavam-se, homens e mulheres” (Actos 8:12);

Ÿ “E muitos dos coríntios, ouvindo Paulo, criam e eram batizados” (Actos 18:8).

Como podeis bem ver nestas três passagens as expressões: “receberam a sua palavra”, “quando creram”, e “criam” precedem o acto do batismo, e testificam de maneira clara que antigamente para receber o batismo a pessoa devia primeiro crer no Evangelho. Tudo isto está em perfeita harmonia com as palavras de Jesus: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mar. 16:16). O batismo é pois lícito que o receba apenas quem creu. Mas para poder crer a pessoa tem de primeiro escutar a palavra de Cristo porque Paulo diz que a fé vem pelo ouvir e o ouvir por meio da palavra de Cristo, e também: “Como crerão naquele de quem não ouviram falar?” (Rom. 10:14), e por isso tem de haver quem pregue o Cristo porque ainda Paulo diz: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rom. 10:14). E isto está em perfeita harmonia com as seguintes palavras de Jesus: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo” (Mar. 16:15,16); e: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os…” (Mat. 28:19). Notai de facto que a pregação e o ensinamento precedem o acto do batismo porque os apóstolos primeiro deviam pregar a Palavra, e depois deviam batizar os que tinham crido nela. Esta foi a ordem que os apóstolos seguiram, de facto, no dia de Pentecostes primeiro Pedro pregou, depois os ouvintes receberam a sua palavra e os apóstolos os batizaram conforme está escrito: “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra” (Actos 2:41). E isto foi o que aconteceu também em Filipos no caso da família de Lídia conforme está escrito primeiro: “E, sentados, falávamos às mulheres ali reunidas” (Actos 16:13), e depois, depois que o Senhor abriu o coração a Lídia para que estivesse atenta às coisas ditas por Paulo, “foi batizada, ela e a sua casa” (Actos 16:15); e também no caso da família do carcereiro conforme está escrito, primeiro: “Então lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa” (Actos 16:32), e depois, que “foi batizado, ele e todos os seus” (Actos 16:33); e em Corínto onde muitos ouvindo falar Paulo criam e eram batizados (cfr. Actos 18:8). E como a pregação do Evangelho não podia ser dirigida a bebés (e por estes últimos recebida) porque eles embora pudessem ouvir não podiam porém discernir o que era dito e neles não podia portanto vir a fé, deduzimos que eles não eram batizados. Vimos portanto que antigamente o batismo era, em obediência ao mandamento de Cristo, ministrado só aos que criam, o que exclui que fossem batizados também bebés que não podiam ainda crer.

Além disso é necessário dizer que o batismo citado nestas Escrituras consistia em imergir na água quem tinha crido, e não num derramamento de água sobre a sua cabeça. Aliás a própria palavra grega baptizo significa ‘imergir’, ‘mergulhar’, e não derramar ou aspergir. As seguintes Escrituras testificam que o batismo com água é por imersão e não por infusão.

Ÿ João o Batista batizava por imersão (ainda que o seu batismo fosse só um batismo de arrependimento) conforme está escrito: “Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mat. 3:5,6), e também: “Ora João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados” (João 3:23);

Ÿ Jesus foi batizado na idade de cerca de trinta anos; quando foi batizado por João no Jordão, foi imerso na água, conforme está escrito em Mateus: “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água…” (Mat. 3:16); e também em Marcos: “Foi batizado por João, no Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descer sobre ele…” (Mar. 1:9,10);

Ÿ O eunuco foi batizado por Filipe por imersão conforme está escrito: “E desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou. E quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe..” (Actos 8:38,39).

Que dizer então daqueles raciocínios papistas como: ‘’No dia de Pentecostes foram batizadas cerca de três mil pessoas e nós sabemos que em Jerusalém não há nenhum rio que permitisse um batismo de imersão’, e: ‘O carcereiro foi batizado com toda a sua família no cárcere e ali não havia um rio ou uma piscina para fazer um batismo por imersão; portanto nestes casos o batismo foi ministrado por infusão’ ? Diremos que eles são só conversas vãs que apenas servem para lançar areia aos olhos dos Católicos que não conhecem as Escrituras. Deus não era obrigado a fazer transcrever todas as vezes onde e como eram batizados todos os que aceitavam o Evangelho. Uma coisa é certa, naqueles casos em que Ele não quis que fosse transcrito onde e como foi ministrado o batismo aos crentes não é porque aquele batismo lhes foi ministrado por infusão! E depois, seguindo este modo de raciocinar se teria também que dizer que naqueles casos onde não está escrito que crentes receberam o batismo eles não foram batizados como no caso daqueles milhares de pessoas que depois que Pedro corou o coxo em Jerusalém creram, dos Tessalonicenses, ou dos que creram em Atenas; pelo que o batismo não era necessário! Mas isto evidentemente significaria fazer dizer à Palavra o que ela não diz e constituiria uma contradição.

Provámos portanto que o batismo instituído por Cristo deve ser ministrado a pessoas que se arrependeram e creram e também que ele é por imersão e não por infusão. Quando pois um Católico romano se arrepende e crê com o seu coração no Evangelho da graça deve ser batizado; não rebatizado porque na realidade o que ele recebeu em criança (ou mesmo em adulto) na igreja católica romana não é de modo nenhum um batismo mas uma qualquer coisa que tem só o nome de batismo.

Por quanto respeita depois às palavras a usar no batismo é necessário dizer ao batizando: ‘Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ porque Jesus assim mandou: “…batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mat. 28:19). Em nome do Pai porque foi Ele que o trouxe ao seu Filho, (cfr. João 6:37,44,65), em nome do Filho porque Ele o recebeu e lhe revelou o Pai (cfr. Lucas 10:22), e em nome do Espírito Santo porque foi Ele que o convenceu quanto ao pecado, à justiça e ao juízo (cfr. João 16:8).

 

O batismo não regenera o homem

 

 

As palavras de Jesus (cfr. João 3:5) e de Paulo (cfr. Tito 3:5) que os teólogos papistas tomam para sustentar o poder de regenerar do batismo têm um outro significado.

Jesus quando disse que é necessário nascer da água quis dizer que é necessário ser regenerado pela Palavra de Deus porque a água representa a Palavra de Deus (cfr. Is. 55:10,11). De certo Ele não quis dizer que a água do batismo regenera ou tem o poder de regenerar o pecador porque isso não corresponde à verdade, porque o poder de regenerar o pecador o tem a Palavra de Deus (cfr. 1 Ped. 1:23). E depois, se fosse assim como dizem os Católicos o ladrão convertido na cruz no momento da morte não teria podido ir para o reino de Deus porque não nasceu da água, isto é, porque não foi batizado. Mas então como é que Jesus lhe disse que naquele dia estaria com ele no paraíso? Não foi porventura porque aquele homem antes de morrer experimentou o novo nascimento, ou seja, nasceu da água e do Espírito? Certamente que assim foi, e não pôde ser doutra forma..

Por quanto respeita às palavras de Paulo a Tito, por lavagem da regeneração o apóstolo não quis dizer a regeneração feita pelo batismo. Porque ele por lavagem não entendia a imersão na água de quem tinha crido, mas a purificação feita nele pela Palavra de Deus, de facto, aos Efésios diz que “Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificado-a com a lavagem da água, pela Palavra..” (Ef. 5:25,26). Para confirmar que Cristo nos lavou e limpou pela sua palavra, e não pelo batismo na água que recebemos em seu nome, citamos as palavras que Jesus disse aos seus discípulos na noite em que foi traído: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (João 15:3). Ele não lhes disse que estavam limpos por causa do batismo, mas por causa da sua palavra, que era a Palavra de Deus conforme ele disse: “A palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou” (João 14:24). E se isto não bastasse para demonstrar que Paulo dizendo que fomos salvos pela lavagem da regeneração não quis de modo nenhum dizer que o batismo na água nos regenerou acrescentamos também a prova dos factos. Os Católicos romanos dizem ter recebido a lavagem da regeneração mas não podem dizer terem sido salvos. Ora, nós dizemos: ‘Se os Católicos tivessem recebido a lavagem da regeneração de que fala Paulo quando foram batizados então, por conseguinte, poderiam dizer também eles: “Fomos salvos”, mas isto não o podem dizer e não o dizem. Porquê?’ Não é porventura porque aquela “lavagem da regeneração” não se refere de modo nenhum ao batismo (seja que ele tenha sido erradamente ministrado por infusão ou justamente por imersão) mas à lavagem operada pela Palavra de Deus no coração daquele que a aceitou por fé e eles esta lavagem ainda não a experimentaram? Certamente que assim é. Eis por que motivo todos aqueles que dizem ser Cristãos só pelo facto de em pequenos terem sido batizados na igreja católica romana não estão certos de estarem salvos, e estão ainda mortos nas suas ofensas; porque o seu batismo não os regenerou de modo nenhum quando eles o receberam em pequenos. Podemos dizer que eles foram enganados mediante esse ‘batismo’, mas não regenerados e incorporados mediante ele no corpo de Cristo.

 

As passagens tomadas para sustentar o batismo de crianças não têm o significado que lhe dão os teólogos papistas

 

Na sagrada Escritura não há a respeito do batismo na água passagens que testificam que no tempo de Jesus e no tempo dos apóstolos eram batizadas também as crianças. Não obstante isso, como pudestes ver, os teólogos papistas sustentam o batismo dos infantes mediante passagens das Escrituras. Vamos pois demonstrar que as passagens da Escritura por eles citadas não confirmam de modo nenhum o batismo dos infantes.

Ÿ Em Mateus está escrito: “Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreenderam. Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus. E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali” (Mat. 19:13-15). Os sustentadores do batismo dos infantes (pedobatismo) dizem que aquele “não as impeçais de virem a mim” significa que não se pode negar o batismo às crianças, ainda que elas não estejam conscientes do acto a que são submetidas, porque Jesus disse para não as impedir de receber o batismo. Esta interpretação dada às referidas palavras de Jesus é arbitrária por estas razões: aqueles que trouxeram as crianças a Jesus não lhe as trouxeram para que ele as batizasse por infusão ou por imersão, mas como diz Marcos “para que as tocasse” (Mar. 10:13), portanto ver o batismo dos infantes nessas palavras de Jesus quer dizer forçarmo-nos a ver o que não está lá. Jesus quando as crianças foram a ele as tomou nos braços “e impondo-lhes as mãos, as abençoou” (Mar. 10:16), o que exclui que ele as tenha batizado.

Ÿ “E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso” (Actos 16:14,15); “Então lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. Tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes as feridas; e logo foi batizado, ele e todos os seus. Então os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se muito com toda a sua casa, por ter crido em Deus” (Actos 16:32-34). Ora, como no caso de Lídia e no caso do carcereiro de Filipos está dito que eles foram batizados com todos os da sua casa, os teólogos papistas deduzem que também as suas crianças foram batizadas pelos apóstolos. Para confutar este seu discurso dizemos somente que as Escrituras aqui acima expostas não dizem que haviam bebés ou pequenas crianças naquelas famílias.

Ÿ “À idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas as vossas gerações” (Gen. 17:12). Para os teólogos papistas, como o bebé começava a fazer parte inconscientemente do povo de Israel mediante esse acto que lhe era feito na carne, assim debaixo do Novo Pacto a criança começa inconscientemente a fazer parte do povo de Deus quando lhe é ministrado o batismo. Esta comparação não procede pelos seguintes motivos: 1) debaixo do Antigo Pacto foi Deus a mandar circuncidar ao oitavo dia as crianças enquanto debaixo do Novo Pacto não mandou de modo nenhum batizar as crianças, coisa que não teria deixado de fazer se ele tivesse querido que assim se fizesse; 2) a circuncisão debaixo do Antigo Pacto era sombra da verdadeira circuncisão que devia fazer Cristo no coração de muitos homens e muitas mulheres: e esta ele a faz naqueles que se arrependem e crêem nele tirando-lhes o velho coração de pedra e lhes pondo um novo coração de carne, tirando-lhes os pecados.

 

Os pecados são cancelados e se fica filho de Deus quando se crê em Jesus Cristo e não quando se é batizado

 

Ora, prescindindo do facto de o batismo de crianças administrado no seio da igreja romana ser nulo pelas razões recém-expostas, explicamos com a Escritura por que motivo o batismo na água não cancela os pecados ao homem e não o faz tornar-se um filho de Deus.

Pedro diz na sua primeira epístola que o batismo não é “o despojamento da imundícia da carne…” (1 Ped. 3:21); onde por imundícia da carne se entendem as obras mortas da carne (os pecados) das quais o homem sem Deus está contaminado (cfr. Gal. 5:19-21). Portanto não é por meio dele que são cancelados os pecados e se fica filho de Deus. Mas então como são cancelados os pecados e como se fica filho de Deus?

Ÿ Os pecados são cancelados pela fé, e não pelo batismo na água, conforme está escrito: “De todas as coisas … é justificado todo o que crê” (Actos 13:39), e também: “todo o que nele crê receberá a remissão dos pecados pelo seu nome” (Actos 10:43). E para confirmação do que estamos dizendo citamos as palavras de Pedro na assembleia de Jerusalém a propósito da purificação daqueles Gentios que ouviram o Evangelho da sua boca: “E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé” (Actos 15:9). Como podeis ver Pedro não disse que aqueles Gentios tinham sido purificados dos seus pecados pelo batismo, que eles receberam por sua ordem depois que o Espírito Santo desceu sobre eles, mas pela sua fé que tinha precedido o batismo na água. Que dizer então das palavras de Pedro no dia de Pentecostes que os teólogos papistas tomam para dizer que o batismo perdoa os pecados? Não confirmam porventura elas que o batismo perdoa os pecados? Não, não o confirmam de modo nenhum porque Pedro não lhes disse: ‘Sede batizados para a remissão dos vossos pecados’, o que teria sim significado que para obter a remissão dos pecados era indispensável para eles batizarem-se; mas ele disse-lhes primeiro para se arrependerem e depois para se batizarem, e como quando se dá o arrependimento se muda o modo de pensar e se crê no Evangelho no qual nunca se creu antes, importa dizer ainda uma vez que o batismo não lava o pecador dos seus pecados porque o que lhe perdoa os pecados é o nome de Cristo no qual ele crê quando se arrepende. E que os pecados não são cancelados pelo batismo mas mediante a fé em Cristo é confirmado também pelas seguintes palavras que ainda o mesmo Pedro dirigiu aos Judeus depois da cura do coxo à porta do templo dita ‘Formosa’: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam cancelados os vossos pecados…” (Actos 3:19). Notai de facto que aqui Pedro diz aos Judeus que para obter o cancelamento dos seus pecados se devem só arrepender e converter. Não lhes diz: ‘Arrependei-vos e sede batizados’, mas só: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos”; não lhes fala do batismo, mas lhes anuncia na mesma o cancelamento dos pecados.

Ÿ Se fica filho de Deus ainda pela fé e não pelo batismo conforme está escrito: “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (João 1:12), e também: “Todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gal. 3:26). Tomemos por exemplo ainda Cornélio e os seus; eles receberam o Espírito Santo ainda antes de serem batizados na água. Ora, nós sabemos que o Espírito Santo o podem receber só aqueles que creram porque está escrito: “E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem” (João 7:39), por isso eles tinham crido e por conseguinte eram filhos de Deus. Além disso a Escritura diz: “Recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rom. 8:15,16), portanto Cornélio e os seus podiam dizer serem filhos de Deus ainda antes de serem batizados porque o Espírito Santo lhes o testificava com o seu espírito [7]. Como podeis ver tudo isto anula a doutrina que o batismo faz o homem tornar-se filho de Deus. Mas tomemos um outro exemplo para confirmar que não é pelo batismo que se fica filho de Deus; o dos cerca de doze discípulos de Éfeso. Lucas diz que Paulo quando chegou a Éfeso “achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” (Actos 19:1,2). E como eles lhe responderam que não tinham sequer ouvido falar da existência do Espírito Santo, Paulo se informou deles de que batismo tinham sido batizados. Eles lhe responderam que tinham sido batizados pelo batismo de João; ao que Paulo os batizou em nome do Senhor Jesus. Ora, a pergunta que faço é esta: ‘A Escritura diz que estes cerca de doze homens eram discípulos ainda antes de serem batizados na água em nome do Senhor Jesus, portanto estes tinham crido no Senhor porque todas as vezes que no livro dos Actos dos apóstolos é mencionada a palavra discípulos ela se refere a crentes, a filhos de Deus; mas então como se explica que eles, embora ainda não tivessem sido batizados em nome do Senhor Jesus, sejam chamados discípulos?’ Não é porventura porque não é o batismo em nome do Senhor Jesus que nos faz discípulos do Senhor, mas a nossa fé em Cristo Jesus? Não é necessário porventura chegar ainda à conclusão que o batismo não faz os homens filhos de Deus, porque filhos de Deus se tornam crendo no nome do Filho de Deus?

Com estes nossos discursos não queremos dizer de maneira nenhuma que o batismo seja inútil ou não necessário, porque ele foi ordenado pelo Senhor com estas palavras: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mat. 28:19) e também: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mar. 16:16), mas apenas que Jesus disse que “quem não crer será condenado” e não que aquele que não for batizado irá para o inferno, como por exemplo um homem que crê em fim de vida sem ter tempo de ser batizado na água. Portanto o fim destes discursos é só o de demonstrar que não é a água do batismo que cancela os pecados mas o sangue de Cristo, e que não é o batismo que faz tornar os homens filhos de Deus mas a sua fé. Permanecendo firme que o batismo tem valor, e que os que crêem devem ser logo batizados em obediência à ordem do Senhor.

 

O que é, e o que faz o batismo segundo a Escritura

 

Depois de ter dito o que o batismo não é, e o que o batismo não faz vejamos o que é o batismo e o que ele faz.

O apóstolo Pedro diz que o batismo é “a indagação de uma boa consciência para com Deus” (1 Ped. 3:21) (esta é mais uma confirmação que o batismo não pode ser administrado a crianças porque as crianças recém-nascidas não podem fazer a Deus esta indagação de boa consciência que é o batismo); portanto como por meio do batismo quem crê em Deus indaga de ter uma boa consciência na sua presença, ele é necessário (aliás como poderia Jesus instituir uma coisa não necessária para aqueles que creriam nele?). E cada um de nós experimentou as palavras de Pedro porque depois que cremos no Senhor sentimos a necessidade do batismo porque sentíamos em nós pelo Espírito, que embora sendo filhos de Deus purificados com o sangue de Jesus Cristo, para ter uma boa consciência diante de Deus devíamos obedecer à ordem do batismo. Certo, estávamos certos de estar salvos, de ter sido perdoados, mas não obstante isso sentíamos que em obediência a Cristo, o nosso Salvador, devíamos nos fazer batizar na água. Portanto, segundo a Escritura, pelo batismo nós obtivemos uma boa consciência diante de Deus.

Além disso nós, pelo batismo, fomos sepultados com Cristo conforme está escrito: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na sua morte; para que, como Cristo ressuscitou dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rom. 6:3,4). E dado que são sepultados os mortos e não aqueles que ainda estão vivos, nós podemos dizer que quando fomos sepultados pelo batismo na morte de Cristo já estávamos mortos para o pecado sendo que nos tínhamos arrependido e tínhamos crido no Evangelho. Em outras palavras que nós antes de sermos batizados na água tínhamos nascido de novo, por isso estávamos mortos para o pecado; e pelo batismo o nosso velho homem foi sepultado com Cristo. Como Cristo quando foi sepultado já estava morto para o pecado (“quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado” (Rom. 6:10), diz Paulo), assim também nós quando fomos sepultados com ele já estávamos mortos para o pecado pelo corpo de Cristo. Podemos também exprimir este conceito assim: nós fomos salvos dos nossos pecados pela fé, e portanto ainda antes de sermos batizados na água estávamos salvos (porque o acto de crer precede o acto de ser imerso na água). O nosso batismo portanto pode-se definir um acto de obediência a Deus que selou a justificação por nós obtida pela fé antes do batismo. Um pouco como o sinal da circuncisão que Abraão recebeu como “selo da justiça da fé quando estava na incircuncisão” (Rom. 4:11). Porque também Abraão foi justificado por Deus pela fé antes de ser circuncidado, e não foi portanto a circuncisão a imputar-lhe a justiça mas a sua fé conforme está escrito: “Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão” (Rom. 4:9). Do mesmo modo também a nós não foi o batismo a ser-nos imputado como justiça (o que significaria que pelo batismo se obtém a justificação) mas a nossa fé que colocámos em Cristo antes de sermos batizados na água.

Pelo batismo nós também testemunhámos ao diabo e aos seus ministros (como também às pessoas do mundo que estavam presentes ou que ouviram do nosso batismo) de nos termos tornado discípulos de Cristo Jesus, de não querer viver mais para nós mesmos mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós, e por isso de ter renunciado a nós mesmos e aos prazeres do pecado que nos oferece o diabo através deste mundo mau. Nunca se deve esquecer de facto que quando nós nascemos de novo fomos arrancados deste presente século mau que jaz no maligno e transportados para o reino do Filho de Deus; que antes do novo nascimento servíamos o pecado mas depois começámos a servir a justiça. O batismo é pois um acto com o qual nós declarámos de estar mortos para o pecado e para o mundo. Como com a ceia do Senhor nós anunciamos periodicamente a morte do Senhor para o pecado uma vez para sempre, assim com o batismo, que se recebe uma só vez na vida, nós anunciámos a nossa morte para o pecado, para o mundo. E se tenha presente que como a ceia do Senhor não é a repetição da morte do Senhor para o pecado, o batismo também não é ele o acto com o qual nós morremos para o pecado porque a nossa morte para o pecado aconteceu antes do batismo, que foi ao invés o anúncio dela. Se tenha presente que o batismo em nome de Cristo em alguns lugares da terra representa um pronunciar sobre si próprio a condenação à morte pelos seus concidadãos, e de facto muitos destes nossos irmãos batizados nestas nações foram depois mortos por terem manifestado publicamente com o batismo a sua decisão de seguir Cristo. Isto para demonstração que para os que se sentiram traídos este acto de imersão que sofre um crente (que para eles é um traidor) significa que aquele que antes era da mesma religião deles decidiu renunciar à sua velha religião para abraçar uma outra totalmente diferente pelo que ele merece a morte como traidor.

O batismo é um acto com o qual nós declarámos de não nos envergonhar de Cristo mas de estar dispostos a sofrer o seu vitupério neste mundo de trevas. O facto pois de muitos crentes terem sofrido uma forte oposição dos seus familiares incrédulos antes de serem batizados é devido ao facto de o diabo ter procurado através de alguns que estavam debaixo do seu poder induzir desta forma o neoconvertido a envergonhar-se do seu Salvador. O adversário na realidade sabe que Jesus afirmou: “Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele…” (Mar. 8:38).

Depois de ter dito isto alguém dirá: “Mas então, se não é através do batismo que se é salvo (porque é pela fé que se é salvo), porque é que Pedro diz do batismo: “que também…agora vos salva, o batismo…, pela ressurreição de Jesus Cristo”? (1 Ped. 3:21) Porque assim é, mas Pedro não quis dizer com estas palavras que o batismo nos salvou. Porque não é o batismo na água que salva o homem da escravidão do pecado mas a sua fé em Cristo Jesus. Não é o batismo na água que salva o homem do inferno mas a sua fé, e disso temos uma confirmação no episódio da conversão de um dos ladrões que foram crucificados com Cristo ao qual Jesus disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). Como podeis ver esse homem não pôde receber o batismo na entanto foi para o paraíso. Para confirmação de quanto dito acima vos faço notar que Pedro não disse ‘que também a nós nos salvou o batismo pela ressurreição de Jesus Cristo’ porque se tivesse dito assim isso significaria que Pedro acreditava que se nasce de novo quando se é batizado e não quando há o arrependimento e se crê no Filho de Deus. Mas ele disse que o batismo “agora vos salva,… pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Ped. 3:21), ou seja, que o batismo na sua morte nos salva da ira vindoura; mas de que maneira? Com a fé na ressurreição de Jesus Cristo porque Jesus disse: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mar. 16:16), e não sem. Mas isto não significa de modo nenhum que foi pelo batismo que fomos regenerados; tanto é verdade que o mesmo apóstolo Pedro no início da sua primeira epístola diz: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos…” (1 Ped. 1:3); vedes? Pedro não diz que Deus nos gerou de novo pelo batismo (como diz a igreja católica romana) mas pela ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, pela fé na ressurreição de Jesus Cristo, o que é diferente. Também o apóstolo Paulo confirma que é pela fé na ressurreição de Cristo que nós fomos regenerados e não pelo batismo quando diz aos Colossenses: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Col. 2:12). Notai a expressão “pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” que posta nesse contexto em que se fala do batismo demonstra claramente que é a fé na ressurreição de Cristo que nos regenerou e não o batismo. E de facto Paulo pregava às pessoas do mundo a fé em Cristo como meio para renascer e não o batismo; porque ele sabia que era somente mediante a fé que elas podiam ser regeneradas. Eis por que aos Coríntios o apóstolo disse: “Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar…” (1 Cor. 1:17), porque aos olhos do Senhor evangelizar era e é mais importante do que batizar, coisa que Jesus nos dias da sua carne o demonstrou evangelizando mas não batizando ninguém.

Portanto, resumindo, pela fé na ressurreição de Jesus Cristo fomos salvos, regenerados, e purificados dos nossos pecados; pelo batismo fomos sepultados; e ele nos salva pela ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, se conservarmos a fé na ressurreição de Cristo. Em outras palavras, nós seremos salvos da ira vindoura na condição de retermos firme até ao fim a fé que colocámos em Deus ao princípio; em caso contrário o batismo na água recebido depois de termos crido não nos servirá absolutamente para nada. Vos explico isto fazendo-vos exemplos. Se Noé, ou algum dos seus que estavam na arca, tivesse decidido enquanto chovia torrencialmente sobre a terra lançar-se da janela que Deus tinha ordenado a Noé de construir na arca, de certo não escaparia ao dilúvio mas pereceria também ele juntamente com os rebeldes. Se um Israelita que tinha acabado de passar o mar a pés enxutos tivesse decidido voltar para trás os seus passos (antes que Deus dissesse a Moisés de estender a sua mão sobre o mar para que as águas retornassem sobre os Egípcios), certamente ele pereceria com os Egípcios. Assim também nós que estamos em Cristo pela fé, devemos aplicar-nos a permanecer em Cristo se queremos ser salvos da ira vindoura. Portanto devemos continuar a crer nele e a nos guardar de lançar fora a nossa confiança, porque isso constituiria uma espécie de suicídio espiritual.

Por fim tenho a sublinhar que o apóstolo Pedro e o apóstolo Paulo (cito eles porque citei as suas palavras a respeito do batismo) batizavam logo aqueles que criam; isto vos recordo para vos fazer perceber como para eles o batismo devia seguir imediatamente a fé e não devia acontecer semanas ou meses ou anos depois. Para demonstração que para eles, ainda que não fosse o batismo que regenerasse, ele era um acto importante porque ordenado por Cristo a fazer logo. Infelizmente porém o exemplo deles hoje não é seguido no meio da maior parte das Igrejas por muitos motivos que não encontram nenhum apoio na Escritura (o número consistente, a estação quente, etc.). E isto não pode deixar de entristecer. Eu digo que se os padres mandam aos pais de fazer ‘batizar’ os seus bebés poucos dias depois do seu nascimento natural porque pensam que com aquela água derramada sobre a sua cabeça eles renascerão e se tornarão filhos de Deus, os ministros do Evangelho devem mandar que os bebés espirituais sejam logo batizados sabendo que o batismo é uma indagação de boa consciência feita a Deus e não o meio através do qual se renasce e se torna filho de Deus. Porque é que um morto com Cristo deve esperar dias, semanas ou meses antes de ser sepultado? O que impede que seja logo sepultado? Porventura não é verdade que Cristo quando morreu foi logo sepultado? Porque pois quando alguém morre com Cristo não deve ser logo sepultado? Se no campo natural mal alguém morre se pensa logo em sepultá-lo, por que é que no campo espiritual mal alguém morre para o pecado porque aceitou Cristo não deve ser logo sepultado? Por isso ó ministros do Evangelho não demoreis a batizar aqueles que verdadeiramente creram no Evangelho. Quero também aproveitar a ocasião para exortar aqueles que creram mas ainda demoram a se fazerem batizar. A estes digo: ‘Que esperais? Porque demorais? Levantai-vos e sede batizados’. Cuidai para não vos envergonhardes do batismo porque é um acto prescrito por Cristo Jesus, um mandamento a que deveis obedecer. Não vos deixeis enganar pelo diabo que com a sua astúcia procura ter-vos longe do batismo. Resisti-lhe pelo escudo da fé e sujeitai-vos a Cristo.

 

O limbo não existe

 

Deste lugar chamado ‘limbo’ para o qual iriam as crianças mortas sem batismo a Escritura não fala dele. Ela fala do seio de Abraão, mas ele era um lugar para onde iam os justos que morriam antes da ressurreição de Cristo e agora não existe mais porque os justos que lá estavam foram levados para o céu por Cristo (cfr. Ef. 4:8). É portanto inútil crer tanto na existência do limbo como também que as crianças que morrem sem batismo vão para lá morar.

 

O batismo de sangue e o de desejo não existem

O batismo de sangue e o de desejo brotaram da errada doutrina que o batismo com água confere a justificação e é portanto indispensável para a salvação; de facto ambos dão a justificação a quem por causa do martírio ou de outra causa não pôde batizar-se com a água. Portanto para confutar estes dois batismos basta reiterar que é só pela fé em Cristo que se é justificado e não pelo batismo com água; o batismo com água ainda que seja importante não justifica quem se faz batizar porque ele, dado que já creu, está já justificado dos seus pecados conforme está escrito: “Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus…” (Rom. 5:1), e também: “O justo viverá pela fé” (Rom. 1:17 NVI). Por conseguinte, dado que o batismo não justifica, quem creu e morre sem receber o batismo na água ou por morte natural repentina ou por causa do martírio, morre justificado por Deus e vai para o paraíso. Como o ladrão que se arrependeu na cruz antes de morrer por exemplo; ele não foi justificado e salvo porque desejou ser batizado, mas somente porque se arrependeu e creu em Cristo. Não há nenhuma necessidade de nomear o batismo de sangue e o de desejo porque eles são batismos inexistentes que os teólogos papistas fizerem despontar para substituir em uma certa medida o seu indispensável batismo com água nos casos em que ele não pode ser recebido. Em suma, para a igreja romana sem um dos seus batismos não se pode ser salvo; já não é sem a fé que não se pode ser salvo mas sem um destes batismos, ou seja, batismo com água por infusão, batismo de sangue e batismo de desejo. Ainda uma vez emerge de maneira clara como a salvação só pela fé em Cristo foi anulada pelos sofismas dos teólogos papistas. E como a negação da doutrina da justificação só pela fé produz toda sorte de estranhas doutrinas.

Que dizer então das palavras de Jesus por eles citadas para confirmar o batismo de sangue? Dizemos somente isto: Jesus falou deste batismo na morte a apóstolos seus já perdoados e já batizados na água, portanto a ele não se lhe pode dar de modo algum o significado lhe dado pela cúria romana.

 

fonte

 

 

Post a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Read more:
perguntas_frequentes
O que é e o que representa o batismo na água?

O batismo na água, q...

perguntas_frequentes
Por que razão a mulher deve cobrir a cabeça com um véu quando ora ou profetiza?

Por causa dos anjos,...

Close