Pages Menu
Facebook
Categories Menu

Posted | 0 comments

Confutação da Igreja Católica Romana: a Ordem

A doutrina dos teólogos papistas
 

A ordem é o sacramento com que o padre recebe o poder de ministrar a eucaristia e de perdoar os pecados. O padre que o recebe não pode casar-se. Há oito ordens na Igreja; quatro menores e quatro maiores. Depois há os cardeais, e por fim o papa; esta é a hierarquia eclesiástica instituída por Cristo na sua Igreja .

‘ A Ordem é o Sacramento que dá o poder de fazer as acções sagradas respeitantes à Eucaristia e à saude das almas, e imprime o carácter de ministro de Deus’ (Giuseppe Perardi, op. cit., pag. 556).

O significado destas palavras é que este sacramento confere, a quem o recebe, o poder de ‘celebrar a Santa Missa, de perdoar os pecados, etc.’ (ibid. , pag. 556). ‘Ministro da Ordem é o Bispo, que dá o Espírito Santo e o poder sagrado pela imposição das mãos e entrega os objectos sagrados próprios da Ordem, dizendo as palavras da forma prescrita’ (ibid., pag. 557); ‘Administrando a Ordem, o Bispo impõe as mãos ao ordenando para exprimir que torna-se coisa de Deus, e lhe entrega os objectos sagrados próprios da Ordem , que para o padre são o cálice com o vinho e a patena com a hóstia, dizendo as palavras da forma prescrita que para o padre são: ‘Recebe o poder de oferecer a Deus o Sacrifício pelos vivos e pelos mortos.. Recebe o Espírito Santo; serão perdoados os pecados a quem tu os perdoares; e serão retidos a quem tu os retiveres’ (ibid., pag. 558). Para sustentar o sacramento da ordem Bartmann afirma isto:

‘Cristo transmitiu aos Apóstolos o poder de oferecer o sacrifício e de perdoar os pecados e os Apóstolos o exerceram logo desde o início. Todavia não se pode demonstrar que Cristo se tenha servido de um rito exterior para transmitir tais poderes. O que por outro lado não era necessário, porque Cristo não está ligado aos seus sacramentos; ele podia produzir o efeito deles com um simples acto de vontade. Prescreveu porém um rito para esta transmissão aos discípulos; o prova o facto de eles terem logo empregado tal rito – a oração e a imposição das mãos – cujo efeito era a comunicação da graça’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 347),

e depois cita os exemplos dos sete diáconos que foram apresentados aos apóstolos os quais depois de terem orado impuseram-lhes as mãos, o exemplo de Barnabé e Saulo em Antioquia que receberam a imposição das mãos, dos anciãos feitos eleger por Paulo e Barnabé, depois de terem orado e jejuado, no regresso da sua viagem missionária, e o de Timóteo que tinha recebido o dom de Deus pela imposição das mãos de Paulo, e um dom quando lhe foram impostas as mãos pelo colégio dos anciãos. 

Também aqui o concílio tridentino lançou os seus anátemas contra quem não aceita este rito; três destes dizem: ‘Se alguém disser que no novo Testamento não há um sacerdócio visível e exterior, ou que não há poder algum de consagrar e oferecer o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor, bem como de perdoar e reter os pecados (….) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXIII, can. 1), ‘Se alguém disser que a Ordem ou sacra ordenação não é um verdadeiro e próprio sacramento instituído por Cristo Nosso Senhor (…) seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXIII, can. 3), ‘Se alguém disser que pela sagrada ordenação não se confere o Espírito Santo, e que assim debalde dizem os bispos: Recebe o Espírito Santo ; ou que por ela não se imprime carácter; ou que quem tenha sido uma vez sacerdote possa de novo tornar-se leigo, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXIII, can. 4). Portanto, para resumir, os bispos católicos em virtude da sucessão apostólica, são os sucessores dos apóstolos, e têm portanto a autoridade de ordenar padres e diáconos e por aí fora, e a sua ordenação confere o carácter indelével de ministro de Deus. 

Aos padres e aos diáconos é imposto o celibato. Vejamos antes de tudo como o celibato forçoso foi introduzido na Igreja e depois qual é a doutrina vigente sobre o celibato na igreja romana. Na Igreja primitiva não era de modo nenhum imposto o celibato nem aos bispos e nem aos diáconos; antes importa dizer que um dos requisitos que deviam ter os que queriam ser assumidos nestes sacros ofícios era exactamente o de serem maridos de uma só mulher e de governarem bem a sua família. Mas pouco a pouco no meio da Igreja aparecendo a doutrina que a ceia do Senhor era também o renovamento do sacrifício de Cristo, e que os presbíteros quando celebravam a eucaristia ofereciam a Deus a vítima imolada (corpo de Cristo) pelos seus próprios pecados e pelos do povo, apareceu também a ideia que os presbíteros casados antes de celebrar a eucaristia deviam abster-se das relações conjugais com as suas mulheres para se apresentarem puros na eucaristia. Esta ideia era sustentada pelo exemplo dos sacerdotes levitas debaixo do Antigo Testamento, os quais, segundo a lei de Moisés, não podiam aproximar-se das coisas santas em estado de impureza, sob pena de morte, conforme está escrito: “Todo homem dentre os vossos descendentes pelas vossas gerações que, tendo sobre si a sua imundícia, se chegar às coisas santas que os filhos de Israel consagram ao Senhor, aquela alma será extirpada da minha presença” (Lev. 22:3), porque assim fazendo profanariam as coisas santas. Eles depois de terem tido relações conjugais com as suas mulheres (e portanto depois de se terem feito impuros) só podiam comer das coisas santas depois de banhar o seu corpo em água, e depois do pôr do sol conforme está escrito: “O homem que tocar em tais coisas será imundo até a tarde, e não comerá das coisas santas antes de banhar o seu corpo em água e, posto o sol, então será limpo; e poderá depois comer das coisas santas, porque isso é o seu pão” (Lev. 22:6,7). É claro que quando a eucaristia começou a ser celebrada pelos padres todos os dias acabou-se por impor a abstenção total das relações carnais com as mulheres aos que já eram casados. Isto resulta dos seguintes cânones do concílio de Elvira (= Granada) de 306: ‘Aos bispos, aos padres e aos diáconos que sejam achados culpados de incontinência durante o período do seu ministério não se deve nem permitir receber a comunhão antes da morte, dado o escândalo de uma culpa tão evidente’ (Concílio de Elvira, can. 18; citado por Fausto Salvoni in Dal cristianesimo al cattolicesimo I, Genova 1974, pag. 107-108); ‘Os bispos, os padres e em geral todos os clérigos que devem cumprir um serviço no altar devem abster-se das relações conjugais com as suas mulheres e não lhes é permitido gerar filhos. Se transgredirem o quanto dito eles perdem o direito à sua posição hierárquica’ (Concílio de Elvira, can. 33; citado por Fausto Salvoni in op. cit., pag. 108). Tudo isso levou por conseguinte a isto; que os que eram casados eram admitidos à ordenação com o consentimento da mulher que se separava do marido, e que se começaram a procurar jovens dispostos a serem sacerdotes permanecendo solteiros. Gregório VII impôs o celibato no sínodo Romano de 1073. A lei do celibato foi repetida pelo concílio Lateranense I de 1123 nestes termos: ‘Nós interditamos absolutamente aos padres, aos diáconos, aos subdiáconos e aos monges de ter concubinas ou de contrair matrimónio…’ (Concílio Lateranense I, can. 21), e confirmada depois pelo Lateranense II no ano 1139. Estes concílios declararam nulos os matrimónios contraídos pelos clérigos in sacris, criando assim o chamado impedimento dirimente da ordem sagrada. Também o concílio de Trento (1545-1563) confirmou posteriormente o celibato forçoso; e o fez lançando o seguinte anátema: ‘Se alguém disser que os clérigos constituídos em ordens sacras ou os religiosos que emitiram solenemente o voto de castidade, podem contrair matrimónio, e que este, uma vez contraído, é válido, não obstante a lei eclesiástica ou o voto, e que sustentar o oposto não é senão condenar o matrimónio; e que todos os que sentem não ter o dom da castidade (mesmo se fizeram o voto dela) podem contrair matrimónio, seja anátema. Pois Deus não nega este dom a quem piamente lho pede, nem permite que sejamos tentados acima das nossas forças’ (Concílio de Trento, Sess. XXIV, can. 9). A imposição do celibato aos clérigos foi confirmada por Paulo VI na encíclica Sacerdotalis coelibatus de Junho de 1967, e depois dele também por João Paulo II nas suas catequeses das audiências gerais. A doutrina católica sobre o celibato dos padres e dos diáconos é exposta pelo Código de direito canónico nestes termos: ‘O candidato ao diaconato permanente, não casado, e o candidato ao presbiterato não sejam admitidos a ordem do diaconato sem que antes, com o rito prescrito, tenham assumido publicamente perante Deus e a Igreja a obrigação do celibato, ou tenham emitidos votos perpétuos em instituto religioso’ (Código de direito canónico , Roma 1984, can. 1037); ‘Os clérigos são obrigados a observar a continência perfeita e perpétua por causa do Reino dos céus; por isso, são obrigados ao celibato, que é um dom especial de Deus…’ (ibid. , can. 277 – § 1). Portanto resumindo, o matrimónio, na igreja católica de rito latino, depois da ordenação é proibido contraí-lo tanto aos padres como aos diáconos. Nas igrejas de rito oriental, pelo contrário, há uma diferença na realidade, embora permanecendo a obrigação para os padres e os diáconos celibatários de não se casarem depois da sua ordenação; nelas tem valor o matrimónio contraído tanto pelos padres como pelos diáconos antes da sua ordenação. Quando porém um padre casado torna-se bispo então o matrimónio deve terminar e a mulher entrar para um convento.

Segundo o catecismo católico na Igreja há uma hierarquia eclesiástica constituída por todos os graus de ministros sagrados entre eles devidamente subordinados até ao supremo que é o papa . Eles dizem que como num Estado há diversos graus de autoridade assim na Igreja há vários graus que estão subordinados uns aos outros. Vejamos agora quais são estes graus hierárquicos segundo a teologia romana:
1) As ordens menores:
a) ostiariato,
b) leitorato,
c) exorcistato,
d) acolitato.
Dizem-se menores porque são inferiores e porque dispõem mais remotamente ao sacerdócio; os seus ofícios são agora em grande parte exercidos por sacristães e pelos acólitos.
2) As ordens maiores: o subdiaconato e o diaconato que preparam proximamente ao sacerdócio, o presbiterato e o episcopado.
a) O subdiácono vincula-se à igreja com a obrigação que assume de recitar o divino ofício e..canta a epístola na missa solene.
b) O diácono recebe o poder de assistir imediatamente o sacerdote que oferece o santo sacrifício, de pregar, comungar, e na missa solene canta o evangelho, etc. Segundo o Código de direito canónico pode aspirar ao diaconato permanente também um homem casado, mas só depois de ter feito 35 anos de idade e com o consentimento da mulher (ibid., can. 1031).
c) O presbiterato ou sacerdócio, que dá as duas faculdades essenciais; consagrar a eucaristia e perdoar os pecados. Os sacerdotes são consagrados pelo bispo.
d) O episcopado ou bispado, que é a plenitude do sacerdócio, que dá o poder de conferir as ordens sagradas, de consagrar o crisma e o óleo da extrema unção, de administrar e governar.

‘Para a ordenação legítima de um bispo, hoje é exigido uma intervenção especial do Bispo de Roma, pelo facto de ele ser o supremo vínculo visível da comunhão das Igrejas particulares na única Igreja e o garante da sua liberdade’ (Catecismo da igreja católica, 1992, pag. 400) [ 21]. A cada 5 anos o bispo diocesano deve apresentar ao papa uma relação sobre o estado da diocese.
Estas aqui acima são as oito ordens; é necessário dizer porém que as primeiras quatro ordens juntamente com o subdiaconato não são reconhecidas pela maior parte dos teólogos católicos romanos como ordens sacramentais. De facto, ‘na sua administração falta a imposição das mãos e a invocação do Espírito Santo numa oração sacramental’ (Bernardo Bartmann, op. cit., pag. 349), e ‘foram e ainda são conferidas, em força de uma delegação papal, por ministros não bispos’ ( ibid., pag. 360).

Estes são os graus hierárquicos até ao bispo. E para quem não os reconhece o concílio tridentino disse:

‘Se alguém disser que na Igreja Católica não há uma hierarquia instituída por disposição divina, e formada de bispos, sacerdotes e ministros, seja anátema’ (Concílio de Trento, Sess. XXIII, can. 6).

Dado que estamos em tema de hierarquia recordamos também que para além destes há também os cardeais que são criados pelo papa, os quais são os seus mais altos colaboradores e seus conselheiros. O seu número tinha sido fixado por Sisto V em setenta, mas Paulo VI o ampliou levando-o para mais de cem. O papa é escolhido precisamente dentre o número dos cardeais [ 22] e pelos próprios cardeais (reunidos em conclave; termo que deriva do latim cum clave que significa ‘fechado à chave’ e designa o ambiente fechado em que se reúnem os cardeais para a eleição do novo papa) [ 23] porque o Código de direito canónico diz: ‘Os Cardeais da Santa Igreja Romana constituem um Colégio especial, ao qual compete assegurar a eleição do Romano Pontífice de acordo com o direito especial..’ (Código de direito canónico, can. 349). E por fim há o papa, que é o grau mais alto da hierarquia.

Eis quais são os graus hierárquicos existentes no seio da igreja romana!

 

Confutação

 

Explicação das Escrituras tomadas para sustento do sacramento da ordem
 

A sagrada Escritura ensina que Jesus dentre todos os seus discípulos elegeu doze apóstolos; está escrito de facto:

“E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos” (Lucas 6:13).

Quando depois Judas Iscariotes abandonou o seu ofício para ir para o seu próprio lugar, depois que Jesus foi elevado ao céu, para o seu lugar foi escolhido um outro deles; a sorte caiu sobre Matias que foi assim associado aos onze. Mas não é que de apóstolos existissem só aqueles doze, porque Deus constituiu outros na sua Igreja; como por exemplo Paulo e Barnabé (cfr. Actos 14:14), Silas e Timóteo (cfr. 1 Tess. 2:6), Andrônico e Júnias (cfr. Rom. 16:7). É bom precisar porém que os apóstolos, tanto os que foram constituídos enquanto Cristo estava na terra como os constituídos por Deus depois da assunção de Jesus ao céu, nunca receberam de Cristo nem o poder de oferecer o sacrifício da missa e nem o poder de perdoar os pecados aos homens, assim como o entende a teologia romana (vede a confutação da penitência). Os apóstolos que Cristo escolheu foram enviados a pregar o Evangelho, a expulsar os demónios, a curar os enfermos; e não para oferecer o sacrifício da missa ou a perdoar os pecados. Também os apóstolos, que não estavam entre os doze, isto é, Paulo, Barnabé e outros não receberam o poder de oferecer a missa ou de perdoar os pecados; por quanto respeita a Paulo e Barnabé, foram enviados para pregar com a autoridade de curar os enfermos, mas não para perdoar os pecados ou para oferecer o sacrifício da missa. É pois falso o que diz Bartmann a respeito dos apóstolos quando diz que Cristo deu-lhes o poder de oferecer o sacrifício e de perdoar os pecados. 

Vejamos agora a ordenação dos anciãos que Bartmann diz ser a ordenação dos padres. A Escritura diz-nos que os apóstolos Paulo e Barnabé fizeram eleger anciãos para as igrejas conforme está escrito:

“E, havendo-lhes feito eleger anciãos em cada igreja e orado com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (Actos 14:23).

Isto é verdade, mas se deve ter presente que eles não eram sacerdotes, como dizem os Católicos, com o poder de celebrar a missa e de perdoar os pecados, mas simples crentes que tinham os requisitos necessários para assumir o ofício de ancião. A este propósito, isto é, a propósito da eleição feita pela Igreja, se poderia citar também o exemplo dos sete em Jerusalém os quais não foram escolhidos pelos apóstolos mas pela multidão dos crentes, de facto os apóstolos disseram: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço…. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos” (Actos 6:3,5,6). Notai que foi a multidão que escolheu os sete com base nos requisitos estabelecidos pelos apóstolos, enquanto os apóstolos os aprovaram naquele serviço orando e impondo-lhes as mãos. Portanto, na Igreja primitiva os anciãos (ou bispos) e os diáconos eram eleitos pela Igreja, e depois os apóstolos oravam sobre eles impondo-lhes as mãos para recomendá-los à graça do Senhor. É feito isto na igreja católica? Não, porque os padres são escolhidos não pelo povo, mas pelos bispos e por eles ordenados. Portanto os teólogos católicos são desmentidos pelas próprias passagens da Escritura que eles tomam para sustentar este seu sacramento da ordem. 

Falemos agora da imposição das mãos feita pelos profetas e pelos doutores de Antioquia sobre Barnabé e Saulo depois que lhes falou o Espírito Santo. Está escrito:

“E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores: Barnabé e Simeão, chamado Niger, e Lúcio cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. E enquanto celebravam o culto do Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, depois de ter jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos, e os despediram” (Actos 13:1-3).

Antes de tudo Barnabé e Saulo já eram ministros de Deus porque são contados entre os profetas e os doutores que haviam em Antioquia. O que deve ser pois dito é que naquela ocasião por meio daquela revelação do Espírito Santo eles foram separados dos outros para uma particular obra, a saber, para a obra de apostolado da qual Lucas fala depois. Com efeito, desde então em diante são chamados apóstolos. O Espírito Santo ordenou que se separassem; e ainda ele os enviou porque logo depois está escrito: “E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia…” (Actos 13:4). Os outros ministros, ao contrário, oraram por eles e impuseram-lhes as mãos mas não porque viam nesse rito um sacramento que tivesse em si mesmo o poder de conferir um carácter indelével de apóstolo, mas apenas para recomendá-los desta maneira ao Senhor para a obra para a qual tinham sido consagrados pelo próprio Deus. Queremos dizer com isto que não foi mediante aquela imposição de mãos e aquela oração que Barnabé e Saulo receberam a capacidade de cumprir o ministério de apóstolo, porque o ministério de apóstolo foi um ministério que eles receberam por revelação. E também neste caso não se pode avistar este sacramento da ordem. 

Ocupemo-nos agora da imposição das mãos recebida por Timóteo. Está escrito: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério (colégio dos anciãos)” (1 Tim. 4:14), e noutro lugar: “Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tim. 1:6). Ora, por quanto respeita ao primeiro dom recebido por Timóteo é necessário dizer que ele foi-lhe dado por profecia, portanto a seguir a um falar do Espírito Santo pela boca de alguém; a ocasião foi quando lhe foram impostas as mãos pelo colégio dos anciãos. Mas não é que o que aconteceu a Timóteo exclua que se possam receber dons de Deus sem a imposição das mãos de um colégio de anciãos; tanto é verdade que na Escritura há exemplos de homens que receberam dons de ministério e do Espírito Santo sem a imposição das mãos de ninguém (como por exemplo Samuel, Eliseu, Isaías, Ezequiel, os doze apóstolos e Paulo). Permanece o facto porém que em qualquer caso, isto é, seja que haja uma imposição das mãos ou que não haja; o dom o se recebe de Deus de maneira sobrenatural. Os dons de ministério – que recordamos são o de apóstolo, profeta, evangelista, pastor e doutor – têm-se em virtude de uma vocação celestial; e não em virtude de uma vocação humana. Eles são conferidos pelo Senhor a quem ele quer e da maneira em que ele quer. Por exemplo ao conferir os dons de ministério o Senhor usa-se algumas vezes de visões, outras vezes de sonhos, outras vezes ainda do dom de profecia. Em alguns casos depois o Senhor opera poderosamente no crente de maneira a fazer-lhe sentir interiormente pelo seu Espírito tê-lo chamado a cumprir um particular ministério confirmando-o depois nesse ministério no curso do tempo seja fazendo-lhe ver o seu favor e concedendo a ele ou a outros revelações a tal respeito. Seja claro, de qualquer modo, que qualquer que seja a maneira em que aconteça o conferimento de um ministério, será manifesto a todos que aquele crente recebeu aquele particular ministério porque Deus está com ele naquilo que faz. Por quanto respeita aos dons do Espírito Santo – que são dom de palavra de sabedoria, de palavra de ciência, de fé, dons de curar, poder de operar milagres, profecia, o discernimento dos espíritos, diversidade das línguas, interpretação das línguas – são distribuídos pelo Espírito Santo a cada um em particular como Ele quer. Pode acontecer também neste caso que seja com a imposição das mãos (como aconteceu em Éfeso àqueles cerca de doze discípulos) ou sem em virtude de uma revelação de Deus ou de uma visitação repentina da parte de Deus. Explico esta última manifestação; pode suceder por exemplo que enquanto alguém ora, de repente o Espírito Santo o investe e o faz começar a falar em diversas línguas (enquanto antes podia orar só numa outra língua), ou a profetizar, ou lhe começa a fazer ver coisas em visão que acontecerão ou que estão acontecendo, ou espíritos malignos que atormentam alguns. Ou se põe a orar sobre os doentes empurrado pelo poder de Deus e eles curam. Isto quando não há a imposição das mãos de ninguém e a distribuição do dom ou dos dons não é por Deus anunciada nem através de visão nem através de um sonho. 

Por quanto respeita ao dom de Deus que Timóteo recebeu a seguir à imposição das mãos de Paulo, cremos que ele se trate do Espírito Santo. Paulo tinha de facto o dom de impor as mãos aos crentes para que recebessem o Espírito Santo; temos um exemplo no caso daqueles cerca de doze discípulos de Éfeso sobre os quais desceu o Espírito Santo depois que ele lhes impôs as mãos (cfr. Actos 19:6,7). Também neste caso porém não se vê nenhum sacramento da ordem, como o vêem os teólogos católicos. Não nos admiramos, de qualquer modo, que eles nestas passagens aqui supracitadas vejam nelas o sacramento da ordem quando ele não está lá: coisas que não existem vêem muitas delas na Bíblia!

Fonte

Post a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Read more:
perguntas_frequentes
Por que é que vós Evangélicos não fazeis o sinal da cruz antes de comer?

O motivo é porque nã...

vaticano
Confutação da Igreja Católica Romana: Os sacramentos

A doutrina dos teólo...

Close