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Confutação da Igreja Católica Romana: a eucaristia ( a missa)

A doutrina dos teólogos papistas

missaA ceia do Senhor é chamada eucaristia; quando o padre consagra o pão e o vinho acontece uma transformação da substância dos elementos pelo que o pão e o vinho tornam-se o verdadeiro corpo e sangue de Cristo. O pão portanto deve ser adorado com o culto de latria. A eucaristia deve ser servida ao povo só sob a espécie do pão. Os comungados devem tomar a eucaristia em jejum. A eucaristia é também a missa, ou seja, a repetição do sacrifício de Cristo; sacrifício que é oferecido pelos vivos e pelos mortos para a propiciação dos seus pecados. A missa é oferecida também em honra dos santos. A eucaristia perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais. Os Católicos romanos chamam a ceia do Senhor eucaristia, que vem do grego eucharistia que significa ‘agradecimento’, em memória do agradecimento feito por Jesus Cristo antes de partir o pão e de distribuir o cálice na noite em que foi traído [10 ]. Os teólogos papistas a propósito deste sacramento afirmam: ‘A Eucaristia é o Sacramento que, sob as aparências do pão e do vinho, contém realmente Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo para alimento das almas’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 471), e isto porque segundo a teologia romana a hóstia que é usada na comunhão, nas mãos do padre, torna-se o corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo (esta doutrina é chamada transubstanciação). Quero a tal propósito citar as palavras de Perardi, para vos fazer compreender o que é ensinado aos Católicos romanos a respeito da eucaristia: ‘Ministro da Eucaristia é o sacerdote; ele pronunciando, na Missa as palavras de Jesus Cristo, da consagração, sobre o pão e sobre o vinho, aplicando a forma à matéria , muda o pão no Corpo e o vinho no Sangue de Jesus Cristo’ (ibid., pag. 474); ‘Depois da consagração, a hóstia já não é pão; o pão é transformado no verdadeiro Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo. (…) A hóstia parece pão, ou melhor parece hóstia; mas da hóstia-pão já não há a substância mas só a espécie, as aparências externas; na realidade ela é o corpo de Jesus Cristo, vivo e verdadeiro. No cálice antes da consagração se contém o vinho com algumas gotas de água (…) Depois da consagração, no cálice já não há vinho; antes, sob a espécie do vinho, há o verdadeiro e real Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. O vinho se converteu no Sangue de Jesus Cristo (…) Por isso como ao pronunciar da divina palavra, na criação, as coisas que antes não eram, foram; assim ao pronunciar das palavras da consagração, o que era pão, tornou-se Corpo de Nosso Senhor, e o que era vinho, seu Sangue’ (ibid., pag. 483-484). O dogma da transubstanciação (termo que significa ‘mudança de substância’) foi proclamado pelo concílio Latrão IV em 1215 sob o papado de Inocêncio III, e o concílio de Trento lançou o seguinte anátema contra quem não o aceita: ‘Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e disser que somente está nele como símbolo, figura ou virtude, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XIII, can. 1). Para sustento deste dogma os teólogos papistas tomam as palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo” (Mat. 26:26) e: “Isto é o meu sangue” (Mat. 26:28) por ele pronunciadas depois de ter dado graças pelo pão e pelo cálice na noite em que foi traído. Deve-se ter presente porém que, apesar de na eucaristia ser consagrado tanto o pão como o vinho, a eucaristia é servida ao povo só sob a espécie do pão porque a cúria romana proíbe o cálice aos chamados leigos (os padres, pelo contrário, podem comungar tanto com o cálice como com a hóstia) baseando-se na decisão de proibi-lo tomada pelo concílio de Constança em 1415, confirmada pelo seguinte decreto do concílio de Trento: ‘Portanto, ainda que Cristo Senhor, na última ceia instituiu e deu aos apóstolos este sacramento sob as espécies de pão e de vinho, não está dito, porém, que aquela instituição e entrega queira significar que todos os fiéis por instituição do Senhor, estejam obrigados a receber ambas as espécies’ (Concílio de Trento, Sess. XXI, cap. 1). E para defender esta supressão ela lançou o enésimo anátema contra quem disser que todos os fiéis devem tomar o cálice com as seguintes palavras: ‘Se alguém disser que todos e cada um dos fiéis Cristãos devem receber ambas as espécies do santíssimo sacramento da eucaristia por preceito divino (….) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXI, can. 1). Mas quais são as justificações adoptadas pela cúria romana para esta mutilação? As seguintes: 1) Jesus deu o cálice só aos apóstolos; 2) quando nos Actos dos apóstolos está dito que os discípulos partiam o pão não está dito que se bebia o vinho; 3) o cálice é inútil porque o sangue de Cristo já se toma no pão eucarístico.

Deve ser depois feito notar que a eucaristia deve ser tomada em jejum porque em 1415 o concílio de Constança decretou quanto segue: ‘…embora Cristo tenha instituído este venerando sacramento depois da ceia e o tenha distribuído aos seus apóstolos sob ambas as espécies de pão e de vinho, isso não obstante, a louvável autoridade dos cânones sagrados e o costume autorizado da igreja considerou e considera que este sacramento não deve celebrar-se depois da ceia nem ser recebido por fiéis que não estão em jejum, excepto no caso de enfermidade ou de outra necessidade, consentido ou aprovado pelo direito ou pela igreja’ (Concílio de Constança, Sess. XIII). Este jejum imposto aos comungados é chamado eucarístico e segundo o Código de direito canónico consiste na abstenção de qualquer alimento ou bebida excepto a água natural por pelo menos um hora antes de tomar a eucaristia.

Segundo o catecismo católico ‘a Eucaristia não é só um Sacramento, mas é também o sacrifício permanente do Novo Testamento, e como tal se chama a santa Missa’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 507) [11 ]. Em outras palavras, a eucaristia, chamada pelos Católicos também santa missa, é a repetição do sacrifício que Cristo fez na cruz, de facto o catecismo católico diz a propósito da mesma: ‘A santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vinho, se oferece pelo sacerdote a Deus sobre o altar, em memória e renovação do sacrifício da Cruz’ (ibid., pag. 509) [ 12]. Segundo a teologia romana portanto o sacerdote que recebeu a ordem, sob as espécies do pão e do vinho, oferece a Deus sobre o altar o sacrifício do corpo de Cristo. Esta é a razão pela qual eles afirmam que ‘durante a Missa o altar é como o Calvário’ (ibid., pag. 507)! E ainda esta é a razão pela qual foi dado o nome de hóstia àquela coisa que o padre consagra porque hóstia é uma palavra latina que significa ‘vítima’. Alguém dirá: ‘Mas este sacrifício é também propiciatório para a teologia romana?’ Sim; de facto o concílio de Trento decretou quanto segue: ‘O santo sínodo ensina que este sacrifício é verdadeiramente propiciatório, e que por meio dele – se com coração sincero e fé verdadeira, com temor e reverência nos achegarmos a Deus contritos e penitentes – nós podemos obter misericórdia e achar graça num auxílio propício. Portanto, aplacado, por esta oferta, o Senhor, concedendo a graça e o dom da penitência, perdoa os pecados e as culpas mais graves’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, cap. II). As passagens que os teólogos papistas tomam para sustentar esta doutrina sobre o sacrifício expiatório da missa oferecido pelos sacerdotes católicos a Deus são as seguintes: “Porque todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Heb. 5:1); e: “Mas desde o nascente do sol até o poente é grande entre as nações o meu nome; e em todo lugar se oferece ao meu nome incenso, e uma oblação pura..” (Mal. 1:11). Segundo a sua interpretação dada a estas passagens os seus sacerdotes foram tomados dentre os homens para oferecer o sacrifício da missa a Deus pelos pecados do povo e assim fazendo eles oferecem a Deus uma oblação pura que é aquela que, segundo eles, o profeta Malaquias diz que se oferece a Deus em todo lugar. Contra os que não reconhecerem na missa a repetição do sacrifício de Cristo o concílio de Trento lançou os seus anátemas na verdade disse: ‘Se alguém disser que na missa não se oferece a Deus um verdadeiro e próprio sacrifício, ou que ser oferecido não significa mais senão que Cristo nos é dado a comer, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, can. 1); e também: ‘Se alguém disser que o sacrifício da Missa é uma blasfêmia contra o sacrifício de Cristo consumado na cruz, ou que aquele derroga este, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, can. 4).

A missa, segundo a teologia romana, faz parte do chamado sufrágio que os vivos devem fazer em prol das almas que estão no purgatório, de facto, no catecismo romano encontramos escrito: ‘Os principais meios com que podemos aliviar as almas do Purgatório são os que o Catecismo nos recordou: a saber; As orações, as Indulgências, as esmolas, as boas obras e sobretudo a santa Missa. O fruto destas obras, aplicado às almas do Purgatório, toma o nome de sufrágio, porque sufraga, isto é, alivia as penas das almas do Purgatório e apressa a libertação delas’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 173). Mediante este seu sufrágio, eles obtêm como retribuição as orações e as intercessões das almas que segundo eles estão no purgatório! E para sustentar tudo isto, os teólogos papistas se baseiam no facto descrito no livro dos Macabeus, segundo o qual Judas o Macabeu fez recolher dinheiro e o enviou a Jerusalém para que fosse oferecido um sacrifício pelos pecados de alguns que tinham morrido em batalha (cfr. 2 Macabeus 12:38-45).

A missa é oferecida também em honra aos santos. A tal respeito assim se exprimiu o concílio de Trento: ‘E ainda que a Igreja costume por vezes oferecer missas em honra e memória dos santos, ela, todavia, ensina que não é a eles que é oferecido o sacrifício, mas unicamente a Deus, que os coroou. É por isso que o sacerdote não costuma dizer: Ofereço-vos este sacrifício, S.Pedro ou S.Paulo; mas, dando graças a Deus pelas vitórias dos Santos, implora o auxílio deles; para que se dignem interceder por nós no céu, aqueles cuja memória celebramos na terra’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, cap. III), e: ‘Se alguém disser que é impostura celebrar Missas em honra dos Santos com o fim de conseguir a sua intercessão junto a Deus, como é intenção da Igreja, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXII, can. 5).

A doutrina da transubstanciação deu lugar à introdução da doutrina que diz que a hóstia é digna de ser adorada. A adoração da hóstia foi introduzida por Honório III em 1220, e foi confirmada pelo concílio de Trento em 1551 com estas palavras: ‘Não há dúvida alguma de que todos os fiéis cristãos, segundo o costume que sempre vigorou na Igreja católica, devem tributar a este santíssimo sacramento na sua veneração o culto de latria, que só se deve ao verdadeiro Deus’ (Concílio de Trento, Sess. XIII, cap. V), e assim os teólogos católicos ensinam ao povo que a Eucaristia conserva-se nos lugares de culto [ 13 ] da igreja católica para que os fiéis a adorem. As consequências? Há milhões de pessoas no mundo que se ajoelham diante da hóstia e a adoram crendo que ela seja o próprio Jesus Cristo e por isso Deus. Também para defender o dogma da adoração da hóstia o concílio de Trento lançou o seu enésimo anátema contra os que não o aceitam. Ei-lo: ‘Se alguém disser que no santo sacramento da Eucaristia Cristo, Unigénito Filho de Deus, não deve ser adorado com culto de latria, também externo; e, portanto, que não deve também ser venerado com festividade particular; e ser levado solenemente nas procissões, segundo o louvável e universal rito e costume da santa igreja; ou que não deve ser exposto à pública veneração do povo, para que seja adorado; e que seus adoradores são idólatras, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XIII, can. 6).

Pelo que respeita aos efeitos da eucaristia sobre os que a tomam dignamente lemos quanto se segue: ‘A Eucaristia, em quem a recebe dignamente, conserva e aumenta a graça, que é a vida da alma, como faz o alimento para a vida do corpo; perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais; dá espiritual consolação e conforto, aumentando a caridade e a esperança da vida eterna da qual é penhor’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 503).

Ora, na igreja romana o sacramento da eucaristia não é considerado absolutamente necessário para a salvação, de facto, Bartmann afirma: ‘Embora os adultos sejam expressamente obrigados por lei divina e preceito eclesiástico a receber a Eucaristia, todavia ela não é indispensável para a salvação. – É de fé’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 192). Porque segundo a teologia romana os sacramentos necessários para a salvação são o batismo e a penitência para quem caiu em pecados ‘mortais’ depois o batismo. É necessário dizer porém que na igreja romana o sacramento da eucaristia outrora era considerado indispensável para a salvação, de facto tanto Inocêncio I (401-417) como Gelásio I (492-496) ensinavam que as crianças não podiam salvar-se sem este sacramento. Também Agostinho afirmava a absoluta necessidade do sacramento da eucaristia para a salvação, de facto disse: ‘Se tantas e tão importantes testemunhas concordam, ninguém sem o Batismo e o sangue do Senhor pode esperar a salvação e a vida eterna, em vão, sem estes sacramentos, a vida eterna é prometida às crianças’ (Citado por Bernardo Bartmann in op. cit., pag. 193). Esta absoluta necessidade do sacramento da eucaristia para a salvação das crianças foi depois condenada pelo concílio de Trento nestes termos: ‘Se alguém disser que a comunhão eucarística é necessária às crianças, antes de chegarem à idade da razão, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXI, can. 4). Ora, apesar de, segundo aquilo que o concílio de Trento decretou, este sacramento não ser indispensável para a salvação, Giuseppe Perardi no Novo Manual do Catequista fala dele de maneira a atribuir-lhe o poder de salvar, com efeito afirma: ‘Devendo o enfermo em perigo de morte, fazer a comunhão, também os parentes, os amigos, têm o dever e bem sério de avisá-lo do seu estado e de ajudá-lo a providenciar a tempo ao seu dever e à sua necessidade; ou melhor têm responsabilidade pela sua alma. Deles pode depender que se salve ou se perca, conforme receber ou não os Sacramentos [comunhão e extrema unção]’ (Giuseppe Perardi, op. cit. , pag. 497); e falando daqueles que por vãos pretextos não fazem a comunhão diz: ‘Virá a hora do castigo, da tentação, da morte; vão precisar da comunhão para conforto, para auxílio, para salvação; mas ou não a farão, ou, geralmente, não a farão bem. Infelizes em vida aqueles que não frequentam a comunhão; mais infelizes na eternidade!’ (ibid. , pag. 501). E ainda este teólogo para sustentar que tomar a comunhão significa receber a vida eterna em si mesmo porque se recebe a carne e o sangue de Cristo cita as seguintes palavras de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo que se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim…. quem comer este pão viverá para sempre” (João 6:53-57,58); e as comenta dizendo: ‘Jesus prometeu a ressurreição final e a vida eterna a quem come a sua carne e ameaça a privação da vita eterna a quem não come a sua carne..’ (ibid., pag. 481), e também: ‘Os Hebreus comeram o maná e morreram; quem come a eucaristia viverá eternamente’ (ibid. , pag. 505). Cuidai que estas palavras do Evangelho escrito por João eram tomadas também por Inocêncio I, Gelásio I e Agostinho para sustentar a absoluta necessidade do sacramento da eucaristia para a salvação.

Confutação

A ceia do Senhor deve ser ministrada a todos os crentes tanto com o pão como com o cálice

A decisão que suprimiu a distribuição do cálice aos Católicos vai abertamente contra a Palavra de Deus que diz: “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim” (1 Cor. 11:23-25). Como se pode bem ver Jesus instituiu a santa ceia com pão e vinho e não somente com pão, portanto juntamente com o pão deve ser distribuído a todos os fiéis também o cálice do Senhor contendo o fruto da videira conforme está escrito num outro lugar: “E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos…” (Mat. 26:27).

Agora demonstraremos a falsidade das razões adoptadas pelos papistas para a supressão do cálice. Em resposta à primeira razão dizemos: é verdade que Jesus deu o cálice só aos seus apóstolos, mas isso porque ele quis comer a Páscoa só juntamente com eles e não juntamente com todos os seus discípulos. E não porque tinha classificado os seus discípulos em duas classes. E depois é igualmente verdade que também o pão Jesus o deu só aos seus apóstolos; por que então os padres o dão também aos ‘leigos’? Em resposta à segunda dizemos: o facto de nos Actos dos apóstolos estar escrito que os discípulos partiam o pão mas não bebiam o cálice não significa que eles não bebiam o cálice do Senhor, antes estamos seguros que juntamente com o pão eles bebiam o vinho, em obediência à ordem de Cristo dada aos seus apóstolos. Os apóstolos ensinavam todas as coisas que Jesus lhes tinha ordenado ensinar, entre as quais também o beber o cálice juntamente com comer o pão. E depois, aos Coríntios, Paulo falando aos santos diz: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice” (1 Cor. 11:28); o que confirma que todos os crentes, depois de se terem examinado, podem beber do cálice, e não só uma parte deles. Por fim, em resposta à terceira asserção que diz que o sangue já está contido no pão, dizemos: Mas então se é assim por que é que os padres bebem também o cálice além de comerem o pão? Que fazem pois? Comungam com o sangue de Cristo duas vezes e não só uma? E ainda: ‘Não pode ser como dizem os teólogos papistas porque doutra forma Jesus teria dado só o pão aos seus discípulos e não também o vinho’.

Eis demonstrada a falsidade das justificações papistas feitas para justificar a supressão do cálice. Depois, além de tudo isto, importa dizer que não é verdade que no momento em que os fiéis comem o pão e bebem do cálice do Senhor comem o verdadeiro corpo do Senhor e o verdadeiro sangue do Senhor, porque, tanto pelas palavras de Jesus como por as de Paulo sobre a ceia emerge que eles são símbolos que representam o corpo e o sangue do Senhor.

Portanto, para concluir esta parte, a ceia do Senhor deve ser ministrada aos crentes sob as duas espécies do pão e do vinho, como fez Jesus.

Quando se abençoam o pão e o cálice do Senhor não acontece nenhuma mudança de substância dos elementos

Nós crentes rejeitamos a transubstanciação; as razões desta nossa recusa são as seguintes que provamos com as Escrituras.

Ÿ Jesus disse acerca da santa ceia por ele instituída: “Fazei isto em memória de mim” (1 Cor. 11:24); portanto Ele não pode estar presente realmente e substancialmente no pão e no vinho com o seu corpo, o seu sangue juntamente com a sua alma e Divindade porque doutra forma se teria contradito.

Ÿ Nós comendo o pão e bebendo o vinho na santa ceia anunciamos a morte do Senhor “até que ele venha” (1 Cor. 11:26); portanto ele há de vir e não vem residir no pão e no vinho depois que é feita a benção.

Ÿ Quando Jesus tomou o cálice deu graças e depois o deu aos seus discípulos, para que bebessem dele, disse-lhes: “Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue….” (Mat. 26:28), e logo depois disse-lhes: “Digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai” (Mat. 26:29). Portanto a substância do vinho permaneceu intacta e ele não foi transubstanciado em sangue como dizem os teólogos católicos, porque Jesus depois de ter abençoado o cálice o chamou “fruto da videira”.

Ÿ Quando se abençoa o cálice da benção contendo o fruto da videira a substância do vinho não muda de modo algum; não acontece um milagre mediante o qual o vinho torna-se em sangue. Um milagre de transformação de substância aconteceu no Egipto quando as águas do Egipto se tornaram em sangue (cfr. Ex. 7:14-21); então sim a água por diversos dias foi verdadeiro sangue. Um outro milagre de substância aconteceu em Caná da Galiléia quando Jesus transformou a água em vinho (cfr. João 2:1-10). Mas de certo não podemos dizer que uma coisa do género acontece ao vinho contido no cálice do Senhor.

Ÿ Lucas, a propósito da instituição da santa Ceia operada por Jesus Cristo, diz que Jesus “tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20); portanto ele chamou aquele cálice o Novo Pacto. Ora, nós sabemos que o Novo Pacto é uma aliança que Deus fez connosco mediante o sangue de Cristo e não um cálice, por isso com essas palavras Jesus quis dizer que aquele cálice representava o Novo Pacto em seu sangue. A mesma coisa portanto deve ser dita das palavras de Jesus: “Isto é o meu sangue” (Mar. 14:24), em referência ao vinho do cálice. Jesus não quis dizer que aquele vinho era o seu verdadeiro sangue, que de resto não tinha ainda derramado, mas um símbolo do seu sangue. Em conclusão, o vinho no cálice representa tanto o Novo Pacto como o sangue de Cristo.

Ÿ Paulo diz aos Coríntios: “Porventura o cálice da benção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Cor. 10:16); portanto nós, quando bebemos o cálice do Senhor temos comunhão com o sangue de Cristo, e quando comemos o pão temos comunhão com o corpo de Cristo. Isto exclui que o vinho e o pão possam ser o verdadeiro sangue de Cristo e o verdadeiro corpo de Cristo, como dizem os teólogos católicos romanos. Isto o se pode deduzir também da comparação que mais à frente o apóstolo faz. Paulo diz: “Vede a Israel segundo a carne; os que comem os sacrifícios não têm eles comunhão com o altar?” (1 Cor. 10:18); o que significa que os Israelitas comendo os sacrifícios oferecidos no altar tinham comunhão com o altar que era santíssimo. Mas nem por isso afirmamos que os sacrifícios que eles comiam eram o altar, porque isso seria absurdo. Portanto também no caso do pão e do vinho que são os elementos que são abençoados na ceia do Senhor, não se pode afirmar que por causa do facto de aqueles que os ingerem terem comunhão com o corpo e o sangue de Cristo eles sejam verdadeiramente e substancialmente a carne e o sangue de Cristo. Eles quando são abençoados não mudam de substância, mas permanecem tal e qual eram antes de serem abençoados, e os que os assimilam se põem em comunhão com o corpo de Cristo. Mas dizei-me: Se aqueles elementos mudassem de substância e se tornassem o verdadeiro corpo e sangue de Cristo como poderiam continuar a ainda estar sujeitos à decomposição? Como poderia o pão ainda mofar e criar vermes, e o vinho tornar-se azedo?

Ÿ Pedro disse que o céu deve receber Jesus “até aos tempos da restauração de todas as coisas” (Actos 3:21); portanto Cristo está no céu. Mas o padre pretende com a missa fazê-lo descer do céu para a hóstia; isto é loucura!

Ÿ Jesus disse aos seus: “Sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre” (Mat. 26:11); portanto é irracional que Cristo esteja presente corporalmente na hóstia consagrada pois isso significaria que Cristo estaria sempre corporalmente connosco. Para confirmação do facto de Cristo não poder estar substancialmente, realmente e corporalmente no pão que se parte na ceia do Senhor citamos as palavras de Paulo que disse aos Coríntios: “Sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor” (2 Cor. 5:6), e as que disse aos Filipenses: “Tendo desejo de partir, e estar com Cristo” (Fil. 1:23). Portanto também Paulo quando comia o pão e bebia do cálice do Senhor sabia estar ausente do Senhor, e que o Senhor estava ausente corporalmente; de facto ele desejava partir do corpo para ir com Cristo para o céu. Os teólogos católicos, ao contrário, ensinam que aquele mesmo Jesus que está agora glorioso no céu que nasceu de Maria e que morreu na cruz está na eucaristia, e efectivamente afirmam que nela ‘está Jesus em pessoa’. E assim fazem crer às pessoas que Jesus se encontra corporalmente na hóstia conservada no tabernáculo do seu lugar de culto, e as convidam a o ir visitar, de facto assim se exprime Perardi: ‘Visitai muitas vezes Jesus na Eucaristia’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 489). Eis as mentiras que a doutrina da transubstanciação deu à luz! e o povo crê nisto.

Ÿ Jesus disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mat. 18:20), e ainda: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mat. 28:20). Portanto Jesus Cristo está no meio dos crentes e com os crentes onde quer que eles se reunam em seu nome e também quando não estão reunidos para partir o pão para anunciar a sua morte. Estas palavras de Jesus anulam a presunçosa doutrina dos teólogos papistas porque nos fazem compreender quão falsa ela é e quão inútil é crer na doutrina da transubstanciação e nas doutrinas a ela ligadas, de facto vos pergunto: ‘Se Jesus está sempre e onde estivermos connosco que necessidade há de crer na transubstanciação?’ Que necessidade há de crer que Jesus se encontra em pessoa no pão da comunhão? Pode porventura o pão consolar-nos como faz o Consolador enviado por Cristo? Pode porventura o pão estar sempre perto de nós? Que assistência pode nos dar o pão que nós partimos? No entanto, isto parecerá incrível, aos Católicos a hóstia do padre é feita passar pelo próprio Jesus!

Ÿ O facto de Jesus quando instituiu a santa ceia ter dito do pão: “Isto é o meu corpo”, e do vinho: “Isto é o meu sangue” não deve enganar ninguém. O verbo ser neste caso quer dizer ‘significa’ ou ‘representa’ o meu corpo e o meu sangue. Temos alguns exemplos na Escritura que confirmam isto: Quando Daniel interpretou ao rei o sonho que ele tinha tido disse-lhe: “Tu és a cabeça de ouro…” (Dan. 2:38), entendendo com isto que a cabeça de ouro da estátua representava o reino de Babilónia que estava nas mãos de Nabucodonosor. Quando José interpretou os sonhos ao copeiro e ao padeiro-mor de Faraó disse-lhes: “Os três sarmentos são três dias… Os três cestos são três dias” (Gen. 40:12,18); também neste caso aquele “são” está para ‘significam’. O pão e o vinho portanto ainda que sejam chamados o corpo e o sangue de Cristo simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, e por isso são apenas símbolos. Isto, de qualquer modo, não deve levar ninguém a desprezar estes símbolos, porque quem os despreza é julgado por Deus conforme está escrito na epístola de Paulo aos Coríntios: “Qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (1 Cor. 11:27). Comer do pão e beber do cálice indignamente significa não discernir naqueles elementos o corpo e o sangue do Senhor conforme está escrito: “Quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor” (1 Cor. 11:29).

Para concluir dizemos portanto que a transubstanciação é uma das muitas mentiras presentes na igreja católica romana que os teólogos católicos romanos procuram fazer parecer verdadeira interpretando a seu capricho as Escrituras.

Explicação das palavras de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”

Ora, estas palavras do Senhor devem ser entendidas espiritualmente e não literalmente porque Jesus pouco depois disse também: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” (João 6:63), portanto elas não significam que se alguém toma a comunhão tem a vida eterna enquanto se não a toma irá em perdição. As seguintes reflexões e considerações, feitas servindo-nos de outras Escrituras, confirmam que as referidas palavras que Jesus dirigiu na sinagoga de Cafarnaum têm um significado puramente espiritual.

Ÿ Confrontando estas palavras de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:54), com estas outras: “Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:40), se entende que comer a carne de Jesus e beber o seu sangue significa vê-lo e crer nele, por isso para receber a vida eterna se deve crer.

Ÿ Confrontando estas palavras de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (João 6:56), com estas palavras de João: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou. Quem guarda os seus mandamentos, em Deus permanece e Deus nele” (1 João 3:23-24) é evidente que quem come a carne de Jesus e bebe o seu sangue é quem crê no seu nome e guarda os seus mandamentos.

Ÿ Se para receber a vida eterna fosse preciso comer o pão e beber o cálice do Senhor, a vida eterna não seria mais o dom de Deus, mas sim algo que se pode receber em troca de uma boa obra como o comer a ceia do Senhor. Neste caso seria anulada a graça e seria feita vã a promessa da vida eterna baseada na fé. Se fosse assim não precisaríamos de exortar os pecadores a se arrependerem e a crer no nome do Senhor Jesus, porque bastaria dar-lhes o pão e o vinho que segundo alguns são verdadeiramente a carne e o sangue de Jesus. Mas não se pode aceitar uma semelhante doutrina porque não é confirmada pela Escritura e nem pelos factos. Quais factos? Estes. No seio da igreja romana os pecadores, os adúlteros, os ladrões, os avarentos, os idólatras comem a hóstia e alguns também bebem o cálice e não têm a vida eterna neles mesmos, de facto eles dizem que não a têm. Mas não só, eles nos acusam de presunção porque nós dizemos de ter a vida eterna pela graça de Deus. No meio das igrejas de Deus alguns condutores que não têm muito discernimento fazem tomar a ceia do Senhor também a pessoas que não são ainda nascidas de novo, mas elas, como ainda não se arrependeram e ainda não creram com o seu coração no Evangelho, sem vida estão antes de comer a ceia e sem vida estão depois de ter comido o pão e bebido do cálice do Senhor; isto para demonstração, que o comer e beber estes elementos não confere a vida eterna aos que a tomam.

Ÿ O Senhor quando naquela noite disse aos seus: “Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mat. 26:28), não tinha sido ainda crucificado na cruz, e por isso ainda não tinha derramado o seu sangue, no entanto chamou o fruto da videira o seu sangue. Por conseguinte as palavras de Jesus eram espirituais. Certo, nós reconhecemos que há diversas coisas acerca da ceia do Senhor que são imperscrutáveis e por isso incompreensíveis, entre as quais justamente o facto de Jesus ter chamado o fruto da videira o seu sangue e o pão o seu corpo, e que quando nós comemos do pão e bebemos do cálice do Senhor temos comunhão com o corpo e o sangue do Senhor, mas é necessário vigiar para não cair no erro no qual caíram os teólogos católicos romanos a seguir a arbitrárias interpretações escriturais.

Ÿ Jesus muitas vezes falou por figuras, de facto, disse dele: “Eu sou a porta das ovelhas… Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á..” (João 10:7,9), e: “Eu sou o caminho…” (João 14:6); e depois de ter ressuscitado, quando apareceu a João lhe disse: “Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã” (Ap. 22:16). Portanto não é de admirar se nos dias da sua carne o Filho de Deus disse: “A minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida” (João 6:55), e: “Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (João 6:53). Certo, este falar é duro mas nós o aceitamos, e não queremos ser como aqueles seus discípulos que disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (João 6:60), e ficaram escandalizados das suas palavras. “Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim” (Mat. 11:6), disse Jesus, portanto não nos escandalizemos das referidas palavras do Senhor pois elas são verdade, mas recordai-vos que elas são para entender espiritualmente conforme disse Jesus: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” (João 6:63).

Os efeitos de comer o pão e de beber do cálice do Senhor segundo a Escritura

Como vimos o catecismo católico afirma que a eucaristia em quem a recebe dignamente opera coisas milagrosas, com efeito, aumenta e conserva a graça, perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais, consola e conforta e aumenta a caridade e a esperança da vida eterna. Era inevitável, devemos dizer, que dando aquele errado significado à ceia do Senhor, os teólogos católicos extraíssem também todos estes efeitos extraordinários. Mas que diz a Escritura? A Escritura não diz que a ceia do Senhor conserva e aumenta a graça, que perdoa certos pecados e preserva de outros, e nem diz que dá conforto e aumenta a caridade e a esperança da vida eterna. Tudo o que ela diz é que todas as vezes que comemos esse pão e bebemos esse vinho nós anunciamos a morte do Senhor até que ele venha conforme está escrito: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Cor. 11:26); e que nós temos comunhão com o corpo e o sangue de Cristo conforme está escrito: “Porventura o cálice da benção, que abençoamos, não é comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Cor. 10:16). Alguém dirá: Só isso? Sim, só isso. Naturalmente é supérfluo dizer que se sente alegria em participar na ceia do Senhor, precisamente porque se recorda a morte do Senhor e portanto o seu grande amor por nós, e se tem comunhão com o seu corpo e o seu sangue.

A adoração da hóstia é idolatria

A Escritura não ensina de modo nenhum que nós devemos adorar o pão que partimos na ceia do Senhor; ele é pão e portanto não é digno de ser adorado. Jesus disse: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Também Jesus é digno de ser adorado porque Deus diz: “Todos os anjos de Deus o adorem” (Heb. 1:6) mas também Ele deve ser adorado em espírito e em verdade como o seu Pai. O que constitui portanto a adoração da hóstia? A adoração da hóstia não é mais que uma das muitas formas de idolatria que está presente nesta pseudo-igreja e que a cúria romana ordena praticar para dano de milhões de almas no mundo.

O jejum imposto aos comungados vai contra a Palavra de Deus

A ordem de tomar a eucaristia em jejum é contrária à Palavra de Deus porque Jesus distribuiu o pão e o cálice aos seus discípulos enquanto eles comiam; de facto Marcos diz: “Enquanto comiam, Jesus tomou pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, dizendo: Tomai; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho; e todos beberam dele. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do pacto, que por muitos é derramado…” (Mar. 14:22-24); e Lucas afirma que Jesus distribuiu ainda o cálice depois da ceia dizendo: “Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20). Ainda uma vez constatamos claramente como para a cúria romana a Palavra de Deus não importa absolutamente nada; o que lhe importa é a tradição e nada mais.

A eucaristia não é de maneira nenhuma a repetição do sacrifício de Cristo e nem uma oferta propiciatória que o sacerdote católico oferece a Deus pelos pecados

Agora demonstraremos pelas Escrituras que Jesus Cristo não instituiu de maneira nenhuma a missa, que os padres não são de maneira nenhuma sacerdotes ordenados por Deus e que a missa que eles oferecem não é o renovamento do sacrifício de Cristo.

Ÿ Se como dizem eles a missa é a repetição do sacrifício de Cristo e foi instituída por Cristo, de que sacrifício era a repetição a eucaristia instituída por Cristo dado que Cristo ainda não se tinha oferecido a si mesmo na cruz? Não é porventura esta uma clara contradição que anula a missa como repetição do sacrifício de Cristo? Certamente que o é, porque seguindo a lógica dos teólogos papistas, Jesus para que a ceia fosse declarada uma repetição do seu sacrifício, deveria tê-la instituído depois da sua morte e não antes. É de se excluir portanto que a ceia do Senhor tenha sido instituída por Cristo como repetição do seu sacrifício porque Jesus Cristo, naquela noite, instituiu a santa ceia e disse aos seus para a fazerem em sua memória, portanto para recordar o seu sacrifício que dali a pouco faria uma vez para sempre. Coisa que os teólogos não negam, com efeito, afirmam que Jesus instituiu a eucaristia também para perpétua recordação da sua paixão e morte; portanto não só como sacrifício permanente do Novo Testamento. Mas também aqui não podemos deixar de dizer que se contradizem de novo, porque não é admissível que a ceia do Senhor seja ao mesmo tempo o anúncio da morte de Cristo e a própria morte de Cristo. Seria como dizer que fazendo uma determinada coisa para recordar um facto feito por uma pessoa, ao mesmo tempo se repete aquele facto feito por essa pessoa muito tempo antes!

Ÿ Jesus disse tanto quando deu o pão como também quando deu o cálice aos seus discípulos: “Fazei isto em memória de mim” (1 Cor. 11:24); e Paulo diz: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Cor. 11:26); portanto a celebração da ceia do Senhor é a lembrança do sacrifício expiatório de Cristo porque com ela é anunciada a sua morte, e não é a repetição do sacrifício de Cristo porque ele foi feito uma vez para sempre e não pode ser repetido de nenhuma maneira. Para compreender como a ceia do Senhor é um acto feito para recordar o sacrifício de Cristo e não é o renovamento dele é necessário lembrar da Páscoa judaica. Ora a Páscoa foi instituída por Moisés por ordem de Deus quando o povo de Israel estava no Egipto; nela os Judeus deviam imolar um cordeiro sem defeito, assá-lo no fogo e comê-lo com pão sem fermento e com ervas amargas; e tudo isso todos os anos. Mas por que motivo deviam anualmente fazer este rito? Para recordar o dia em que Deus os tinha tirado do Egipto depois de uma escravidão secular, de facto Deus disse: “E este dia vos será por memória… E naquele dia explicarás a teu filho, dizendo: Isto é por causa do que o Senhor me fez, quando eu saí do Egipto” (Ex. 12:14; 13:8). Ora, é claro que ninguém pode dizer que todas as vezes que os Judeus celebravam a Páscoa se renovava para eles a sua libertação do Egipto porque ela tinha acontecido tempo atrás no Egipto e não podia ser de nenhuma maneira renovada. Da mesma maneira também a ceia do Senhor foi instituída por Cristo por ordem de Deus para recordar a sua morte, acontecida uma vez para sempre na consumação dos séculos, mediante a qual nós fomos libertados da escravidão do pecado. E também aqui importa dizer que como a ceia do Senhor se faz em lembrança do sacrifício de Cristo e portanto também em lembrança da libertação do pecado por nós recebida pela oferta do seu corpo e do seu sangue, ela não pode ser a repetição do sacrifício de Cristo e por conseguinte também não pode ser a repetição da nossa libertação.

Ÿ Cristo ofereceu-se a si mesmo uma vez para sempre porque a Escritura diz: “Fomos santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre” (Heb. 10:10), e também que ele entrou “no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; [não] para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Heb. 9:24-26). A missa que o padre faz portanto é um acto de presunção abominável a Deus e que engana todos os que nela crêem, porque o padre pretende com a missa renovar o sacrifício de Cristo, enquanto a Escritura ensina que Cristo Jesus na plenitude dos tempos ofereceu-se a si mesmo pelos nossos pecados uma vez para sempre. Certo, o clero romano admite que o sacrifício da missa é um sacrifício incruento em que Cristo não derrama o seu sangue, mas isto não justifica de modo algum a missa. Cristo não a mandou portanto não deve ser feita e basta. É um sacrifício incruento sem derramamento de sangue? Para nós não é nem um sacrifício e nem sequer incruento; mas somente um rito abominável a Deus. Mas dado que os teólogos papistas falam desta maneira a respeito da missa e dizem ao mesmo tempo que ela é oferecida para aplacar Deus e dar-lhe satisfação dos nossos pecados, e dado que a Escritura diz que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Heb. 9:22), nós lhes perguntamos: ‘Mas não vos dais conta que vos contradizeis a vós mesmos? Dizeis: ‘No sacrifício da Missa Jesus aplaca por nós o Eterno Pai, oferecendo-se a si mesmo a ele, para que depois o pecado não nos puna como merecíamos (…) e oferece a satisfação pelos nossos pecados’ (Giuseppe Perardi, op. cit. , pag. 513), e ao mesmo tempo dizeis que a missa é um sacrifício sem derramamento de sangue, portanto sem o poder de vos perdoar os vossos pecados! E depois, ainda: ‘Mas como podeis dizer que a vossa missa é o sacrifício de Cristo e depois ao mesmo tempo dizer que não acontece nenhum derramamento de sangue quando a Escritura ensina que quando Jesus se ofereceu a si mesmo a Deus houve o derramamento do seu sangue? Mas é ou não é um sacrifício? Quantas contradições se notam nas palavras dos teólogos papistas também quando falam da missa!

Ÿ Os sacerdotes que foram tomados por Deus dentre os homens para oferecer sacrifícios pelos pecados do povo eram Levitas, e mais precisamente da ordem de Arão. Além disso o seu sacerdócio era transmissível, de facto, quando eles morriam passava aos seus filhos. Cristo Jesus, pelo contrário, foi sim também ele tomado dentre os homens, mas ele foi constituído Sumo Sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque, que é uma ordem superior à de Arão porque Melquisedeque é superior a Arão. Ele, como Sumo Sacerdote dos bens futuros, depois de se ter oferecido a si mesmo pelos nossos pecados ressuscitou dos mortos e não morre mais. Por esta razão, à diferença do sacerdócio levítico, o seu sacerdócio não é transmissível conforme está escrito: “Aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio que não se transmite [ou perpétuo]” (Heb. 7:23,24); portanto podemos dizer que Ele tenha sido o último Sacerdote legitimado por Deus para oferecer um sacrifício pelo povo. Com o sacerdócio de Cristo foi anulado o sacerdócio levítico precisamente porque agora não há mais necessidade deles oferecerem sacrifícios de expiação para os homens. Os sacerdotes católicos portanto são impostores que porém conseguem-se fazer passar como sacerdotes instituídos por Deus para oferecer o sacrifício da missa. Como se Deus tivesse renegado a sua Palavra para agradar a esta raça de gente que se crê pura mas que ainda não foi lavada da sua imundícia! Estes enganadores misturaram habilmente o sacerdócio levítico, os sacrifícios expiatórios da lei e o altar do Antigo Pacto com o sacrifício de Cristo e a ceia do Senhor a fazer com o pão e o vinho e disso fizeram a missa. Que dizer? Importa reconhecer que Satanás conseguiu enganar multidões de pessoas fazendo alavanca na Palavra de Deus!

Ÿ Os sacrifícios expiatórios que os sacerdotes segundo a ordem de Arão deviam oferecer eram a sombra do perfeito e único sacrifício expiatório que Cristo ofereceria na plenitude dos tempos. Portanto eles eram imperfeitos e de facto está escrito: “Se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; pois se trata somente de comidas, e bebidas, e de várias abluções, enfim, de regras carnais impostas até ao tempo da reforma” (Heb. 9:9,10), e também: “A lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a realidade exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus” (Heb. 10:1), e: “Todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados” (Heb. 10:11). Mas agora que Cristo se ofereceu a si mesmo uma vez para sempre pelos nossos pecados, nós não temos mais necessidade de algum sacerdote que na terra ofereça um sacrifício pelos nossos pecados (a missa), porque Jesus cumpriu todas as coisas concernentes à expiação dos pecados morrendo sobre a cruz. Os Católicos portanto com a sua missa demonstram não considerar o sacrifício de Cristo perfeito e feito uma vez para sempre pelos nossos pecados. Mas também aqui importa dizer que os teólogos católicos romanos caem numa enésima contradição porque por um lado afirmam que o sacrifício de Cristo foi suficiente para fazer a expiação dos pecados e por outro afirmam que a missa dado que é uma repetição do sacrifício de Cristo satisfaz os pecados dos homens! Em suma é como se alguém vos dissesse: ‘Alguém extinguiu as minhas dívidas que tinha para com Fulano, porque pagou a Fulano toda a soma que eu lhe devia; mas eu quero acabar de lhe pagar todas as minhas dívidas!’ Julgai por vós mesmos irmãos o que digo.

Ÿ A missa que eles dizem ser uma oblação pura oferecida a Deus é antes um perfume abominável a Deus porque eles mediante este seu sacrifício sobre o altar pretendem fazer morrer Cristo e oferecê-lo a Deus pelos pecados do povo. O teólogo Perardi de facto diz: ‘O sacrifício da Missa é o mesmo sacrifício da Cruz’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 510). E aqui há necessidade de dizer isto: segundo o catecismo católico o padre como sacerdote de Deus oferece sobre o altar a vítima que é Jesus, portanto o padre como sacrificador resulta superior à vítima que ele oferece, ou seja, a Jesus. Além disso o padre, segundo a aberrante teologia papista, tem poder sobre o corpo de Cristo, de facto, o toma e o leva para onde quer, o dá a comer a quem quer, o fecha onde quer; mas tudo isto é inaceitável porque representa um desprezo por Aquele que está acima de todos; tudo isto é verdadeiramente execrável, repugnante. Ó Católicos, caí em vós mesmos; até quando ireis atrás da vaidade e da mentira? Investigai as Escrituras!

Ÿ Debaixo da graça todos os crentes em Cristo Jesus, isto é, todos os membros da Igreja de Deus, são sacerdotes conforme está escrito: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real..” (1 Ped. 2:9), e ainda: “Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Ap. 5:9,10). E como são sacerdotes assim devem também eles oferecer a Deus sacrifícios como os ofereciam os sacerdotes levitas, mas eles não são constituídos por vítimas de animais a oferecer sobre algum altar em algum santuário terreno, mas pelo louvor, pela oração, e pelas ofertas. As seguintes Escrituras testificam isto: “Sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Ped. 2:5); “Suba a minha oração perante a tua face como incenso..” (Sal. 141:2), e: “Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Ap. 5:8); “Portanto ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome! E não vos esqueçais da beneficência e de repartir com outros, porque com tais sacrifícios Deus se agrada” (Heb. 13:15,16). A passagem de Malaquias se refere precisamente aos sacrifícios espirituais que um dia nós Gentios em Cristo Jesus ofereceríamos ao nome do Senhor, e não ao sacrifício da missa que os sacerdotes católicos ofereceriam a Deus pelos quatro cantos da terra!

As missas pelos mortos são funções vãs

Vimos que os teólogos papistas para confirmar que é lícito oferecer a missa por aqueles que morreram e estão no purgatório tomam o gesto feito por Judas Macabeu que mandou oferecer um sacrifício pelo pecado daqueles Judeus caídos em batalha. Mas nós consideramos que este facto não confirma de modo nenhum a missa em favor dos defuntos, mas confirma que Judas o Macabeu fez uma coisa anti-escritural porque na lei de Moisés não está escrito em nenhuma parte que Deus ordenou aos Israelitas oferecer sacrifícios expiatórios pelos mortos, mas somente pelos vivos. Portanto prescindindo do facto de o purgatório não existir, e de a missa não ser um sacrifício, diante da Palavra de Deus desaba também o sustentáculo sobre o qual se apoia a missa pelos mortos.

Mas a missa, embora seja um rito inútil e sacrílego, permanece ainda de pé na igreja romana com toda a sua pompa; ela representa o momento mais solene do culto católico romano, a que o clero romano é muito apegado. E os teólogos papistas a defendem incansavelmente fazendo acrobacias exegéticas de todo género e discursos vãos de todo género que se vão infringir contra a Palavra de Deus e caem por terra. Mas por que motivo a missa é defendida incansavelmente pela igreja romana e representa uma coisa irrenunciável para a igreja romana? Porque se viesse a faltar viria a faltar uma das principais minas de dinheiro de que o clero romano saca os seus capitais. As missas têm um preço (atenção porém, porque os Católicos se defendem dizendo que as missas não estão à venda; isso em palavras, mas não nos factos). Missa é sinónimo de dinheiro para os padres e para o papado; e ao mesmo tempo representa uma consolação para os Católicos: as coisas postas em conjunto conseguem ainda após séculos a manter de pé.

As missas em honra dos santos são funções vãs

Como vimos aqueles que se reuniram em Trento naquele concílio com um hábil jogo de palavras procuraram fazer passar as missas que eles oferecem na realidade aos santos (tomemos por exemplo os santos apóstolos Paulo e Pedro) como sacrifícios dirigidos a Deus e não aos santos, para evitar a acusação de idolatria. Por que digo jogo de palavras? Porque não se percebe de modo algum o que significa oferecer a Deus um sacrifício em honra de terceiros. Em outras palavras é caso para se perguntar, mas então a honra a quem a dirigem? A Deus ou aos santos? Mas como podem dizer que oferecem um sacrifício em honra a Deus e ao mesmo tempo em honra de criaturas mortas há tempo que estão no céu com ele? Mas então querem dizer que honrando o senhor honram também os seus servos que estão no céu? Mas não é algo de ilógico tudo isto? No entanto este é o ensinamento que é dirigido a milhões de almas espalhadas pelo mundo! Ó homens que fostes enganados por estes preceitos de homens privados da verdade, caí em vós mesmos e saí desta falsa igreja!

A Escritura nos ensina que nós crentes devemos oferecer sacrifícios espirituais (dos quais está excluída a missa) mas estes sacrifícios os devemos oferecer a Deus, só a ele e não aos santos apóstolos que estão no céu. Eis as Escrituras que o confirmam: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual” (Rom. 12:1); “Sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Ped. 2:5); “Portanto ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor” (Heb. 13:15).

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